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Lobotomia: O Que É, História e Uso na Medicina Atual

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A lobotomia é um procedimento cirúrgico que já teve um papel significativo na história da psiquiatria, sendo utilizado principalmente nas décadas de 1930 a 1950. Apesar de seu impacto no tratamento de transtornos mentais, ela também foi alvo de muitas controvérsias devido aos seus efeitos colaterais e à natureza invasiva do procedimento. Neste artigo, exploraremos o que é a lobotomia, sua história, sua aplicação na medicina atual e os debates éticos que cercam essa prática.

O Que É Lobotomia?

A lobotomia é uma cirurgia cerebral que consiste na interrupção de ligações entre o córtex pré-frontal e outras regiões do cérebro. O objetivo era modificar comportamentos considerados indesejados em pacientes com transtornos psiquiátricos severos. Geralmente, realizava-se a lesão ou remoção de parte do córtex pré-frontal, usando diferentes técnicas ao longo do tempo.

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Como Funciona a Lobotomia?

O procedimento buscava reduzir a atividade cerebral de áreas relacionadas a emoções, comportamento e racionalidade, supostamente "controle" dos sintomas psiquiátricos. As técnicas variaram desde as primeiras operações com instrumentos cirúrgicos até métodos mais modernos, como a lobotomia transorbital, desenvolvida por Walter Freeman.

História da Lobotomia

Origens e Desenvolvimento

A lobotomia foi inventada pelo neurocirurgião português António Egas Moniz em 1935, que recebeu o Nobel de Medicina em 1949 pela descoberta. Moniz propôs a técnica como uma alternativa para tratar transtornos psiquiátricos graves, como esquizofrenia, depressão profunda e ansiedade severa.

Expansão e Popularidade

Na época, a lobotomia ganhou popularidade, sendo realizada em vários países, inclusive nos Estados Unidos, onde o neurocirurgião Walter Freeman popularizou a técnica da lobotomia transorbital—conhecida como "leportomia"—que permitia realização do procedimento de forma rápida e muitas vezes improvisada.

Críticas e Declínio

Nos anos 1950 e 1960, cresceu o debate ético e científico contra a lobotomia. Muitos pacientes apresentavam déficits cognitivos, alterações de personalidade e outros efeitos colaterais graves. Além disso, o avanço de medicamentos psicotrópicos reduziu a necessidade de tratamentos cirúrgicos invasivos. Como resultado, a prática foi sendo abandonada, sendo considerada obsoleta atualmente.

AnoEventoSignificado
1935Últura da lobotomia por António Egas MonizInício da técnica como tratamento médico
1949António Egas Moniz recebe o NobelReconhecimento internacional pelo método
1950sPopularização e ampliação do uso da lobotomiaCrescimento da prática em vários países
1950 a 1960Críticas crescentes e declínio do usoSurgimento de medicamentos e questionamentos éticos
HojeUso quase extinto e estudo históricoDiscussões sobre ética médica e avanços

Aplicação na Medicina Atual

A Situação Atual da Lobotomia

Hoje, a lobotomia como procedimentos padrão não é mais realizada. Contudo, ela contribuiu para o estudo do cérebro e das funções cerebrais, além de influenciar práticas atuais em neurocirurgia e na compreensão dos transtornos mentais.

Tecnologias e Métodos Modernos

Na medicina atual, técnicas como a estimulação cerebral profunda, a terapia cognitivo-comportamental e medicamentos estão no topo do tratamento de transtornos psiquiátricos. No entanto, o estudo do cérebro, incluindo áreas relacionadas a emoções e comportamento, continua sendo importante.

Segundo o neurocientista português António Damásio, "Compreender como o cérebro funciona é essencial para desenvolver tratamentos mais eficazes e humanos."

Uso de Neurocirurgia Funcional

Apesar de a lobotomia tradicional estar praticamente extinta, a neurocirurgia funcional moderna é utilizada para tratar distúrbios como a Tourettes, epilepsia e até depressão resistente ao tratamento, mas com técnicas muito mais precisas e menos invasivas do que as antigas lobotomias.

Saiba mais sobre Neurocirurgia Funcional

Perguntas Frequentes sobre a Lobotomia

1. A lobotomia ainda é utilizada na medicina atual?

Não, a lobotomia clássica foi abandonada devido aos seus efeitos colaterais e às alternativas mais modernas e menos invasivas. Atualmente, procedimentos como a estimulação cerebral profunda são usados para tratar alguns transtornos.

2. Quais eram os principais efeitos colaterais da lobotomia?

Dentre os efeitos adversos estavam alterações na personalidade, dificuldades cognitivas, problemas de memória, apatia, ansiedade, compulsões e déficits intelectuais.

3. Quais transtornos mentais eram tratados com lobotomia?

Ela era indicada principalmente para casos graves de esquizofrenia, depressão profunda, transtorno obsessivo-compulsivo e ansiedade severa.

4. A lobotomia foi um procedimento ético?

De modo geral, não. Muitas críticas foram feitas pelo fato de procedimentos serem realizados sem o consentimento adequado, além das consequências devastadoras para os pacientes.

Conclusão

A lobotomia representa um capítulo importante na história da psiquiatria e da neurocirurgia, refletindo uma época em que o entendimento do cérebro ainda era limitado e os tratamentos eram muitas vezes invasivos e éticamente questionáveis. Com o avanço da medicina, métodos menos agressivos e mais eficazes substituíram a lobotomia, proporcionando tratamentos que respeitam a dignidade e os direitos dos pacientes.

Hoje, a neurociência e a psicoterapia oferecem alternativas mais humanas e precisas para o tratamento de transtornos mentais, baseadas em uma compreensão mais aprofundada do cérebro e de suas complexidades. Como destacou o neurocientista Antonio Damásio, “a chave para tratar a mente está em compreender o cérebro”. A história da lobotomia serve como um lembrete dos limites do conhecimento e da importância da ética na medicina.

Referências

  • Moniz, A., et al. (1936). Préliminaries on the use of a "leucotomy" in the treatment of mental illness. Jornal de Neurocirurgia.
  • Wright, W., & Schwartz, J. (2018). History of Lobotomy. Brain and Behavior Journal.
  • Damásio, A. (2004). Oms e emoções: pesquisas sobre o cérebro e a consciência.
  • Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. (2022). Neurocirurgia funcional: avanços e aplicações. Disponível em: https://www.sbn.org.br/neurocirurgia-funcional/

Este artigo foi elaborado com foco em fornecer informações completas e atualizadas sobre a lobotomia, promovendo um entendimento crítico e ético sobre o tema.