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Litiase Biliar CID: Guia Completo Sobre Causas, Diagnóstico e Tratamento

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A litiase biliar, popularmente conhecida como cálculo na vesícula, é uma condição clínica de alta prevalência que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Caracterizada pela formação de pedras na vesícula biliar, essa enfermidade pode causar sintomas severos e complicações se não for diagnosticada e tratada adequadamente. O entendimento sobre a classificação internacional de doenças (CID) relacionada à litiase biliar é fundamental para profissionais de saúde, pacientes e pesquisadores, pois orienta a codificação, estatísticas epidemiológicas e estratégias de manejo.

Neste guia completo, abordaremos as principais causas, métodos de diagnóstico, opções de tratamento e tópicos relacionados à classificação CID. Além disso, responderemos às perguntas frequentes e apresentaremos informações essenciais para uma compreensão aprofundada do tema.

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O que é a Litiase Biliar e sua Classificação CID

A litiase biliar é definida pela formação de cálculos ou pedras na vesícula biliar, um órgão responsável por armazenar e concentrar a bile, que auxilia na digestão das gorduras. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), essa condição está registrada sob os códigos K80 (colelitíase) e suas subcategorias.

Código CID para Litiase Biliar

Código CIDDescriçãoDetalhes adicionais
K80ColelitíasePresença de cálculos na vesícula biliar
K80.0Cálculo na vesícula biliar sem complicaçõesSem inflamação ou outras complicações
K80.1Cálculo na vesícula biliar com inflamaçãoColecistite associada
K80.2Cálculo na vesícula biliar com obstruçãoObstrução do ducto cístico

A classificação CID detalha ainda as complicações associadas, como colecistite aguda ou crônica, cálculo impactado, entre outros, facilitando o registro clínico e a epidemiologia.

Causas da Litiase Biliar

A formação de cálculos na vesícula biliar é um fenômeno multifatorial, podendo ocorrer por fatores genéticos, ambientais, metabólicos e outros. A seguir, destacamos as principais causas:

Fatores de risco

  • Composição da bile: Desequilíbrios na quantidade de colesterol, bile ácida e pigmentos biliares podem levar à formação de cálculos.
  • Hipersecreção de colesterol: Excesso de colesterol na bile favorece a formação de pedras de colesterol.
  • Distúrbios metabólicos: Obesidade, diabetes mellitus e síndrome metabólica aumentam o risco.
  • Idade avançada: Predomina em pessoas acima de 40 anos.
  • Sexo feminino: A prevalência é maior em mulheres, devido à influência hormonal.
  • Gravidez: Durante a gestação, a alteração hormonal aumenta a formação de cálculos.
  • Fatores genéticos: Histórico familiar de litíase.
  • Perda de peso rápida: Dietas restritivas aceleram o desenvolvimento de cálculos.
  • Uso de medicamentos: Alguns fármacos, como contraceptivos orais, podem influenciar a formação de cálculos.

Mecanismos de formação

A formação de cálculos ocorre devido à supersaturação da bile com componentes insolúveis, levando à nucleação e crescimento das pedras ao longo do tempo. A composição mais comum é de cálculos de colesterol, seguidos pelos pigmentares e mistos.

Sintomas e Diagnóstico

Sintomas comuns

  • Dor intensa em abdome superior direito ou epigástrio, frequentemente após refeições gordurosas.
  • Náuseas e vômitos.
  • Icterícia, em casos de obstrução do ducto biliar.
  • Sensibilidade abdominal ao toque.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, laboratoriais e anamnese detalhada.

Exames complementares

  • Ultrassonografia abdominal: principal exame para identificação de cálculos e inflamação.
  • Cintilografia da vesícula: avalia a funcionalidade.
  • Tomografia computadorizada (TC): útil em casos complexos.
  • Exames laboratoriais: testes de função hepática, bilirrubinas e marcadores de inflamação.

Como a CID ajuda no diagnóstico e tratamento?

Ao utilizar os códigos CID, os profissionais de saúde categorizam de forma padronizada os casos, facilitando a comunicação, estatísticas e planejamento de estratégias de saúde pública e pesquisa.

Tratamento da Litiase Biliar

As opções de tratamento variam de acordo com a gravidade, presença de complicações e sintomas do paciente.

Tratamento clínico

Em casos assintomáticos ou de cálculos pequenos, recomenda-se observação. Algumas intervenções podem incluir mudanças na dieta e controle do peso.

Tratamento cirúrgico

Colecistectomia

Remoção da vesícula biliar é o procedimento padrão e é realizado de forma laparoscópica na maioria dos casos, promovendo menos dor, cicatrizes menores e recuperação mais rápida.

Endoscopia

Procedimentos como a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) podem ser utilizados para remover cálculos impactados no ducto biliar.

Outras opções

  • Litotripsia: uso de ondas de choque para fragmentar cálculos, em casos específicos.
  • Medicamentos: ácidos biliáricos, como o ácido ursodesoxicólico, podem ajudar na dissolução de cálculos de colesterol em determinados casos.

Tabela Comparativa: Tratamentos da Litiase Biliar

Opção de TratamentoIndicaçãoVantagensDesvantagens
ObservaçãoAssintomáticos, cálculos pequenosNão invasivoRisco de complicações futuras
Cirurgia laparoscópicaSintomáticos, cálculos complicadosEfetivo a longo prazoProcedimento cirúrgico
Endoscopia (CPRE)Obstrução do ducto biliarMenos invasivaPode precisar de múltiplas sessões
Medicamentos dissolventesCálculos pequenos, seletivamenteMenos invasivoProcesso lento, nem sempre eficaz

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A litiase biliar é uma condição comum?

Sim. A prevalência varia, mas é uma das doenças hepato-biliares mais comuns, principalmente entre mulheres, adultos e obesos.

2. É possível prevenir a formação de cálculos biliares?

Algumas medidas podem reduzir o risco, como manter uma dieta equilibrada, evitar perda de peso rápida, praticar exercícios físicos e controlar fatores metabólicos.

3. Quais são as complicações mais graves da litiase biliar?

A colecistite aguda, obstrução do ducto biliar, pancreatite e icterícia obstrutiva.

4. Quanto tempo dura uma cirurgia de remoção da vesícula?

Normalmente, entre 30 minutos a 1 hora.

5. A remoção da vesícula biliares causa problemas de digestão?

Na maioria dos casos, o organismo se adapta, embora algumas pessoas possam sentir alterações na digestão, especialmente com alimentos gordurosos.

Conclusão

A litiase biliar, registrada na CID sob os códigos K80-K80.2, é uma condição prevalente que impacta a qualidade de vida de milhões de indivíduos. Compreender suas causas, sintomas, métodos diagnósticos e opções de tratamento é fundamental para garantir uma abordagem eficaz e segura.

O avanço nas técnicas cirúrgicas e a melhor compreensão dos fatores de risco têm contribuído para um manejo mais eficiente e menos invasivo. Além disso, a utilização adequada da classificação CID permite padronização nos registros clínicos e melhorias nas estratégias de saúde pública.

Se você suspeita de cálculos na vesícula ou apresenta sintomas relacionados, procure um profissional de saúde para avaliação precisa e orientação adequada.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Colelitíase. 2023.
  2. WHO. International Classification of Diseases (ICD). Version 10. Disponible en: https://icd.who.int/
  3. Schwartz's Principles of Surgery, 11ª edição, ISBN: 978-1451191963.
  4. Krawczyk M, et al. "Gallstones and their treatment." Lancet. 2021.

Nota: Para mais informações, consulte um especialista em gastroenterologia ou cirurgia.