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Incontinência Fecal CID: Diagnóstico, Tratamento e Cuidados

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A incontinência fecal é uma condição que afeta milhares de pessoas no Brasil e no mundo, impactando significativamente a qualidade de vida daqueles que convivem com ela. Sua complexidade e variedade de causas tornam o diagnóstico e o tratamento um desafio multidisciplinar. O CID (Código Internacional de Doenças) fornece uma classificação padronizada que facilita a identificação e o manejo dessa condição, promovendo uma abordagem mais eficiente por parte dos profissionais de saúde.

Este artigo abordará de forma aprofundada o tema Incontinência Fecal CID, detalhando o diagnóstico, as opções de tratamento, orientações de cuidados e respostas às principais perguntas frequentes. Nosso objetivo é fornecer informações completas e confiáveis para pacientes, familiares e profissionais da saúde interessados em entender melhor essa condição.

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O que é a Incontinência Fecal?

A incontinência fecal é a perda involuntária de conteúdo fecal, podendo variar de pequenas escórias até evacuações completas. Ela pode acometer pessoas de todas as idades, embora seja mais comum em idosos devido a alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, doenças crônicas ou cirurgias.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incontinência fecal é um problema de saúde pública que merece atenção especial, pois, além do impacto físico, produz efeitos emocionais e sociais profundos.

Classificação e Código CID da Incontinência Fecal

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a incontinência fecal é categorizada sob o código R15 - Incontinência intestinal.

Tabela 1: Códigos CID relacionados à incontinência fecal

Código CIDDescriçãoObservações
R15Incontinência intestinalInclui incontinência fecal e outros transtornos relacionados
K59.2Constipação, não classificada em outro lugarPode coexistir com incontinência em alguns casos
F45.2Transtornos somatoformes do sistema digestivoAssociados a fatores psicológicos

Fonte: CID-10 Internacional

Diagnóstico da Incontinência Fecal

Avaliação Clínica

O diagnóstico começa com uma história clínica detalhada, incluindo:

  • Frequência, quantidade e consistência das evacuações
  • Reflexo de urgência
  • Presença de episódios de constipação ou diarreia
  • Histórico de cirurgias, doenças neurológicas ou traumatismos
  • Uso de medicamentos que possam afetar a função intestinal

Exames complementares

  • Exame de toque retal: Avalia o tônus muscular e possível presence de lesões.
  • ** Estudos de circuito neuromuscular**: Como eletromiografia anal e estudo do sistema nervoso periférico.
  • Teste de estabilização: Urgência ou retenção.
  • Manometria anorretal: Avalia a força do músculo anal.
  • Endoscopia retal ou colonoscopia: Para investigação de causas orgânicas.
  • Imagem por ressonância magnética (RM): Avalia estruturas pélvicas e possíveis lesões neurais.

Pergunta frequente

Qual o exame mais indicado para confirmar a incontinência fecal?
A resposta pode variar conforme o caso, mas a manometria anal é um dos principais exames utilizados para avaliar a função do esfíncter anal e do sistema neuromuscular envolvido.

Tratamento da Incontinência Fecal

O tratamento deve ser individualizado, considerando causas, gravidade e as condições clínicas de cada paciente.

Abordagem não conservadora

  • Mudanças na dieta: Aumento de fibras, líquidos adequados.
  • Treinamento do pavimento pélvico: Exercícios de Kegel auxiliam na melhora da força muscular.
  • Acompanhamento psicológico: Para lidar com aspectos emocionais e sociais.
  • Medicamentos: Antidiarreicos ou agentes formadores de fezes, conforme necessário.

Tratamento farmacológico

MedicaçãoUso principalObservação
LoperaminaReduz diarreiaUso com cautela para evitar obstipação
Psyllium (farelo de aveia)Aumenta volume das fezesPode melhorar controle das evacuações

Tratamento cirúrgico

Quando as abordagens conservadoras não são suficientes, opções cirúrgicas podem ser consideradas:

  • Creatoestomia: Desvio fecal temporário ou permanente.
  • Estimulação do nervo tibial ou estimulação sacral: Novas técnicas que estimulam os nervos responsáveis pelo controle anal.
  • Repuração do esfíncter anal: Como a cirurgia de sphincteroplasty.

Cuidados e orientações importantes

  • Manter higiene adequada da região perianal.
  • Uso de diários fecais para monitorar padrões.
  • Participar de programas de reabilitação pélvica.
  • Apoio psicológico, em casos de impacto emocional.

Para mais informações sobre tratamentos inovadores, confira este artigo da Sociedade Brasileira de Coloproctologia.

Cuidados e Prevenção

Embora nem todos os fatores possam ser evitados, algumas medidas podem ajudar na prevenção e na melhora da condição:

  • Manter alimentação equilibrada rica em fibras.
  • Praticar exercícios físicos regularmente.
  • Evitar esforços excessivos durante as evacuações.
  • Controlar doenças sistêmicas, como diabetes e neurológicas.
  • Realizar acompanhamento médico periódico.

Perguntas Frequentes

1. A incontinência fecal é comum em idosos?

Sim, especialmente devido ao enfraquecimento do sistema nervoso e muscular pélvico, além de condições associadas como AVC ou doenças neurodegenerativas.

2. Pode a incontinência fecal ser tratada?

Sim. Com abordagem multidisciplinar, muitas pessoas conseguem controle e melhorias significativas.

3. Quais são os principais fatores de risco?

  • Idade avançada
  • Danos neurológicos
  • Cirurgias pélvicas
  • Doenças inflamatórias intestinais
  • Trauma perineal

4. Como posso ajudar alguém que sofre com essa condição?

Oferecendo apoio emocional, incentivando procura por ajuda médica e ajudando na higiene íntima.

Conclusão

A incontinência fecal CID R15 é uma condição de saúde que exige atenção especializada para diagnóstico preciso e manejo adequado. O impacto emocional e social pode ser grande, mas, com as abordagens corretas, é possível melhorar a qualidade de vida. É fundamental que pacientes procurem ajuda médica especializada para individuellizar o melhor tratamento.

A conscientização e o entendimento sobre essa condição são essenciais para reduzir o estigma e promover a inclusão social de pessoas afetadas.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10. Disponível em: https://id.who.int/entity/classifications/icd/en/

  2. Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Tratamento da incontinência fecal. Disponível em: https://coloproctologia.org.br

  3. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Fecal Incontinence. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/fecal-incontinence

Sobre o autor

Este artigo foi elaborado por profissionais especializados em ginecologia, coloproctologia e enfermagem, dedicados a promover informações confiáveis e acessíveis para melhorar a compreensão e o tratamento de condições relacionadas ao sistema digestivo e pélvico.

Este conteúdo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico especializado.