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IGG e IGM: Entenda os Anticorpos e Sua Importância na Imunidade

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O sistema imunológico desempenha um papel fundamental na defesa do organismo contra infecções e doenças. Entre os diversos componentes desse sistema, os anticorpos ocupam uma posição central, sendo essenciais para a identificação e neutralização de agentes invasores, como vírus, bactérias e parasitas. Dois tipos primários de anticorpos que frequentemente são medidos em exames laboratoriais são o IgG e o IgM. Conhecer as diferenças entre esses anticorpos, sua importância e o que eles indicam na avaliação da saúde é fundamental para profissionais de saúde, pacientes e estudiosos da imunologia.

Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e detalhada o que são os anticorpos IgG e IgM, sua função no organismo, como interpretar seus níveis nos exames, além de destacar a relevância clínica dessas informações. Discutiremos também exemplos práticos de uso desses anticorpos na medicina, com referências atualizadas e links externos para aprofundamento do tema.

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O que são os anticorpos IGG e IGM?

Definição de anticorpos

Anticorpos, também conhecidos como imunoglobulinas, são proteínas produzidas pelas células plasmáticas do sistema imunológico em resposta à presença de antígenos, como vírus, bactérias, toxinas ou células anormais. Sua função principal é reconhecer esses antígenos e ajudar na sua eliminação, permitindo que o organismo gere uma resposta imunológica eficaz.

Tipos de anticorpos e suas funções

Existem várias classes de imunoglobulinas, sendo as principais para avaliação clínica:

  • IgG (Imunoglobulina G):
  • A mais abundante no sangue e nos fluidos corporais.
  • Responsável por conferir imunidade de longo prazo.
  • Pode atravessar a barreira placentária, protegendo o recém-nascido.
  • Indica exposição passada ou imunidade adquirida.

  • IgM (Imunoglobulina M):

  • Primeira resposta do organismo a um novo antígeno.
  • Indica infecção recente ou aguda.
  • Presente inicialmente na fase inicial de uma infecção.

Como os anticorpos funcionam na imunidade

Quando o corpo encontra um antígeno, os linfócitos B são ativados para produzir anticorpos específicos. Esses anticorpos se ligam ao antígeno, neutralizando-o ou marcando-o para destruição por outras células do sistema imunológico. Após a resolução da infecção, os anticorpos de longo prazo, como o IgG, permanecem no organismo, proporcionando imunidade duradoura.

Diferenças entre IgG e IgM

Produção e tempo de detecção

CaracterísticaIgMIgG
Resposta inicialPrimeira a ser produzida na fase agudaSurge na fase posterior, após a IgM
Tempo de detecçãoA partir de poucos dias após início da infecçãoApós alguns dias ou semanas após a infecção
PermanênciaDiminui após a resolução da infecçãoPermanece por anos, às vezes por toda a vida

Significado clínico

  • IgM elevado: indica uma infecção recente ou em andamento.
  • IgG elevado: indica exposição passada, imunidade adquirida ou fase crônica de infecção.

Resposta a infecções

Durante uma infecção inicial, o corpo produz principalmente IgM. Com a evolução da resposta imunológica, ocorre uma produção de IgG, que permanece por mais tempo e fornece proteção duradoura.

Importância clínica dos exames de IgG e IgM

Diagnóstico de infecções

A análise conjunta de níveis de IgG e IgM é uma ferramenta importante para determinar o estágio de uma infecção. Por exemplo:

  • IgM positivo e IgG negativo: infecção recente.
  • IgM positivo e IgG positivo: infecção em fase aguda ou recente.
  • IgM negativo e IgG positivo: infecção passada ou imunidade adquirida.
  • IgM negativo e IgG negativo: sem evidência de infecção ou imunidade ainda não adquirida.

Exemplos de doenças e marcadores serológicos

DoençaSignificado do padrão de IgG e IGMInterpretação
Hepatite BIgM positivo, IgG negativoInfecção inicial
IgM positivo, IgG positivoInfecção recente ou em curso
IgM negativo, IgG positivoInfecção passada ou imunidade adquirida
ToxoplasmoseIgM positivoInfecção aguda
IgG positivoExposição passada ou imunidade
Vírus da DengueIgM positivoInfecção recente
IgG positivoExposição passada ou infecção antiga

Uso na imunização e monitoramento

Os exames de IgG também são utilizados para avaliar a resposta vacinal. A presença de IgG específica contra certos vírus indica que a pessoa está protegida contra a doença, enquanto a ausência pode indicar necessidade de vacinação.

Como interpretar exames de IgG e IgM

A interpretação correta dos resultados exige uma análise cuidadosa considerando o histórico clínico, os sintomas e o tempo de exposição. A seguir, uma tabela que resume os principais padrões e seus significados:

ResultadoSignificadoAção recomendada
IgM positivo e IgG negativoInfecção aguda recenteIniciar tratamento adequado e monitorar evolução
IgM positivo e IgG positivoInfecção em fase de transição ou recenteConfirmar diagnóstico, avaliar necessidade de intervenção
IgM negativo e IgG positivoInfecção passada ou imunidade adquiridaConfirmar imunidade, não há necessidade de tratamento
IgM negativo e IgG negativoNenhum contato ou infecção anteriorPossível imunidade inexistente, avaliar necessidade de vacinação

Importante: a interpretação dos exames deve ser feita por um profissional de saúde qualificado, levando em consideração o contexto clínico.

Casos práticos de uso dos anticorpos IgG e IgM

Caso 1: Diagnóstico de Infecção por COVID-19

Durante a pandemia da Covid-19, os testes de sorologia com IgG e IgM se tornaram ferramentas importantes para identificar quem esteve infectado e quem possui imunidade. A presença de IgM indica uma infecção recente, enquanto o IgG revela uma resposta imunológica mais consolidada. Segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), "a combinação de testes de IgM e IgG auxilia na avaliação do momento da infecção" (OMS, 2022).

Caso 2: Controle de Imunidade em Vacinação

Após a administração de vacinas, como a da Hepatite B ou tétano, a avaliação do nível de IgG ajuda a determinar se o indivíduo está protegido. Pessoas com níveis baixos ou ausentes de IgG podem necessitar de reforço vacinal.

Resumo: importância dos IgG e IgM na prática clínica

Os anticorpos IgG e IgM são essenciais não apenas para o diagnóstico de infecções agudas ou passadas, mas também para a avaliação de imunidade e proteção vacinal. Sua análise fornece informações cruciais para orientar o tratamento, o acompanhamento clínico e as estratégias de prevenção.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre IgG e IgM?

A principal diferença reside na sua função e no momento em que são produzidos. O IgM é produzido inicialmente em resposta à infecção, indicando uma fase aguda, já o IgG é produzido posteriormente e é um marcador de imunidade de longo prazo.

Quando devemos fazer exames de IgG e IgM?

Esses exames são indicados quando há suspeita de infecção aguda ou passada por determinada doença, ou para avaliar a imunidade após vacinação. Sempre sob orientação médica.

Quanto tempo leva para o IgG aparecer após a infecção?

Geralmente, o IgG começa a ser detectado cerca de uma a duas semanas após o início dos sintomas, permanecendo no organismo por anos ou até a vida toda.

Como esses anticorpos ajudam na vacinação?

A presença de IgG específica após a vacinação indica que o indivíduo está protegido. A ausência ou níveis baixos pode requerer uma dose de reforço.

Os exames de IgG e IgM podem presentear resultados falsos?

Sim, podem ocorrer resultados falso-positivos ou falso-negativos devido a fatores como a técnica do exame, condições de saúde ou outros anticorpos presentes no sangue. Por isso, sempre é importante consultar um especialista.

Conclusão

Entender os anticorpos IgG e IgM é fundamental para compreender o funcionamento da imunidade e a importância do diagnóstico sorológico na medicina moderna. A interpretação adequada desses marcadores permite detectar infecções recentes ou passadas, avaliar a imunidade vacinal e orientar decisões clínicas precisas. Com o avanço da tecnologia e o aumento da disponibilidade dos exames, seu uso se tornou indispensável na prática médica, contribuindo para o cuidado e a proteção da saúde coletiva.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Recomendações para diagnóstico de COVID-19. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/when-to-seek-care
  3. Pereira, M. et al. "Imunoglobulinas na prática clínica: funções e interpretações." Revista Brasileira de Imunologia, vol. 38, nº 2, 2021, pp. 120-132.
  4. Silva, T. et al. "Serologia na avaliação da resposta imunológica após vacinas." Jornal de Medicina e Saúde, vol. 12, nº 4, 2022.

“A imunidade é a nossa maior arma contra as doenças, e entender os seus mecanismos é fundamental para proteger a saúde de todos.”