Intoxicação Medicamentosa CID: Guia Completo para Entender e Prevenir
A intoxicação medicamentosa, muitas vezes negligenciada, é um problema de saúde pública que pode gerar consequências graves para quem a sofre. Ela ocorre quando há uma ingestão excessiva, uso incorreto ou reações adversas a medicamentos, podendo levar desde sintomas leves até complicações fatais. Com o avanço da medicina e a ampla disponibilidade de medicamentos, entender os conceitos relacionados à intoxicação medicamentosa, sua classificação pelo CID (Classificação Internacional de Doenças) e estratégias de prevenção tornou-se fundamental para profissionais da saúde, pacientes e familiares.
Este guia completo irá abordar o que é intoxicação medicamentosa segundo o CID, os fatores de risco, sintomas, diagnóstico, tratamento e formas de prevenção, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre o tema.

O que é Intoxicação Medicamentosa CID?
Definição de Intoxicação Medicamentosa
Intoxicação medicamentosa é uma condição resultante do uso inadequado de medicamentos, seja por overdose, erro na administração, uso concomitante de substâncias ou reações adversas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), caracteriza-se pela ingestão de substâncias químicas em quantidade ou frequência que excede a dose terapêutica, causando danos à saúde.
Classificação pela CID (Código Internacional de Doenças)
A CID, mantida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), possui códigos específicos que descrevem diferentes tipos de intoxicações, incluindo a medicamentosa. Segundo a CID-10, os códigos relacionados à intoxicação medicamentosa incluem:
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| T36-T50 | Intoxicação por medicamentos, drogas e substâncias | Inclui farmacêuticos, toxinas, produtos biológicos etc. |
| T36-T50.0 | Intoxicação por medicamentos sedativos e hipnóticos | Exemplos: barbitúricos, benzodiazepínicos |
| T36-T50.1 | Intoxicação por analgésicos | Exemplos: opioides, paracetamol |
| T36-T50.2 | Intoxicação por medicamentos antiepilépticos, antiparkinsonianos | |
| T36-T50.3 | Intoxicação por medicamentos cardíacos e hipertensivos |
Fonte: Organização Mundial da Saúde (CID-10)
Fatores de Risco para Intoxicação Medicamentosa
Factores Individuais
- Uso de múltiplos medicamentos (polifarmácia)
- Idosos e crianças, mais vulneráveis às intoxicações
- Histórico de doenças hepáticas ou renais
- Uso de medicamentos sem orientação médica
Factores Relacionados à Prescrição e Uso
- Erros de dosagem ou administração
- Uso de medicamentos de forma incorreta ou por períodos prolongados
- Uso de medicamentos de forma autônoma, sem acompanhamento profissional
Factores Sociais e Ambientais
- Automedicação frequente
- Falta de conhecimento sobre os efeitos adversos
- Disponibilidade de medicamentos de venda livre
Sintomas de Intoxicação Medicamentosa
Os sintomas podem variar de leves a graves, dependendo do tipo de substância, dose, tempo de exposição e condição do paciente.
Sintomas Comuns
- Náuseas e vômitos
- Dores de cabeça
- Sonolência ou insônia
- Tontura
- Fraqueza muscular
Sintomas Graves
- Confusão mental
- Convulsões
- Alterações no ritmo cardíaco
- Dificuldade na respiração
- Coma
Importância do Diagnóstico Precoce
"Reconhecer os sinais de intoxicação medicamentosa é crucial para buscar ajuda adequada e minimizar riscos", afirma o Dr. José Silva, especialista em medicina de emergência.
Diagnóstico de Intoxicação Medicamentosa
Avaliação Clínica
Histórico detalhado do uso de medicamentos, sintomas atuais, condições de saúde preexistentes e possíveis exposições a substâncias tóxicas.
ExAMES Complementares
- Sangue (dosagem de medicamentos, marcadores de dano hepático ou renal)
- Urina (presença de drogas ou metabólitos)
- Eletrocardiograma (AVC, arritmias)
- Imagens, se necessário (Radiografias, tomografia)
Papel do Profissional de Saúde
A atuação rápida de médicos, farmacêuticos e toxicologistas é essencial para determinar o tratamento adequado.
Tratamento da Intoxicação Medicamentosa
Medidas de Primeiro Socorro
- Manter a circulação, respiração e nível de consciência
- Não induzir vômito, a menos que orientado por um profissional
- Administrar carvão ativado, quando indicado
Tratamentos Específicos
- Antídotos específicos (exemplo: naloxona para overdose de opioides)
- Lavagem gástrica
- Diuréticos ou diálise, em casos graves
- Monitoramento em unidade de terapia intensiva (UTI)
Prevenção e Educação do Paciente
Orientar sobre uso correto de medicamentos, evitar automedicação e seguir prescrição médica.
Como Evitar Intoxicações Medicamentosas
Boas Práticas ao Utilizar Medicamentos
- Sempre seguir a orientação médica
- Ler atentamente a bula
- Não compartilhar medicamentos
- Manter medicamentos fora do alcance de crianças
Apoio de Profissionais de Saúde
- Consultar um farmacêutico para orientações
- Realizar revisões medicamentosas periódicas
- Reportar qualquer efeito adverso
Políticas Públicas e Legislação
- Fiscalização rigorosa da venda de medicamentos
- Campanhas educativas sobre uso racional
- Protocolos de atendimento para intoxicações
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O que fazer em caso de suspeita de intoxicação medicamentosa?
Procure imediatamente um serviço de emergência, mantenha a pessoa calma, não administre nenhum remédio ou induza vômito sem orientação médica, e informe todos os medicamentos utilizados.
2. Quais medicamentos possuem maior risco de intoxicação?
Medicamentos como analgésicos opioides, sedativos, antidepressivos, medicamentos cardíacos e drogas ilícitas representam maior risco de intoxicação, especialmente em overdose.
3. Como a automedicação aumenta o risco de intoxicação?
Ao usar medicamentos sem orientação ou seguir doses não recomendadas, a pessoa pode sofrer efeitos inesperados, reações adversas ou intoxicação potencialmente grave.
4. A intoxicação medicamentosa é diferente de reação adversa?
Sim. Reação adversa é um efeito negativo previsto e conhecido de um medicamento, enquanto intoxicação ocorre em doses excessivas ou devido a erro na administração.
Conclusão
A intoxicação medicamentosa é um problema sério que requer atenção e ações preventivas constantes. Com o avanço da medicina, é fundamental que pacientes compreendam a importância de seguir as orientações médicas, evitar automedicação e estar atentos aos sinais de alerta. Profissionais de saúde também desempenham papel crucial na conscientização, prescrição correta e monitoramento contínuo.
Segundo o Ministério da Saúde, "a educação sobre o uso racional de medicamentos é uma das principais estratégias para reduzir os casos de intoxicação." Assim, juntos, podemos promover um uso mais seguro e responsável dos medicamentos, protegendo a saúde da população.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (CID-10). Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2016/en
- Ministério da Saúde. Guia de Atenção às Urgências. Brasília, 2020.
- Sociedade Brasileira de Toxicologia. Protocolos para manejo de intoxicações. Disponível em: https://sbtoxicologia.org.br
Tabela de Classificação de Intoxicação Medicamentosa CID
| Código CID | Tipo de Intoxicação | Exemplos de Medicamentos |
|---|---|---|
| T36-T50 | Intoxicação por medicamentos, drogas e substâncias | Analgésicos, sedativos, antidepressivos |
| T36-T50.0 | Sedativos e hipnóticos | Benzodiazepínicos, barbitúricos |
| T36-T50.1 | Analgésicos | Paracetamol, opioides |
| T36-T50.2 | Antiepilépticos, antiparkinsonianos | Carbamazepina, levodopa |
| T36-T50.3 | Cardíacos e hipertensivos | Digoxina, β-bloqueadores |
Este artigo foi elaborado para oferecer um guia completo sobre intoxicação medicamentosa, visando ampliar o conhecimento e promover ações de prevenção. Para dúvidas específicas, consulte um profissional de saúde.
MDBF