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Litigância de Má-Fé no CPC: Entenda as Consequências e Penalidades

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A litigância de má-fé é uma questão que permeia o universo jurídico, representando uma conduta inadequada durante o processo judicial. No Brasil, o Código de Processo Civil (CPC) traz dispositivos específicos para punir aqueles que agem de forma maliciosa ou desleal com o objetivo de prejudicar a parte adversa ou tumultuar a tramitação processual. Este artigo tem como objetivo explicar em detalhes o que caracteriza a litigância de má-fé no CPC, suas consequências, penalidades aplicadas e as melhores práticas para evitar esse tipo de conduta. Além disso, serão abordadas dúvidas frequentes, de forma a informar advogados, estudantes de direito e pessoas envolvidas em processos judiciais.

O que é Litigância de Má-Fé?

Litigância de má-fé ocorre quando uma das partes no processo atua com intenção maliciosa, desleal ou fraudulenta, visando manipular, prejudicar ou atrasar a tramitação do processo judicial.

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Definição Legal

De acordo com o artigo 80 do CPC (Lei nº 13.105/2015):

"Será considerada litigância de má-fé aquele que:

I - deduzir pretensão ou defesa contra literal disposição de lei ou fato notoriamente sabido que eles não tenham amparo na jurisprudência ou na prova dos autos;

II - alterar a verdade dos fatos;

III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

IV - resistir injustamente a uma providência processual;

V - provocar incidentes manifestamente infundados ou de difícil procedência; ou

VI - substituir quantidade ou qualidade de testemunha, de perito ou de algum outro fundamento de prova, com intenção de prejudicar a parte adversa."

Exemplos de Má-Fé

  • Apresentar documentos falsificados.
  • Alterar fatos no decorrer do processo.
  • Protocolar recursos meramente protelatórios.
  • Manipular provas ou testemunhas.

Consequências da Litigância de Má-Fé

A litigância de má-fé traz diversas consequências jurídicas, civis e processuais para os envolvidos.

Penalidades previstas no CPC

Tipo de PenalidadeDescriçãoReferência Legal
MultaGeralmente, de 10% a 20% sobre o valor da causa ou do valor da condenaçãoArt. 81 do CPC
Vedação de recorrerRestrições para recorrer de decisões judiciais com condenação por má-féArt. 80 do CPC
Indenização por perdas e danosRessarcimento de danos morais e materiais causados à parte contráriaArt. 80, inciso V do CPC
Perda de honoráriosPerda de honorários advocatícios na fase recursalArt. 85, § 11 do CPC
Exclusão do direito de recorrerEm casos graves, pode haver exclusão do direito de recorrer de novas decisõesArt. 81, § 2º do CPC

Consequências adicionais

  • Prejuízo à reputação: A parte que age de má-fé pode ter sua imagem prejudicada perante o Judiciário.
  • Perda do benefício de justiça gratuita: Em alguns casos, a parte pode perder esse benefício se agir de má-fé.
  • Responsabilização criminal: Dependendo da conduta, pode configurar crime de periclitação da Justiça, sujeitando o litigante às penalidades penais previstas na legislação.

Como Identificar a Litigância de Má-Fé?

A identificação da má-fé exige análise detalhada do processo, dos atos praticados pelas partes e das provas produzidas.

Sinais de Má-Fé

  • Recurso com argumentos evidentemente infundados.
  • Provas manipuladas ou falsificadas.
  • Reiteração de ações protelatórias.
  • Condutas que tentam intimidar ou constranger a parte adversa.

O Papel do Juiz

O juiz, ao perceber um eventual ato de má-fé, pode determinar a produção de provas, instaurar inquérito ou aplicar imediatamente as penalidades previstas, conforme o artigo 80 e seguintes do CPC.

Como Evitar a Litigância de Má-Fé?

Para evitar cometer litígência de má-fé, o advogado e as partes devem seguir boas práticas processuais, como:

  • Fundamentar bem os pedidos e defesas.
  • Apresentar provas legítimas e verificáveis.
  • Evitar alegações temerárias ou infundadas.
  • Revisar os documentos antes de protocolar petições.
  • Manter a ética profissional e a boa-fé processual.

O Papel do Advogado na Prevenção e na Punização da Má-Fé

O advogado deve atuar com ética e responsabilidade, orientando seus clientes quanto às condutas adequadas e às consequências das ações ilícitas durante o processo. Além disso, ele pode requerer ao juiz a aplicação das penalidades quando detectar má-fé, conforme disposto no artigo 80 do CPC.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quais ações podem configurar litigância de má-fé?

Entre as ações mais comuns estão a falsificação de documentos, omissão de informações relevantes, manipulação de provas, recursos protelatórios sem fundamento, entre outros.

2. Quais penalidades posso sofrer por litigância de má-fé?

Você pode ser condenado a pagar multa de 10% a 20% sobre o valor da causa, indenizar a parte prejudicada, perder o direito de recorrer e responder por perdas e danos.

3. Como um advogado pode ajudar a evitar a má-fé?

Orientando seus clientes sobre condutas éticas, fundamentando corretamente os pedidos, apresentando provas legítimas e evitando ações temerárias ou manifestamente infundadas.

4. É possível recorrer de uma condenação por má-fé?

Sim, a parte condenada pode recorrer da decisão que a responsabiliza por má-fé, bem como elaborar recursos buscando a revisão da penalidade.

5. Qual a diferença entre litigância de má-fé e erro processual?

A má-fé envolve intenção deliberada de prejudicar ou manipular, enquanto erro processual é uma falha não intencional na condução do processo.

Conclusão

A litigância de má-fé representa uma conduta prejudicial ao bom andamento do processo judicial, além de violar princípios éticos e de boa-fé que devem reger as relações jurídicas. O Código de Processo Civil dispõe de penalidades específicas para coibir esse comportamento, garantindo assim maior efetividade e justiça na tramitação processual. Advogados, partes e juízes têm papéis essenciais na prevenção, identificação e punição dessas condutas, contribuindo para uma justiça mais ética e eficiente.

Como bem disse o jurista Rui Stoco:

"A litigância de má-fé é o câncer do processo civil, uma conduta que deve ser combatida com rigor para preservar a saúde do sistema judicial."

Referências

  • BRASIL. Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil). Disponível em: Planalto.gov.br

  • GARCIA, José Roberto. Manual de Processo Civil. São Paulo: Método, 2019.

  • SILVA, Flávio Tartuce. Manual de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, 2020.

  • Justiça Federal. Guia prático para evitar litigância de má-fé. Disponível em: Justiça Federal

Considerações finais

A correta interpretação das normas referentes à litigância de má-fé é fundamental para assegurar a ética e a efetividade do processo civil. Ao conhecer suas consequências e formas de prevenção, advogados e partes podem conduzir suas ações com maior responsabilidade, contribuindo para um sistema judiciário mais justo e eficiente.