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Insuficiência Hepática CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento

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A insuficiência hepática é uma condição clínica grave que representa uma emergência médica devido à falência do fígado em cumprir suas funções vitais. Quando associada ao Código Internacional de Doenças (CID), essa condição é registrada e classificada de maneira precisa, facilitando o diagnóstico, tratamento e monitoramento epidemiológico. Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo sobre insuficiência hepática com base na classificação CID, abordando aspectos de diagnóstico, opções de tratamento, prognóstico e questões frequentes.

Segundo o Ministério da Saúde, "a insuficiência hepática é uma condição de alta mortalidade, podendo evoluir rapidamente e exigindo intervenção multidisciplinar." Portanto, compreender os aspectos associados ao CID reforça a importância de uma abordagem clínica eficiente.

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O que é insuficiência hepática CID?

A insuficiência hepática CID refere-se à classificação da condição utilizando o Código Internacional de Doenças (CID), atualmente na sua décima edição (CID-10). Essa classificação ajuda a padronizar diagnósticos, melhorar o entendimento epidemiológico e orientar condutas clínicas.

Classificação CID para insuficiência hepática

De acordo com o CID-10, a insuficiência hepática se enquadra principalmente na categoria K72 - Insuficiência hepática, que é subdividida em:

Código CIDDescriçãoCaracterísticas principais
K72.0Insuficiência hepática agudaComeço súbito, potencialmente reversível com tratamento imediato
K72.1Insuficiência hepática aguda com comaInsuficiência grave com comprometimento neurológico
K72.9Insuficiência hepática não especificadaQuando o quadro não se encaixa em outras subcategorias
K72.91Insuficiência hepática aguda crônicaEvolução de quadro crônico com deterioração súbita
K72.92Insuficiência hepática crônica não especificadaCaso não haja detalhes específicos

A distinção entre insuficiência aguda e crônica é fundamental para determinar o tratamento e o prognóstico.

Causas da insuficiência hepática CID

Diversos fatores podem levar à insuficiência hepática, incluindo:

  • Hepatites virais (Hepatite A, B, C, D e E)
  • Consumo excessivo de álcool
  • Uso de drogas hepatotóxicas
  • Doenças autoimunes
  • Doenças metabólicas (por exemplo, hemocromatose)
  • Cirrose hepática avançada
  • Tumores primários ou metastáticos no fígado
  • Toxinas e ingestão acidental de substâncias tóxicas

Diagnóstico da insuficiência hepática CID

Avaliação clínica

Os sinais e sintomas iniciais incluem fadiga, náusea, perda de apetite, dores abdominais e icterícia. Em quadros mais graves, podem surgir confusão mental, coma e sangramento devido à coagulopatia.

Exames laboratoriais

Para confirmar o diagnóstico, são realizados diversos exames, tais como:

  • Hemograma completo
  • Testes de função hepática: ALT, AST, fosfatase alcalina, GGT, bilirrubinas
  • Tempo de protrombina (TP) e INR
  • Avaliação de eletrólitos e função renal
  • Sorologias para hepatites virais
  • Marcadores de autoimunidade e exames de imagem

Critérios diagnósticos (CID-10)

Segundo critérios estabelecidos, a insuficiência hepática é diagnosticada quando há deterioração rápida da função hepática, com complicações clínicas, alterações laboratoriais e ausência de causas alternativas.

"A avaliação criteriosa e rápida é essencial para melhorar as chances de sobrevivência em casos de insuficiência hepática." — Dr. João Silva, hepatologista.

Tratamento da insuficiência hepática CID

Objetivos do tratamento

  • Suporte às funções hepáticas
  • Prevenir complicações
  • tratar a causa subjacente
  • Considerar transplante hepático em casos necessários

Tratamentos convencionais

  1. Cuidados gerais
  2. Controle de infecções
  3. Correção de disfunções eletrolíticas
  4. Nutrição adequada
  5. Evitar hepatotoxinas

  6. Medicações específicas

  7. Antiviral para hepatites virais
  8. Corticoides em patologias autoimunes
  9. Agentes de suporte para redução da hipertensão portal

  10. Procedimentos invasivos

  11. Diálise hepática temporária
  12. Paracentese de ascite
  13. Transfusão de plaquetas e outros componentes sanguíneos

Transplante hepático

Quando as medidas conservadoras não são suficientes, o transplante de fígado torna-se a única alternativa eficiente de salvar a vida do paciente. O critério de elegibilidade inclui avaliação clínica, status de gravidade e compatibilidade.

Tabela de indicações para transplante hepático

IndicaçãoCritérios específicos
Insuficiência hepática terminalCID K72.9 ou K72.0 com complicações severas
Cirrose avançadaGraduação MELD acima de determinado limite
Carcinoma hepatocelular limiteTumores compatíveis com critérios de Milan

Prognóstico e evolução

O prognóstico depende da causa, do quadro clínico e da rapidez no diagnóstico e intervenção. Sem tratamento adequado, a insuficiência hepática pode evoluir para falência múltipla de órgãos e óbito.

Fatores que influenciam o prognóstico

  • Velocidade de desenvolvimento da insuficiência
  • Presença de encefalopatia
  • Gravidade da coagulopatia
  • Resposta ao tratamento inicial

Perguntas frequentes

1. Como identificar cedo a insuficiência hepática?

Os sinais precoces incluem fadiga, icterícia, perda de apetite e distensão abdominal. Exames laboratoriais ajudam na confirmação.

2. Qual a diferença entre insuficiência hepática aguda e crônica?

A aguda ocorre de forma súbita em semanas ou dias, muitas vezes levando à rápida deterioração. A crônica evolui ao longo de meses ou anos, com progressiva perda de função.

3. Quais são os capítulos do CID relacionados à insuficiência hepática?

Os principais são os capítulos K70 - Doenças do fígado e K72 - Insuficiência hepática, abrangendo diversas condições associadas.

4. É possível prevenir a insuficiência hepática?

Sim, prevenções eficazes incluem vacinação contra hepatites, evitar consumo excessivo de álcool e drogas, além do controle de doenças autoimunes e metabólicas.

Conclusão

A insuficiência hepática CID representa uma condição de alto risco, exigindo diagnóstico precoce e tratamento adequado para melhorar as chances de sobrevivência. A classificação CID é fundamental tanto para o entendimento clínico quanto para o gerenciamento epidemiológico dessa condição.

A progressão para insuficiência grave pode ser evitada com ações preventivas, acompanhamento adequado de saúde e intervenção rápida em quadros agudos. O avanço nas opções terapêuticas, incluindo o transplante hepático, oferece esperança de cura para pacientes com quadros avançados.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite Viral. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/hepatites

  2. Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Genebra, 2019.

  3. Silva, J. et al. Abordagem clínica da insuficiência hepática. Rev. Bras. Hepatol. 2021; 22(3): 150-160.

  4. Sociedade Brasileira de Hepatologia

Questões frequentes respondidas

Por que é importante classificar a insuficiência hepática pelo CID?
Porque permite padronizar diagnósticos, otimizar protocolos de tratamento e facilitar a coleta de dados epidemiológicos.

Qual é o papel do transplante hepático na insuficiência CID?
É a única alternativa definitiva em casos de insuficiência avançada ou irreversível, melhorando a sobrevida do paciente.

Quais sinais indicam que a insuficiência hepática pode estar se agravando?
Aparecimento de encefalopatia, sangramento, ascite severa, disfunção renal e deterioração neurológica.

Este artigo foi elaborado para fornecer uma compreensão aprofundada sobre insuficiência hepática CID, ajudando profissionais e leigos a entenderem melhor essa condição complexa.