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Kernig e Brudzinski: Sinais Clínicos de Meningite e Encefalite

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A detecção precoce de condições neurológicas graves, como meningite e encefalite, é fundamental para garantir o tratamento adequado e evitar complicações severas. Entre os sinais clínicos mais importantes utilizados na avaliação de pacientes com suspeita dessas condições estão os sinais de Kernig e Brudzinski. Estes sinais, embora simples na sua execução, desempenham papel crucial na avaliação neurológica e são ferramentas valiosas para profissionais de saúde em ambientes de emergência e consultórios.

Neste artigo, abordaremos detalhadamente o que são os sinais de Kernig e Brudzinski, sua importância clínica, mecanismo de demonstração, diferenças e semelhanças, além de sua relevância na prática médica atual.

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O que são os sinais de Kernig e Brudzinski?

Os sinais de Kernig e Brudzinski são manifestações clínicas que indicam irritação meníngea, uma condição que ocorre quando as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, chamadas de meninges, estão inflamadas. Essa irritação causa alterações nos reflexos e na resistência dos movimentos do paciente, podendo ser observada durante a avaliação física.

Sinal de Kernig

O sinal de Kernig é uma manobra que evidencia rigidez na região lombar e resistência à extensão da perna na articulação do quadril, quando o joelho está em flexão. Este sinal é considerado positivo quando a tentativa de estender a perna do paciente, com o quadril flexionado a 90 graus, causa dor ou resistência.

Sinal de Brudzinski

O sinal de Brudzinski manifesta-se com a resposta automática do paciente à manipulação do pescoço. Quando o profissional realiza a flexão passiva do pescoço do paciente, um sinal positivo ocorre quando há uma elevação involuntária das pernas ou reflexo de flexão do quadril e joelhos, evidenciando irritação meníngea.

Importância clínica dos sinais de Kernig e Brudzinski

A presença de sinais de Kernig e Brudzinski é sugestiva de meningite, especialmente quando acompanhados de outros sintomas como febre, cefaleia, vômitos e rigidez de nuca. A avaliação clínica deve ser feita com cuidado, considerando o contexto do paciente, seu estado geral e outros sinais neurológicos.

Estes sinais têm uma sensibilidade e especificidade variáveis, dependendo da etiologia e da fase da doença, mas continuam sendo procedimentos de primeira linha na avaliação inicial de suspeitas de meningite, particularmente em ambientes de emergência.

Como realizar a avaliação: sinais de Kernig e Brudzinski

Sinal de Kernig

  1. O paciente deve estar deitado em decúbito dorsal (de costas).
  2. Flexione a coxa do paciente em 90 graus, mantendo o joelho também flexionado.
  3. Lentamente, tente estender a perna em direção à cama.
  4. Observe se há resistência, dor ou se o paciente manifesta sinais de desconforto, além de queixas de dor na região lombar ou nuca.

Sinal de Brudzinski

  1. Com o paciente deitado de costas, posicione suas mãos atrás da cabeça.
  2. Flexione passivamente o pescoço para levar o queixo em direção ao peito.
  3. Se o sinal for positivo, o paciente apresentará involuntariamente flexão dos quadris e joelhos, devido ao reflexo de proteção contra a irritação meníngea.

Diferenças e semelhanças entre Kernig e Brudzinski

Tanto o sinal de Kernig quanto o de Brudzinski indicam irritação das meninges, porém apresentam diferenças na execução e no que medem:

AspectoSinal de KernigSinal de Brudzinski
ExecuçãoFlexão do quadril, tentativa de extensão da pernaFlexão passiva do pescoço
Resposta observadaResistência, dor ou irritação na região lombarFlexão involuntária das pernas (flexão de quadril e joelhos)
Indicação principalIrritação meníngea com efeito de dor por estiramentoIrritação meníngea por reflexo de proteção
SensibilidadeVariável; mais útil em combinação com outros sinaisVariável; sensível na fase aguda da meningite

Importância do exame clínico na atualidade

Apesar dos avanços na diagnóstica por imagens e exames laboratoriais, a avaliação clínica permanece essencial, especialmente em contextos de urgência. Sinais como Kernig e Brudzinski podem fornecer pistas importantes mesmo antes de testes complementares, ajudando na rápida identificação de meningite ou encefalite.

Citação

“A medicina é, em sua essência, uma arte que combina conhecimento técnico com sensibilidade clínica.” — Hipócrates

Quando suspeitar de meningite? Sinais e sintomas adicionais

Além de Kernig e Brudzinski, outros sinais e sintomas podem indicar meningite ou encefalite:

  • Febre alta
  • Cefaleia intensa
  • Rigidez de nuca
  • Fotofobia
  • Sonolência ou confusão mental
  • Vômitos persistentes
  • Alterações no estado de consciência

Se estes sinais estiverem presentes, a avaliação imediata por um profissional de saúde é fundamental para confirmação diagnóstica e início do tratamento.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoCaracterísticas principaisSinais similares
Meningite bacterianaFebre alta, rigidez de nuca, sinais de irritação meníngeaKernig e Brudzinski positivos
Meningite viralSintomas mais leves, podendo apresentar sinais de irritação meníngeaKernig e Brudzinski podem estar presentes
EncefaliteConfusão, alterações neurológicas, febrePode apresentar sinais de irritação meníngea
Hematoma subduralDor de cabeça, sinais neurológicos focaisPode mimetizar sinais de irritação meníngea

Quando procurar um profissional de saúde?

A suspeita de meningite ou encefalite exige atenção médica imediata. Caso observe sinais como rigidez de nuca, febre alta, sinais de Kernig ou Brudzinski positivos, ou qualquer alteração neurológica, procure atendimento de urgência. A avaliação precoce pode ser decisiva para o prognóstico.

Perguntas frequentes

O que fazer se os sinais de Kernig e Brudzinski forem positivos?

Procure atendimento médico imediato. Esses sinais sugerem irritação meníngea, frequentemente causada por meningite, e requer avaliação diagnóstica urgente e início de tratamento, muitas vezes com antibióticos ou antivirais.

Esses sinais são comuns em crianças e idosos?

Sim, podem ser observados em todas as faixas etárias, mas a apresentação clínica pode variar. Em crianças pequenas, a avaliação pode ser mais desafiadora, por isso, sinais clínicos adicionais e exames complementares são essenciais.

Quanto tempo levam para aparecer esses sinais na meningite?

Eles podem surgir na fase inicial ou após o início dos sintomas, geralmente dentro de algumas horas a dias após o início da inflamação meníngea.

Os sinais de Kernig e Brudzinski são específicos de meningite?

Não, eles indicam irritação meníngea, mas podem estar presentes em outras condições que causem inflamação ou irritação das meninges.

É possível ter sinais negativos mesmo assim?

Sim, a ausência desses sinais não exclui meningite ou encefalite, especialmente nas fases iniciais ou em pacientes com alterações neurológicas específicas.

Conclusão

Os sinais de Kernig e Brudzinski permanecem como ferramentas fundamentais na avaliação clínica de suspeitas de meningite e encefalite. Sua execução simples e rápida pode fornecer evidências de irritação meníngea antes mesmo de exames laboratoriais serem realizados, facilitando a decisão de encaminhamento e início do tratamento.

A compreensão adequada desses sinais, combinada com uma avaliação clínica completa, é vital para a detecção precoce de condições neurológicas graves, garantindo melhores desfechos para os pacientes.

Referências

  1. Ropper AH, Samuels MA. Adams e Victor – Tratado de Neurologia. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2015.
  2. Cotran RS, Kumar V, Robbins SL. Robbins & Cotran - Patologia Estrutural e Funcional. 9ª ed. São Paulo: Elsevier; 2015.
  3. World Health Organization. Meningitis: Detection, Diagnosis and Management. Available at: https://www.who.int/health-topics/meningitis
  4. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Meningitis Signs & Symptoms. Available at: https://www.cdc.gov/meningitis/signs-symptoms.html