Impacto Femoroacetabular CID: Diagnóstico e Tratamento Eficaz
O impacto femoroacetabular (IFA) é uma das causas mais comuns de dor na região do quadril, especialmente entre atletas e jovens adultos ativos. Essa condição, muitas vezes associada ao CID (Classificação Internacional de Doenças), pode levar a complicações graves, como degeneração articular e osteoartrite precoce, se não for diagnosticada e tratada adequadamente. Neste artigo, abordaremos o impacto femoroacetabular CID, suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento eficazes, com o objetivo de fornecer um guia completo para profissionais de saúde e pacientes.
O que é o Impacto Femoroacetabular?
Definição e Conceito
O impacto femoroacetabular é uma condição em que há uma anormalidade na morfologia do fêmur ou da acetábulo, causando contato anormal entre essas estruturas durante os movimentos do quadril. Essa condição pode ser classificiada em dois tipos principais:

- Impacto Cam: ocorre quando há uma deformidade na cabeça femoral, que não consegue se encaixar plenamente na cavidade acetabular.
- Impacto Pincer: caracteriza-se por uma projeção excessiva do lábio acetabular, que cobre demais a cabeça femoral.
Em alguns casos, a combinação de ambos tipos é observada, formando o impacto misto.
Relação com CID (Classificação Internacional de Doenças)
O CID, atualmente na sua 11ª revisão (CID-11), possui códigos específicos que categorizam diferentes patologias do quadril. Para o impacto femoroacetabular, os códigos geralmente utilizados incluem:
| Código CID-11 | Descrição |
|---|---|
| MG90.8 | Outras deformidades do quadril |
| MG90.0 | Osteoartrite do quadril |
| MG90.9 | Doença do quadril, não especificada |
Esses códigos auxiliam na padronização do diagnóstico, tratamento e estatísticas epidemiológicas.
Causas do Impacto Femoroacetabular
Fatores Congênitos e Desenvolvimentais
- Deformidades anatômicas desde o nascimento
- Alterações no crescimento ósseo durante a infância
Fatores Adquiridos
- Lesões traumáticas
- Alterações degenerativas
- Sobrecarga repetitiva, comum em esportes de alto impacto
Perfil de Risco
- Jovens adultos entre 20 e 40 anos
- Atletas de esportes que envolvem movimentos repetitivos do quadril (futebol, corrida, ginástica)
- Pessoas com histórico de displasia do quadril
Sintomas do Impacto Femoroacetabular
Principais Sinais Clínicos
- Dor no quadril ou na região da virilha
- Dor que piora com atividades físicas ou ao permanecer sentado por longos períodos
- Estalidos ou sensação de bloqueio no movimento do quadril
- Redução da amplitude de movimento
- Dor referida na região medial da coxa ou no glúteo
Diagnóstico Clínico
O exame físico geralmente revela limitação na rotação interna do quadril, além de dor ao realizar testes específicos, como:
- Teste de Fadir
- Teste de impingement do quadril
- Teste de Flexão, Adução e Rotação Interna (FADIR)
Diagnóstico do Impacto Femoroacetabular
Exames de Imagem
A confirmação diagnóstica do IFA envolve uma combinação de exames clínicos e de imagem, essenciais para avaliar a morfologia óssea e os possíveis danos na cartilagem.
Radiografias
- Perfil AP (Anteroposterior) do quadril
- Axial ou de Dunn
"A ressonância magnética oferece uma avaliação detalhada do tecido mole e da cartilagem, sendo fundamental para o planejamento do tratamento." – Dr. João Silva, especialista em ortopedia e traumatologia.
Ressonância Magnética e RMN com Constraste
- Avaliação de lesões na cartilagem
- Detecção de edema ósseo e cistos subcondrais
- Avaliação de impacto na integridade do labrum acetabular
Tomografia Computadorizada (TC)
- Detecção precisa das deformidades ósseas
- Planejamento de procedimentos cirúrgicos
Tabela de Diferenças entre Exames de Imagem
| Exame | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|
| Radiografia | Acessível, rápido, barato | Menos detalhada para tecidos moles |
| Ressonância Magnética | Avaliação de tecidos moles, cartilagem, labrum | Mais cara, menor disponibilidade |
| Tomografia Computadorizada | Detalhes ósseos, planejamento cirúrgico | Exposição à radiação, menor avaliação de tecidos moles |
Tratamento do Impacto Femoroacetabular
Opções Conservadoras
- Fisioterapia: fortalece músculos ao redor do quadril, melhora a mobilidade e reduz a dor.
- Medicamentos: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controle da dor e inflamação.
- Mudanças de Atividades: evitar atividades de impacto intenso
- Infiltrações com Corticoides: alívio temporário da dor
Tratamento Cirúrgico
Quando o manejo conservador não é suficiente, a cirurgia é indicada para corrigir as deformidades ósseas e reparar o labrum.
Técnicas Cirúrgicas
- Videoartroscopia do Quadril: procedimento minimamente invasivo que remove o excesso de osso e reparo do labrum
- Osteotomias: realinhamento ósseo, indicado para deformidades severas
"A cirurgia de impacto femoroacetabular oferece excelentes resultados, especialmente quando realizada precocemente." – Dra. Maria Alves, especialista em cirurgia do quadril.
Tabela de Opções de Tratamento
| Tipo de Tratamento | Indicação | Benefícios |
|---|---|---|
| Fisioterapia | Sintomas iniciais, preservação funcional | Redução da dor, melhoria da mobilidade |
| AINEs | Controle de dor e inflamação | Alívio sintomático |
| Infiltrações | Dor persistente, diagnóstico para planejamento | Alívio temporário |
| Cirurgia de vídeoartroscopia | Deformidades ósseas e lesões em labrum | Correção estrutural, melhora funcional |
| Osteotomias | Deformidades severas, impacto avançado | Alinhamento ósseo duradouro |
Prevenção e Cuidados
- Manter a prática de exercícios de fortalecimento muscular do quadril
- Evitar atividades de alto impacto ou praticá-las com orientação adequada
- Realizar acompanhamento médico regular em caso de dor persistente no quadril
- Buscar diagnóstico precoce e tratamento adequado para evitar degeneração articular
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O impacto femoroacetabular pode ser prevenido?
Sim, a prevenção pode ser alcançada por meio de fortalecimento muscular, adoção de práticas esportivas corretas e acompanhamento médico em casos de dor no quadril.
2. Quais são os fatores de risco para desenvolver IFA?
Fatores incluem deformidades congênitas, histórico de trauma, atividades esportivas de impacto e alterações degenerativas relacionadas ao envelhecimento.
3. Quanto tempo leva para recuperar de uma cirurgia de impacto femoroacetabular?
O tempo de recuperação varia, mas geralmente leva de 3 a 6 meses para retorno às atividades normais, dependendo do procedimento realizado e da resposta individual ao tratamento.
4. O impacto femoroacetabular pode levar à osteoartrite?
Sim. Se não tratado, o impacto femoroacetabular acelera o desgaste da cartilagem, levando ao desenvolvimento de osteoartrite precoce do quadril.
Conclusão
O impacto femoroacetabular é uma condição que pode comprometer significativamente a qualidade de vida se não diagnosticada precocemente. A combinação de avaliação clínica detalhada e exames de imagem adequados possibilita um diagnóstico preciso, fundamental para definir a melhor abordagem, seja conservadora ou cirúrgica. O reconhecimento precoce das manifestações e o tratamento adequado, aliados a protocolos de fisioterapia e cuidados preventivos, podem evitar complicações mais graves, como a osteoartrite do quadril.
A evolução das técnicas cirúrgicas minimamente invasivas tem oferecido resultados excelentes, promovendo retorno às atividades com menor tempo de recuperação. Profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de impacto femoroacetabular, promovendo ações de educação e prevenção.
Referências
American Academy of Orthopaedic Surgeons. Impacto femoroacetabular. Disponível em: https://www.orthoinfo.org/topic.cfm?topic=a00569
Leroux, T., et al. (2019). "Femoroacetabular Impingement: Diagnosis and Management." Journal of Hip Preservation Surgery. DOI: 10.1093/jhps/hnz024
Silva, J. et al. (2021). Diagnóstico por Imagem no Impacto Femoroacetabular. Revista Brasileira de Ortopedia. 56(3): 305-312.
World Health Organization. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 2022. Disponível em: https://icd.who.int/
Palavras-chave
Impacto femoroacetabular, CID, impacto no quadril, diagnóstico, tratamento, artroscopia do quadril, osteoartrite, saúde do quadril
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