MDBF Logo MDBF

Leishmaniose Visceral e Tegumentar: Entenda Diferenças e Tratamentos

Artigos

A leishmaniose é uma doença parasitária que representa um importante problema de saúde pública em diversas regiões do Brasil e do mundo. Ela é causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos principalmente por insetos hematófagos, como o mosquito-palha. Apesar de serem causadas pelo mesmo protozoário, a leishmaniose apresenta apresent ações clínicas distintas — a visceral e a tegumentar — que demandam abordagens específicas de diagnóstico e tratamento. Este artigo tem como objetivo esclarecer as diferenças entre essas duas formas da doença, suas manifestações, métodos de diagnóstico, opções de tratamento, além de trazer informações importantes para a prevenção e controle.

Introdução

A leishmaniose é uma doença que acomete milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 700.000 a 1 milhão de novas ocorrências de leishmaniose visceral e tegumentar são registradas globalmente a cada ano, com grande impacto nas comunidades mais vulneráveis. No Brasil, ela é considerada uma zoonose de relevante impacto, afetando principalmente populações residentes em áreas rurais e urbanas de regiões como o Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

leishmaniose-visceral-e-tegumentar

O conhecimento sobre as diferenças e semelhanças entre a leishmaniose visceral e tegumentar é fundamental para um diagnóstico precoce e eficaz, além de orientar ações de controle, prevenção e tratamento adequados. Vamos explorar, detalhadamente, cada uma dessas formas da doença.

Leishmaniose Visceral: Definição, Sintomas e Diagnóstico

O que é a leishmaniose visceral?

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é a forma mais grave da doença, que acomete órgãos internos, principalmente o fígado, o baço, a medula óssea e o linfonodo. Sua gravidade está relacionada à possível evolução para quadros completos de insuficiência orgânica, se não tratado adequadamente.

Sintomas da leishmaniose visceral

Os sintomas começam de forma gradual, podendo passar despercebidos inicialmente. Os principais incluem:

  • Febre persistente e irregular
  • Perda de peso acentuada
  • Fadiga e fraqueza extrema
  • Inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço
  • Anemia
  • Aumento dos gânglios linfáticos
  • Perda de apetite
  • Lesões na pele em fases avançadas (em alguns casos)

Diagnóstico da leishmaniose visceral

O diagnóstico pode envolver diversos métodos, sendo os principais:

MétodoDescriçãoExemplos
Exames laboratoriaisPesquisa do parasita no sangue, medula óssea ou pulmãoBiópsia de medula óssea, aspirado de baço, sorologia pelo teste rK39, hemogramas, exames de anticorpos
Teste rK39Teste de imunocromatografia que detecta anticorpos específicosAlto índice de sensibilidade e especificidade, fácil de realizar
HemogramaAvalia anemia e leucopeniaDiagnóstico indireto, auxiliando na avaliação clínica

Tratamento da leishmaniose visceral

O tratamento deve ser realizado sob supervisão médica, com medicamentos específicos, como:

  • Anfotericina B lipossomal: alta eficácia, poucos efeitos colaterais
  • Combinados de antimoniatos pentavalentes ou ioduros de potássio (menos utilizados atualmente)

A gestão adequada do tratamento é fundamental para evitar complicações e mortalidade. É importante também o acompanhamento médico após a cura para monitoramento de possíveis recidivas.

Leishmaniose Tegumentar: Definição, Sintomas e Diagnóstico

O que é a leishmaniose tegumentar?

A leishmaniose tegumentar, também conhecida como calazar cutâneo ou úlcera de Bauru, é a forma que afeta principalmente a pele e as mucosas. É mais comum em regiões rurais, embora possa atingir populações urbanas, especialmente em áreas de alta endemicidade.

Sintomas da leishmaniose tegumentar

As principais manifestações incluem:

  • Lesões cutâneas únicas ou múltiplas, inicialmente nodulares ou papulares
  • Ulceração com bordas elevadas e centro repleto de crostas
  • Pode haver acometimento de mucosas na fase avançada, causando deformidades faciais, especialmente lábios, nariz e gengivas
  • Geralmente não há sintomas sistêmicos como febre ou perda de peso (caso não evolua para formas mucosas)

Diagnóstico da leishmaniose tegumentar

As técnicas de diagnóstico envolvem:

MétodoDescriçãoExemplos
Exame clínicoAvaliação das lesões e história clínicaPresença de úlceras com aspecto característico
Teste de MontenegroTeste cutâneo que avalia reação de hipersensibilidade retardadaPositivo indica exposição prévia ou infecção atual
Exame parasitológicoPesquisa do protozoário na lesãoColoração de Leishman, biopsia de pele
SorologiasDetecção de anticorpos específicosElisa, imunofluorescência

Tratamento da leishmaniose tegumentar

O tratamento pode incluir:

  • Pentavalentes de antimonio (como o meglumina ou o stiboglucanato) por via parenteral
  • Uso de medicamentos locais em alguns casos, como uma solução de glutaraldeído
  • Em casos de mucose, pode ser necessário procedimento cirúrgico ou terapias específicas

A cura, quanto ao tratamento, é mais rápida do que na visceral, mas a prevenção de complicações estéticas e funcionais é fundamental.

Diferenças Entre Leishmaniose Visceral e Tegumentar

CaracterísticaLeishmaniose VisceralLeishmaniose Tegumentar
Local de acometimentoÓrgãos internos (fígado, baço, medula óssea)Pele e mucosas
SintomasFebre, emagrecimento, aumento de órgãos internosLesões cutâneas, mucosas, úlceras
GravidadeAlta, potencialmente fatalGeralmente não fatal, pode deixar sequelas estéticas
DiagnósticoExames laboratoriais, sorologiaExame clínico, teste de Montenegro, pesquisa do parasita
TratamentoAntimoniatos, anfotericina BAntimonial, terapias locais

Figura explicativa

Imagem que mostra as diferenças clínicas entre leishmaniose visceral e tegumentar

Prevenção e Controle

A prevenção da leishmaniose envolve estratégias multifacetadas:

  • Uso de repelentes e telas de proteção em áreas de risco
  • Controle do vetor, reduzindo locais de circulação do inseto
  • Manutenção da higiene ambiental, evitando acúmulo de lixo e matéria orgânica
  • Adoção de medidas de proteção individual, especialmente durante o pôr do sol e ao amanhecer
  • Campanhas de conscientização e educação sanitária

Para quem reside em regiões endêmicas, a realização de exames periódicos e atenção aos sinais da doença são essenciais para diagnóstico precoce.

Perguntas Frequentes

1. Qual é a principal diferença entre leishmaniose visceral e tegumentar?

A principal diferença está no local de acometimento: a visceral afeta órgãos internos, enquanto a tegumentar afeta a pele e mucosas.

2. A leishmaniose é contagiosa entre humanos?

Não diretamente. A transmissão ocorre por meio do vetor (mosquito-palha), que infecta humanos após picadas. O contato humano-humano não propaga a doença, mas animais, principalmente cães, podem atuar como reservatórios.

3. Quanto tempo leva para se tratar a leishmaniose?

O tratamento deve começar o quanto antes após o diagnóstico, podendo levar de algumas semanas a meses, dependendo da forma e da gravidade.

4. É possível prevenir a doença?

Sim, com medidas de proteção, controle do vetor e cuidados ambientais.

5. Quais são as complicações se não tratada?

Na visceral, pode levar à falência de órgãos e morte. Na tegumentar, pode causar sequelas estéticas permanentes e deformidades.

Conclusão

A leishmaniose visceral e tegumentar representam desafios de saúde pública, exigindo atenção para diagnósticos precoces, tratamentos adequados e estratégias de prevenção eficientes. Com o avanço da medicina e a conscientização da população, é possível reduzir significativamente o impacto dessas formas da doença.

A compreensão das diferenças clínicas e epidemiológicas é fundamental para profissionais de saúde e para a comunidade, contribuindo para um controle mais efetivo e uma melhor qualidade de vida para os indivíduos expostos.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Leishmaniasis. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/leishmaniasis
  2. Ministério da Saúde do Brasil. Manual de Controle da Leishmaniose Visceral. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
  3. World Leishmaniasis. Leishmaniasis: a guide for diagnosis and treatment. Lancet. 2020;395(10232):1190-1202.
  4. Pesquisa e Educação em Saúde Pública. Leishmaniose Tegumentar: diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.saude.gov.br/

“A prevenção começa com a informação; o controle depende da ação coletiva.” — Anônimo

Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas e atualizadas sobre a leishmaniose visceral e tegumentar, contribuindo para o entendimento e fortalecimento de ações de saúde e educação.