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Livros Retirados da Bíblia: História e Significado das Escrituras Eliminas

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A Bíblia é considerada por milhões de fiéis ao redor do mundo como o livro sagrado por excelência. Sua composição, entretanto, não é simplesmente uma coleção de textos escritos há milhares de anos, mas sim um conjunto de livros cuja estrutura e conteúdo passaram por diversas revisões e debates ao longo da história. Um dos aspectos mais intrigantes desse processo é a existência de livros que foram retirados do cânon bíblico, ou seja, que, por diferentes motivos, não fazem mais parte do conjunto oficial das escrituras sagradas de diversas tradições cristãs.

Este artigo tem como objetivo explorar a história, o significado e as razões por trás da eliminação de tais livros, conhecidos como "livros apócrifos" ou "deuterocanônicos", bem como esclarecer dúvidas frequentes sobre o tema.

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O que são os livros retirados da Bíblia?

Definição de livros apócrifos e deuterocanônicos

Os livros retirados da Bíblia são textos que, ao longo da história, foram considerados ou excluídos do cânon bíblico por diferentes razões. Eles podem estar classificados de duas formas principais:

  • Deuterocanônicos: São livros considerados canônicos por algumas tradições cristãs, como a Católica e Ortodoxa, mas não aceitos pela Igreja Protestante. Exemplos incluem Tobias, Judite, Sabedoria, e Eclesiástico.

  • Apócrifos: Geralmente, referem-se a textos que foram excluídos do cânon por serem considerados não inspirados, de fontes duvidosas ou por questões doutrinais. Alguns desses livros aparecem em versões antigas da Bíblia, como a Septuaginta, mas não estão nas versões protestantes modernas.

Alguns exemplos de livros retirados ou considerados apócrifos

LivroOrigem/ReconhecimentoComentário
Livro de EnoqueApócrifo na tradição cristã e judaica antigaPopular na Igreja Primitiva, não canônico oficialmente
2 MacabeusDeuterocanônico na Igreja Católica, considerado apócrifo por protestantesRelata episódios históricos durante as guerras judaicas
Sabedoria de SalomãoReconhecido na Igreja Católica e OrtodoxaTexto filosófico e religioso antigo
Evangelho de ToméTextos gnósticos, considerados apócrifosOferece ensinamentos de Jesus, mas não aceitar como canônico

A história do processo de canonização da Bíblia

Desenvolvimento do cânon bíblico

A formação do cânon bíblico não foi uma decisão rápida ou unificada. Ela ocorreu ao longo de séculos, envolvendo debates teológicos, critérios de autoria e autoridade, além de tradições comunitárias.

Primeiras versões e textos antigos

Os textos mais antigos que compõem a Bíblia foram escritos em hebraico, aramaico e grego. Entre os mais importantes estão:

  • Manuscrito do Mar Morto (século III a.C.), que oferece uma visão sobre o judaísmo da época.
  • Septuaginta (século III a.C.), uma tradução grega do Antigo Testamento usada amplamente na época de Jesus.

Os concílios e a definição do cânon

Os principais momentos que marcaram a definição do cânon foram:

  • Concílio de Roma (382 d.C.): Reconheceu oficialmente o cânon usado pela Igreja Católica.
  • Concílio de Cartago (397 d.C.): Confirmou o canon do Antigo e do Novo Testamento.
  • Reforma Protestante (século XVI): Decidiu excluir alguns livros considerados apócrifos, resultando na Bíblia protestante atual.

Por que alguns livros foram retirados?

Razões doutrinárias e teológicas

Um dos motivos principais para a exclusão de certos textos foi a incompatibilidade doutrinal. Livros que apresentavam conceitos considerados hereges ou contrários às doutrinas oficiais foram rejeitados.

Questões históricas e de autoria

Livros de autoria duvidosa ou com conteúdo considerado apócrifo, como textos de origem gnosticista ou de diferentes tradições, também foram excluídos.

Influência das tradições religiosas

A diferença entre as várias tradições cristãs influenciou diretamente quais livros foram aceitos ou rejeitados. A Igreja Católica, por exemplo, incluiu alguns livros no canon que os protestantes excluíram.

Os principais livros retirados da Bíblia e seus significados

Livros do Antigo Testamento

  • Livro de Enoque: Contém visões apocalípticas e detalhes sobre os anjos caídos.
  • Judite: Narrativa de uma heroína que salva seu povo com astúcia.
  • Sabedoria de Salomão: Discussões filosóficas sobre a justiça e a moralidade.

Livros do Novo Testamento

Embora o cânon do Novo Testamento seja considerado pelo mais canonizado, alguns textos gospel ou epístolas foram considerados não inspirados ou apócrifos, como:

  • Evangelho de Tomé
  • Evangelho de María Madalena

Impacto na doutrina cristã

A exclusão ou inclusão de certos livros teve e continua tendo impacto na compreensão doutrinal e na tradição de diferentes igrejas cristãs. Conhecer esses textos ajuda a compreender a diversidade de interpretações e práticas religiosas.

Theological Significance and Modern Perspectives

Como os livros retirados influenciam o estudo bíblico

Estudar os livros que foram excluídos do cânon enriquece o entendimento sobre o contexto histórico, cultural e religioso da época de sua escrita, além de abrir espaço para debates teológicos mais amplos.

O interesse atual pelos textos apócrifos

Hoje, há um interesse acadêmico e espiritual crescente por esses textos, com inúmeros estudos, publicações e discussões sobre sua relevância no cristianismo primitivo.

Recursos e fontes confiáveis

Para quem deseja aprofundar seus estudos, recomenda-se visitar sites como o Bible Gateway e consultar obras acadêmicas especializadas, como A Bíblia e Seus Manuscritos, de Bart D. Ehrman.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Os livros retirados da Bíblia são considerados inspirados por Deus?

Depende da denominação religiosa. Para igrejas católicas e ortodoxas, alguns desses livros são considerados inspirados, enquanto as igrejas protestantes geralmente os consideram não canônicos.

2. Por que alguns livros foram incluídos na Septuaginta, mas não na Bíblia Hebraica?

A Septuaginta foi uma tradução grega da Bíblia hebraica que incluiu vários textos adicionais, muitos dos quais foram posteriormente considerados apócrifos pelos judeus e protestantes.

3. É possível encontrar versões completas desses livros hoje?

Sim, muitos desses textos estão disponíveis em edições acadêmicas e em versões de estudos bíblicos, facilitando seu acesso e leitura.

4. Como a história dos livros retirados influencia a compreensão da Bíblia?

Ela revela as complexidades do processo de canonização, o impacto das tradições culturais e teológicas ao longo do tempo, e oferece uma compreensão mais ampla da história cristã.

5. Os livros retirados possuem alguma validade espiritual?

Para algumas tradições religiosas, esses textos têm valor espiritual e histórico, embora não sejam considerados canônicos oficialmente. É importante abordá-los com uma perspectiva crítica e acadêmica.

Conclusão

A história dos livros retirados da Bíblia é uma jornada complexa e fascinante que revela não apenas o desenvolvimento do cânon bíblico, mas também as diversas tradições e debates que moldaram o cristianismo ao longo dos séculos. Compreender esses textos e as razões pelas quais foram excluídos enriquece nossa visão sobre as escrituras, seu significado e sua influência na fé cristã contemporânea. Conhecer essa história permite uma apreciação mais aprofundada da diversidade de interpretações bíblicas e incentiva o diálogo entre diferentes tradições religiosas.

Para quem deseja aprofundar seus estudos, recomenda-se consultar obras como A Bíblia e Seus Manuscritos, de Bart D. Ehrman, além de explorar plataformas confiáveis com versões comentadas dos textos apócrifos.

Referências

Esperamos que este artigo tenha ajudado a esclarecer dúvidas e proporcionado uma compreensão mais ampla sobre os livros retirados da Bíblia, sua história e seu significado.