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Lei Complementar e Lei Ordinária: Diferenças na Legislação Brasileira

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No sistema jurídico brasileiro, a legislação é composta por diferentes tipos de normas que regulam o funcionamento da sociedade, garantindo direitos, deveres e procedimentos diversos. Entre as principais categorias de leis estão a Lei Ordinária e a Lei Complementar. Apesar de ambas possuírem força de lei, elas se diferenciam quanto ao processo de elaboração, ao tipo de matéria que abrangem e à hierarquia dentro do ordenamento jurídico.

Compreender as diferenças entre esses dois tipos de leis é fundamental para profissionais do direito, estudantes, gestores públicos e cidadãos interessados em entender como as regras do país são criadas e aplicadas.

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Neste artigo, exploraremos de forma detalhada o que são a Lei Complementar e a Lei Ordinária, suas diferenças essenciais, exemplos práticos, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

O que é uma Lei Ordinária?

Definição

A Lei Ordinária é o tipo mais comum de legislação no Brasil. Ela regula matérias diversas que não possuem previsão específica de requisito especial para sua edição, sendo aprovada por maioria simples no Legislativo.

"As leis ordinárias representam a principal forma de normatização das ações do dia a dia no Brasil, abrangendo temas variados e de grande impacto na vida das pessoas." —(Trecho de obra de Direito Constitucional)

Como são criadas

A criação de uma Lei Ordinária segue os seguintes passos:

  • Proposta por parlamentares, Executivo ou iniciativa popular.
  • Tramitação nas casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado Federal).
  • Votação pelo plenário, requerendo maioria simples (mais da metade dos votos válidos).

Exemplos de leis ordinárias

  • Código Civil (Lei nº 10.406/2002)
  • Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940)
  • Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000)

O que é uma Lei Complementar?

Definição

A Lei Complementar é uma espécie de norma jurídica prevista na Constituição Federal, que serve para complementar a legislação ordinária, detalhando disposições específicas ou organizando matérias de maior relevância constitucional.

Ela possui força de lei hierarquicamente superior às leis ordinárias, sendo obrigatória e obrigatoriamente aprovada por maioria absoluta (mais da metade dos membros do Legislativo).

Como são criadas

  • A proposta de uma Lei Complementar precisa ser aprovada por maioria absoluta dos parlamentares.
  • Sua tramitação é semelhante à das leis ordinárias, mas seu conteúdo deve estar estritamente relacionado às competências constitucionais.

Exemplos de leis complementares

  • Lei Complementar nº 95/1998 (Lei de elaboração, redação, alteração e consolidação das leis)
  • Lei Complementar nº 123/2006 (Lei Geral da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte)
  • Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal)

Principais diferenças entre Lei Complementar e Lei Ordinária

CritérioLei OrdináriaLei Complementar
HierarquiaComplementar às constitucionais, hierarquicamente inferior às constitucionaisHierarquicamente superior às leis ordinárias, complementando a Constituição
Requisitos de aprovaçãoMaioria simples (mais da metade dos votos)Maioria absoluta (mais da metade dos membros do Legislativo)
Matéria regulamentadaAssuntos gerais e variados (direito civil, penal, etc.)Matéria específica prevista na Constituição, de maior relevância constitucional
ExemplosCódigo Civil, Código Penal, leis comunsLei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar nº 123/2006

Matérias que exigem Lei Complementar

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu diversas matérias cuja competência exclusiva é do legislador constituinte para criação de leis complementares, tais como:

  • Organização do sistema tributário (art. 146)
  • Normas gerais de Direito Tributário (art. 146, inc. III)
  • Regras para direitos de cidadãos e de comunidades indígenas
  • Normas sobre organização do sistema de seguridade social
  • Regras de acesso à Justiça e ao Ministério Público

Para uma compreensão mais aprofundada, recomenda-se consultar o site do Senado Federal, que dispõe de informações atualizadas e detalhadas sobre a legislação brasileira.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual a principal diferença entre uma lei ordinária e uma lei complementar?

A diferença fundamental está na hierarquia e na matéria que cada uma regula: a lei complementar é hierarquicamente superior e regula assuntos de maior relevância constitucional, enquanto a ordinária trata de temas mais gerais e cotidianos.

2. É obrigatório aprovar uma lei complementar por maioria absoluta?

Sim, como determina a Constituição Federal, a Lei Complementar deve ser aprovada por maioria absoluta, ou seja, mais da metade dos membros do Legislativo.

3. Uma lei ordinária pode tratar de matérias de competência de lei complementar?

Não, matérias de competência exclusiva de lei complementar não podem ser reguladas por leis ordinárias, sob pena de inconstitucionalidade.

4. Quais exemplos de leis complementares importantes no Brasil?

Alguns exemplos notáveis incluem a Lei Complementar nº 95/1998 (Lei de elaboração, redação, alteração e consolidação das leis) e a Lei Complementar nº 123/2006 (Lei Geral da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte).

A importância da distinção na prática jurídica

Compreender a diferença entre esses dois tipos de legislação é essencial para quem atua no Direito, pois impacta na validade, aplicação e hierarquia das normas. Conhecimento dessa distinção é útil também para quem busca entender como o Estado organiza suas regras e prioridades legislativas.

Dessa forma, ao entender a hierarquia das leis, é possível identificar qual norma prevalece em caso de conflito, garantindo uma interpretação adequada e constitucional.

Conclusão

As diferenças entre Lei Complementar e Lei Ordinária são fundamentais para a estrutura do ordenamento jurídico brasileiro. Ambas desempenham papéis essenciais, porém com funções e requisitos diversos, refletindo a complexidade do sistema legislativo do país.

A Lei Complementar regula temas de maior relevância constitucional, sendo hierarquicamente superior às leis ordinárias, que tratam do cotidiano e de assuntos de menor complexidade. Saber distinguir esses dois tipos de leis ajuda a compreender melhor como o Brasil é governado e como suas normas são criadas, interpretadas e aplicadas.

Como disse o jurista Paulo Bonavides, "O direito é um sistema de normas. Cada uma delas possui uma hierarquia definida, que garante a coerência e a estrutura do ordenamento jurídico."

Referências

  • Constituição Federal de 1988. Disponível em: Planalto
  • BRASIL. Código Civil. Lei nº 10.406/2002.
  • BRASIL. Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • BRASIL. Lei Complementar nº 123/2006 – Lei Geral da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte.
  • Senado Federal

Este artigo foi elaborado para oferecer uma compreensão clara e aprofundada sobre as diferenças entre Lei Complementar e Lei Ordinária, contribuindo para o entendimento do sistema legislativo brasileiro.