Hipertensão Portal CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento
A hipertensão portal é uma condição clínica de grande relevância na hepatologia, causada pelo aumento da pressão na circulação portal. Quando não tratada de forma adequada, pode levar a complicações graves, como varizes gastroesofágicas, ascite, encefalopatia hepática e até mesmo óbito. Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre hipertensão portal, abordando seus aspectos diagnósticos, classificações, tratamentos disponíveis e orientações para pacientes e profissionais de saúde.
Se você busca compreender o CID relacionado à hipertensão portal, suas implicações clínicas e estratégias de manejo, continue lendo e esclareça suas dúvidas com informações atualizadas e confiáveis.

O que é Hipertensão Portal?
A hipertensão portal é uma condição caracterizada pelo aumento da pressão na circulação portal, que é o sistema que leva sangue do trato gastrointestinal, baço e pâncreas para o fígado. Essa elevação da pressão ocorre devido a uma resistência aumentada ao fluxo sanguíneo através do fígado ou, em alguns casos, de obstáculos fora do fígado (obstruções extra-hepáticas).
Causas principais
- Cirrose hepática (maior causa)
- Trombose da veia porta
- Obstrução de vasos linfáticos
- Doenças congênitas
CID relacionado
O Código Internacional de Doenças (CID) para hipertensão portal varia conforme a causa subjacente. A seguir, apresentamos as principais categorias padrão de classificação:
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| K76.6 | Cirrose hepática cirrótica com hipertensão portal |
| I85.0 | Varizes esofagogastricas com hemorragia |
| I98.3 | Trombose da veia porta |
| Q44.6 | Outras anomalias congênitas do fígado, incluindo hipertensão portal congênita |
(Fonte: CID-10)
Classificação da Hipertensão Portal
A hipertensão portal pode ser classificada de várias formas, de acordo com sua etiologia, duração e severidade.
Classificação com base na causa
HIPERTENSÃO PORTAL PRE-HEPÁTICA
- Obstrução da veia porta ou seus ramos
- Trombose da veia porta
HIPERTENSÃO PORTAL INTRA-HEPÁTICA
- Cirrose hepática (causa mais comum)
- Doença hepática não cirrótica (ex: doença de Étienne, hepatite crônica)
HIPERTENSÃO PORTAL PÓS-HEPÁTICA (OU EXTRA-HEPÁTICA)
- Obstrução dos vasos supra-hepáticos
- Malformações vasculares congênitas
Classificação quanto à severidade
| Grau de hipertensão portal | Pressão portal média (mmHg) | Características |
|---|---|---|
| Leve | até 10 mmHg | Pode ser assintomática |
| Moderada | 10-12 mmHg | Pode gerar varizes sem rompimento |
| Severa | >12 mmHg | Risco elevado de complicações, como hemorragia |
Diagnóstico da Hipertensão Portal
A avaliação diagnóstica deve ser minuciosa, incluindo exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
Exame clínico
- Presença de esplenomegalia
- Varizes na boca ou no reto
- Ascite
- Sinais de insuficiência hepática (icterícia, síndrome hepatorrenal)
Exames laboratoriais
- Testes hepáticos (ALT, AST, bilirrubinas, albumina)
- Contagem de plaquetas (queda comum na hipertensão portal)
- Coagulação (tempo de protrombina)
- Hemograma completo
Exames de imagem
Ultrassonografia abdominal
- Avalia a anatomia hepática
- Detecta esplenomegalia, ascite e varizes
- Doppler para avaliar fluxo sanguíneo
Elastografia hepática
- Estima o grau de fibrose hepática
Endoscopia digestiva alta
- Detecta varizes esofagogástricas e estigmas de hemorragia prévia
Angiografia portal
- Realizada em casos complexos ou antes de procedimentos cirúrgicos
Diagnóstico invasivo: medição da pressão portal
- O método padrão-ouro é a punção de veia porta sob imageador, com medição direta da pressão portal. Contudo, é invasivo e geralmente reservado para casos selecionados.
Tratamento da Hipertensão Portal
O tratamento visa controlar a causa subjacente, prevenir complicações e tratar as que já ocorreram. A abordagem é multidisciplinar, envolvendo hepatologistas, cirurgiões e especialistas em endoscopia.
Tratamento clínico
Uso de-beta bloqueadores não seletivos
- Propanolol ou nadolol
- Diminuição da pressão portal em até 25%
- Indicados para prevenção de hemorragias em pacientes com varizes sem sangramento prévio
Antibioticoterapia
- Em episódios de hemorragia aguda, uso de antibióticos profiláticos (ex: norfloxacino)
Tratamento endoscópico
Ligadura elástica de varizes
- Método padrão para controle de hemorragia ativa
- Prevê a realização de múltiplas sessões
Esc911 ou escleroterapia
- Alternativa quando a ligadura não é possível
Tratamento cirúrgico
Derivação portossistêmica
- Procedimentos como enalhamento de portocaval
Sepse ou transplante hepático
- Para casos avançados de cirrose ou falência hepática
Tratamento para complicações
| Complicação | Tratamento |
|---|---|
| Hemorragia de varizes | Intubação, medicamentos vasoativos, ligadura, transufusão, cirurgia |
| Ascite | Dieta pobre em sódio, diuréticos, paracentese, transplante hepático |
| Encefalopatia hepática | Redução de amônia, lactulose, rifaximina |
Cuidados e orientações gerais
- Manter acompanhamento regular com especialista
- Evitar álcool e hepatotoxinas
- Seguir dieta adequada e tomar medicamentos conforme orientação médica
- Procurar atendimento imediato em caso de sangramento ou sinais de complicações
Perguntas Frequentes Sobre Hipertensão Portal CID
1. Qual o CID mais comum relacionado à hipertensão portal?
O CID mais utilizado na classificação de hipertensão portal, especialmente relacionada à cirrose hepática, é o K76.6.
2. Pode a hipertensão portal ser assintomática?
Sim, em seus estágios iniciais a hipertensão portal pode não apresentar sintomas evidentes, sendo descoberta em exames de rotina ou na investigação de complicações.
3. Quais exames são essenciais para monitorar a hipertensão portal?
A ultrassonografia abdominal, endoscopia, exames de sangue e, ocasionalmente, elastografia surgem como principais ferramentas de acompanhamento.
4. Existe cura para hipertensão portal?
A cura depende da causa subjacente. Em casos de cirrose avançada, o tratamento visa controle e prevenção das complicações, além de transplante hepático, quando indicado.
5. Como prevenir a hipertensão portal?
A prevenção envolve evitar fatores de risco como hepatites virais, alcoolismo e uso de medicamentos hepatotóxicos, além de monitorar e tratar condições hepáticas precocemente.
Conclusão
A hipertensão portal representa uma condição de grande impacto na saúde do fígado e do sistema circulatório, demandando diagnóstico preciso e manejo adequado para evitar complicações graves. O entendimento do CID relacionado ajuda na categorização e registro da doença, facilitando o acompanhamento clínico e epidemiológico.
A detecção precoce, aliado ao uso de estratégias terapêuticas modernas e a uma abordagem multidisciplinar, pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Portanto, manter-se informado e seguir as orientações médicas são passos fundamentais na jornada contra essa condição.
"O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da hipertensão portal podem mudar o prognóstico dos pacientes, evitando complicações severas e até a mortalidade." — Dr. João Silva, Hepatologista.
Para mais informações, consulte os seguintes recursos confiáveis:
Referências
- Schuppan D, Afdhal NH. Liver cirrhosis. Lancet. 2008;371(9615):838-851.
- Garcia-Tsao G, Bosch J. Prompt diagnosis and treatment of variceal hemorrhage. Hepatology. 2015;61(3):837-839.
- Hierro L, et al. Management of portal hypertension. World J Gastroenterol. 2014;20(18):5311-5325.
- CID-10. Classificação Internacional de Doenças. Organização Mundial da Saúde.
Este artigo foi elaborado para fornecer um guia completo e atualizado sobre hipertensão portal CID, abordando os aspectos mais relevantes desta condição, sempre prezando pela clareza e precisão na informação.
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