Leis Ordinárias e Leis Complementares: Entenda as Diferenças e Aplicações
O ordenamento jurídico brasileiro é composto por diversas fontes de legislação, que regulam diferentes aspectos da vida em sociedade. Entre esses instrumentos, destacam-se as leis ordinárias e as leis complementares. Embora muitas vezes sejam confundidas, elas possuem características, processos de tramitação e aplicações distintas, essenciais para uma compreensão aprofundada do sistema legal brasileiro.
Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e detalhada as diferenças entre leis ordinárias e leis complementares, abordar suas funções, processos de criação, além de fornecer exemplos, uma tabela comparativa e dicas de como identificá-las dentro do ordenamento jurídico do Brasil.

O que são leis ordinárias?
Definição e características
Leis ordinárias são aquelas que regulam matérias de rotina e de menor complexidade, sendo mais comuns no cotidiano legislativo. Elas são aprovadas pelo processo legislativo ordinário, que exige a maioria simples dos votos dos membros do Congresso Nacional ou das assembleias estaduais, dependendo do âmbito de sua aplicação.
Exemplos de leis ordinárias
- Código Civil
- Código Penal
- Leis de trânsito
- Leis trabalhistas
Processo de elaboração
A tramitação de uma lei ordinária geralmente envolve:
- Apresentação do projeto de lei por um parlamentar ou pelo executivo.
- Análise nas comissões temáticas.
- Votação no plenário.
- Sanção ou veto pelo chefe do Executivo.
O que são leis complementares?
Definição e características
Leis complementares têm o papel de suplementar e detalhar dispositivos constitucionais, sendo essenciais para o funcionamento da Constituição Federal. Sua aprovação exige um quorum mais elevado — geralmente, três quintos dos membros do Legislativo — dado o impacto e a relevância de seu conteúdo.
Exemplos de leis complementares
- Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal)
- Lei Complementar nº 87/1996 (Lei de Tributação)
- Lei Complementar nº 118/2021 (dispõe sobre o Estatuto do Idoso)
Processo de elaboração
Por exigir quórum qualificado, sua tramitação envolve:
- Iniciativa preferencialmente do Executivo ou de um terço dos parlamentares.
- Discussões em comissões especiais.
- Aprovação por pelo menos 3/5 dos membros.
- Sanção do chefe do Executivo.
Diferenças entre leis ordinárias e leis complementares
| Aspecto | Leis Ordinárias | Leis Complementares |
|---|---|---|
| Finalidade | Regulamentar matérias variadas, menos complexas | Complementar a Constituição, detalhar dispositivos constitucionais |
| Quorum de aprovação | Maioria simples (metade mais um) | Maioria qualificada (3/5 dos membros) |
| Sujeita-se ao Controle de Constitucionalidade | Sim | Sim |
| Exemplos | Código Civil, Código Penal, leis de trânsito | Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei de Tributação |
| Tramitação | Processo legislativo ordinário | Processo legislativo especial por quórum qualificado |
Importância legal
A distinção entre esses dois tipos de leis é fundamental para entender quem tem competência para legislar e também como o Sistema Jurídico brasileiro é organizado para garantir democraticidade e hierarquia normativa.
Quando uma lei é considerada ordinária ou complementar?
A classificação de uma lei depende do conteúdo e do âmbito de atuação previsto na Constituição Federal. Algumas regras gerais incluem:
- Leis ordinárias podem tratar de assuntos diversos, desde direitos civis até questões administrativas.
- Leis complementares sempre estão relacionadas a assuntos que exigem um detalhamento mais aprofundado de dispositivos constitucionais, como administração pública, finanças públicas e direitos fundamentais.
A importância da hierarquia normativa
A hierarquia das normas é essencial para garantir a constitucionalidade e a ordem jurídica. Segundo José Afonso da Silva, renomado constitucionalista brasileiro:
"A Constituição é a norma fundamental, e todas as demais leis devem estar em conformidade com ela."
Assim, leis complementares, por sua relevância constitucional, ocupam uma posição hierárquica superior às leis ordinárias.
Diferenças no Processo Legislativo
Além do quórum, existem diferenças importantes no processo legislativo de cada tipo de lei:
Processo típico de leis ordinárias
- Iniciação por proposição legislativa (projeto de lei).
- Discussão e votação nas comissões e no plenário.
- Sanção presidencial ou do governante estadual.
Processo típico de leis complementares
- Iniciativa preferencial do Executivo ou de uma minoria qualificada.
- Discussão mais aprofundada em comissões especiais.
- Necessidade de votação qualificada (3/5).
Exemplos de matérias reguladas por cada tipo de lei
| Matéria | Lei Ordinária | Lei Complementar |
|---|---|---|
| Organização administrativa do Estado | Sim | Sim (quando se trata de detalhamento de constituição) |
| Distribuição de competências | Possível | Com maior detalhamento e formalidade |
| Normas de finanças públicas | Limitado | Sim, como a Lei de Responsabilidade Fiscal |
| Direitos fundamentais | Limitada | Pode complementá-los, detalhando seu alcance |
Quando uma lei pode ser considerada inconstitucional?
De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF):
- Uma lei que contrarie princípios ou dispositivos constitucionais pode ser declarada inconstitucional.
- As leis complementares, por sua relação direta com a Constituição, possuem maior rigor na fiscalização.
Por isso, é fundamental que tanto leis ordinárias quanto complementares estejam fundamentadas na Constituição para manter a validade jurídica.
Perguntas Frequentes
1. Qual a principal diferença entre uma lei ordinária e uma lei complementar?
A principal diferença reside no quórum de aprovação e na finalidade. Leis ordinárias regulam matérias do dia a dia e são aprovadas por maioria simples, enquanto leis complementares detalham dispositivos constitucionais e exigem uma maioria qualificada de 3/5.
2. Quais matérias somente podem ser reguladas por leis complementares?
Matérias que envolvem regras de organização do Estado, finanças públicas, direitos fundamentais e outros assuntos que a Constituição considera de competência para leis complementares.
3. Uma lei ordinária pode alterar uma lei complementar?
Sim, desde que siga o rito adequado e respeite a hierarquia normativa. Em caso de conflito, a lei complementar prevalece sobre a ordinária.
4. Como saber se uma lei é ordinária ou complementar?
Verificando seu conteúdo e o processo de aprovação, além de consultar a legislação específica que a classifica. Geralmente, as próprias leis indicam sua natureza na introdução ou no preâmbulo.
Conclusão
A distinção entre leis ordinárias e leis complementares é fundamental para compreender o funcionamento do sistema legislativo brasileiro. As leis ordinárias desempenham papel essencial na rotina legislativa, enquanto as leis complementares atuam na complementação de dispositivos constitucionais, garantindo a hierarquia e a estabilidade do ordenamento jurídico.
Entender essas diferenças permite uma leitura mais crítica e segura das normas, além de facilitar a atuação de profissionais do direito, estudantes e cidadãos engajados na participação democrática.
Como afirmou o jurista Celso de Menezes:
"A hierarquia das normas é a base para garantir a segurança jurídica e a efetividade do Estado de Direito."
Referências
- BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: Planalto.gov.br.
- SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. Malheiros, 2018.
- Leis Complementares, disponível em: Lei Complementar nº 101/2000
- Lei de Tributação, disponível em: Lei Complementar nº 87/1996
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Se desejar aprofundar seus estudos ou esclarecer dúvidas específicas, consulte fontes confiáveis de legislação e jurisprudência, além de estudar a Constituição Federal e obras de renomados constitucionalistas brasileiros.
Espero que este artigo ajude a esclarecer as diferenças e aplicações de leis ordinárias e complementares, contribuindo para um entendimento mais sólido do direito constitucional e legislativo brasileiro.
MDBF