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Histerossalpingografia: Como É Feito o Exame Para Fertilidade

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A busca por ter filhos é uma jornada única para cada casal, e quando há dificuldades, exames de fertilidade podem ser essenciais para identificar possíveis causas. Entre esses exames, a histerossalpingografia (HSG) destaca-se por sua capacidade de avaliar a anatomia uterina e a permeabilidade das tubas de Falópio. Mas você sabe exatamente como esse procedimento é realizado? Neste artigo, vamos esclarecer todas as dúvidas sobre a histerossalpingografia, explicando como ela é feita, para que serve, seus riscos e benefícios, além de fornecer dicas importantes para quem irá passar por esse exame.

Introdução

A histerossalpingografia é um procedimento radiológico utilizado principalmente na investigação da fertilidade feminina. O exame permite visualizar o interior do útero e verificar se as tubas de Falópio estão abertas, o que é fundamental para a concepção. Muitas mulheres sentem insegurança ou receio ao ouvir falar dessa rotina médica, por isso, a informação clara e precisa é fundamental para tranquilizar e orientar quem precisa realizar o exame.

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Segundo o médico especialista em reprodução humana Dr. João Silva, “a histerossalpingografia é um procedimento simples, porém extremamente importante na avaliação da infertilidade feminina, pois fornece informações essenciais para a conduta médica.”

O que é a Histerossalpingografia?

A histerossalpingografia é um exame de imagem que consiste na injecção de um contraste radiopaco no interior do útero e das tubas de Falópio, seguido de exames radiográficos. Essa combinação permite ao médico identificar possíveis obstruções, anomalias uterinas, pólipos, septos ou outros problemas que possam estar dificultando a gravidez.

Objetivos do exame

  • Verificar se as tubas de Falópio estão permeáveis
  • Detectar alterações na cavidade uterina
  • Identificar anomalias como miomas, septos ou pólipos
  • Avaliar deformidades uterinas

Como É Feito o Procedimento?

Preparação prévia

Antes do exame, o paciente deve seguir algumas orientações para garantir maior segurança e precisão, como:

  • Realizar uma avaliação de histórico clínico
  • Fazer exames de sangue ou sorologia, se indicado
  • Evitar relações sexuais e uso de cremes ou medicamentos vaginais no dia anterior
  • Informar ao médico sobre gravidez, alergias ou dispositivos intrauterinos (DIU)

Passo a passo do exame

1. Posicionamento inicial

O procedimento geralmente é realizado na posição ginecológica, similar ao exame de toque pélvico, em uma maca de exame.

2. Inserção do especulo e do cateter

O médico insere um especulo na vagina, para visualizar o colo do útero. Em seguida, introduz-se um pequeno tubo (cateter) com cuidado, até chegar ao interior do útero.

3. Injeção do contraste

Através do cateter, o contraste radiopaco — normalmente um líquido à base de iodo — é lentamente injetado no interior do útero. Durante esse processo, o médico acompanha com a ajuda de um aparelho de raio-X ou fluoroscopia, que fornece imagens em tempo real.

4. Exame radiográfico

São realizadas uma série de radiografias (fluoroscópicas) enquanto o contraste preenche o útero e as tubas de Falópio. Se as tubas estiverem permeáveis, o contraste passará por elas e sairá nas cavidades abdominais, o que será visualizado nas imagens.

5. Finalização do procedimento

Após as imagens serem registradas, o cateter é removido, e o paciente pode ser liberado após alguns minutos. Pode haver sensação de cólica ou desconforto leve durante ou após o procedimento, que geralmente passa com analgésicos simples.

Tempo de duração

O exame dura aproximadamente entre 15 a 30 minutos, dependendo da complexidade e das condições da paciente.

Cuidados Após o Exame

  • Pode ocorrer um pequeno sangramento ou corrimento devido à manipulação
  • Recomenda-se repouso nas primeiras horas
  • Evitar relações sexuais ou o uso de tampões por pelo menos 24 horas
  • Comunicar qualquer dor intensa ou sinais de infecção ao médico

Vantagens e Desvantagens da Histerossalpingografia

VantagensDesvantagens
Avaliação detalhada da cavidade uterinaPode causar desconforto ou cólica
Identificação de tubas obstruídas ou permeáveisRisco de reação alérgica ao contraste
Procedimento relativamente rápido e acessívelExposição à radiação (embora mínima)
Informação precisa para diagnóstico de infertilidadeNão detecta todas as condições de ovulação ou endometriose

Riscos do exame

Apesar de ser um procedimento seguro, alguns riscos podem ocorrer, como:

  • Reações alérgicas ao contraste à base de iodo
  • Sangramento leve ou cólica
  • Infecção (rara)
  • Persistência de alguma obstrução não visível na primeira avaliação

Por isso, a avaliação médica prévia é fundamental para garantir a segurança do procedimento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A histerossalpingografia dói?

A maioria das mulheres sente um desconforto semelhante a cólicas, mas a dor intensa é rara. O uso de analgésicos antes do exame pode ajudar a minimizar o desconforto.

2. Quanto tempo leva o resultado?

Os resultados geralmente ficam prontos na mesma consulta ou em até 48 horas, dependendo do local.

3. Preciso fazer algum preparo especial?

Sim, evitar relações sexuais, cremes vaginais ou utilização de dispositivos intrauterinos (DIU) no dia anterior é recomendado.

4. A histerossalpingografia contraindica gravidez?

Não, o procedimento em si não impede a gravidez, mas, em alguns casos, recomenda-se evitar realizar o exame durante a gravidez confirmada.

5. O exame pode ser feito em qualquer fase do ciclo menstrual?

Normalmente, é preferível realizar na fase proliferativa, após o período de menstruação, para evitar riscos de gravidez.

Considerações Finais

A histerossalpingografia é um exame fundamental na avaliação da fertilidade feminina, proporcionando informações valiosas sobre a anatomia uterina e a permeabilidade das tubas de Falópio. Apesar do receio comum, o procedimento é rápido, seguro e oferece uma oportunidade para identificar condições que podem estar impedindo a gravidez.

Se você está enfrentando dificuldades para engravidar, converse com seu médico especialista em reprodução humana para avaliar se a HSG é indicada para o seu caso. A compreensão do procedimento ajuda a reduzir ansiedades e contribui para uma experiência mais tranquila.

Referências

  • Almeida, A. e cols. (2020). Exames de imagem na fertilidade feminina. Revista Brasileira de Reprodução Humana, 24(3), 124-132.
  • Ministério da Saúde. Orientações para exames de diagnóstico. Disponível em: https://gov.br/saude
  • Sociedade Brasileira de Reproduçao Humana. Guia de exames diagnósticos. Disponível em: https://www.sbrh.org.br

Lembre-se: A realização de exames deve sempre ser guiada por um profissional qualificado. Busque orientação médica para uma avaliação completa e segura.