Hemodiálise: O Que é, Como Funciona e Quando é Necessária
A saúde renal é fundamental para o funcionamento adequado do organismo humano. Quando os rins perdem sua capacidade de filtrar o sangue de forma eficiente, procedimentos como a hemodiálise tornam-se essenciais para manter a vida e a qualidade de vida do paciente. Este artigo explica de forma detalhada o que é a hemodiálise, como ela funciona, quando é indicada e outros aspectos importantes sobre o tema.
Introdução
Os rins desempenham múltiplas funções vitais, incluindo a filtragem de resíduos, o controle de fluidos, o equilíbrio de minerais e a produção de hormônios essenciais. Quando esses órgãos deixam de funcionar adequadamente devido a doenças ou condições específicas, o corpo acumula toxinas e líquidos, levando a complicações graves, muitas vezes ameaçando a vida do paciente. Nesse contexto, a hemodiálise surge como um tratamento de substituição renal eficaz para pacientes com insuficiência renal crônica ou aguda.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, aproximadamente 150 mil pessoas no Brasil dependem de diálises, seja ela hemodiálise ou diálise peritoneal. Essa técnica, avançada e altamente eficiente, tem evoluído significativamente ao longo das últimas décadas, aumentando a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.
O Que é Hemodiálise?
Definição
A hemodiálise é um procedimento médico que utiliza uma máquina chamada dialisador para remover resíduos, excesso de líquidos, sais e toxinas do sangue quando os rins não conseguem mais exercer sua função eficazmente. Trata-se de uma forma de diálise extracorpórea, ou seja, o sangue é filtrado fora do corpo.
Como a Hemodiálise Funciona?
A técnica consiste na circulação do sangue do paciente para uma máquina de diálise, onde o sangue é limpo através de uma membrana semipermeável. Após a filtração, o sangue limpo retorna ao corpo do paciente.
Processo de Hemodiálise
O procedimento geralmente dura entre 3 a 5 horas por sessão, realizada de duas a três vezes por semana, dependendo da gravidade da insuficiência renal. O paciente é conectado a uma máquina por meio de um acesso vascular, como uma fistula ou cateter, que permite a circulação do sangue.
Como Funciona o Tratamento de Hemodiálise
Acesso Vascular
Para possibilitar a conexão com a máquina, o paciente precisa de um acesso vascular especial, que pode ser:
Fístula Arteriovenosa: uma conexão cirúrgica entre uma artéria e uma veia no braço, considerada o método mais seguro e de menor risco de complicações.
Graft ou Enxerto: um tubo de plástico que liga uma artéria a uma veia, utilizado quando a fístula não é possível.
Cateter de Diálise: um tubo inserido em uma veia central, geralmente utilizado como acesso temporário ou emergencial.
O Processo de Filtração
A máquina de diálise possui duas câmaras principais:
Câmara de sangue: onde o sangue do paciente é coletado e filtrado.
Câmara de eficiência ultrafiltração: onde é removido o excesso de água e toxinas, equilibrando os níveis do sangue.
Através de uma membrana semipermeável, ocorre a troca de substâncias: resíduos e líquidos são removidos do sangue e descartados, enquanto substâncias benéficas, como minerais, podem ser mantidas ou ajustadas conforme necessidade.
Benefícios da Hemodiálise
- Remoção eficaz de toxinas e resíduos.
- Controle do volume de líquidos e pressão arterial.
- Correção de desequilíbrios eletrolíticos.
- Melhora na sensação de bem-estar do paciente.
Quando a Hemodiálise é Necessária?
A necessidade de hemodiálise é determinada por critérios clínicos e laboratoriais, incluindo:
- Insuficiência renal aguda grave, que não responde a outros tratamentos.
- Insuficiência renal crônica em estágio terminal, quando os rins não funcionam mais de forma suficiente para manter o organismo em equilíbrio.
- Elevados níveis de ureia, creatinina e outros resíduos no sangue.
- Sintomas como fadiga extrema, inchaço, hipertensão descontrolada, náuseas e confusão mental.
Quando Começar a Hemodiálise?
A decisão de iniciar a hemodiálise depende de fatores como:
- Taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 15 ml/min/1,73 m².
- Sintomas de uremia, como náuseas, vômitos, fadiga e confusão.
- Comprometimento do estado geral devido ao acúmulo de toxinas.
Quais São os Sinais de Que Indicam a Necessidade de Diálise?
| Sintoma | Descrição |
|---|---|
| Inchaço (edema) | Acúmulo de líquidos, especialmente em pernas, mãos ou face. |
| Fadiga extrema | Cansaço persistente e falta de energia. |
| Náusea e vômito | Sintomas de toxinas acumuladas. |
| Diferença na pressão arterial | Hipertensão ou hipotensão não controlada. |
| Alteração do estado mental | Confusão, dificuldade de concentração. |
| Dificuldade respiratória | Devido ao acúmulo de líquidos nos pulmões. |
Diferenças Entre Hemodiálise e Outras Modalidades de Diálise
| Característica | Hemodiálise | Diálise Peritoneal |
|---|---|---|
| Local de realização | Centro de hemodiálise ou hospital | Em casa, usando o peritônio |
| Frequência | 2-3 vezes por semana | Diária ou várias vezes ao dia |
| Equipamento necessário | Máquina de diálise | Cateter e soluções de diálise |
| Mobilidade do paciente | Menor, dependendo do acesso | Maior, maior autonomia |
| Complexidade do procedimento | Alta, necessita de equipe especializada | Menor, pode ser autoadministrada |
Cuidados e Cuidados Pós-Hemodiálise
A realização da hemodiálise exige cuidados específicos para evitar complicações e garantir o sucesso do tratamento:
- Controle da pressão arterial: Pode variar durante o procedimento.
- Higiene do acesso vascular: Para prevenir infecções, especialmente em fistulas e cateteres.
- Ajuste na dieta e ingestão de líquidos: Seguindo orientações médicas para evitar sobrecarga de líquidos ou desequilíbrios eletrolíticos.
- Monitoring regular: Para detectar possíveis complicações como hipotensão, câimbras ou infecção.
Complicações da Hemodiálise
Apesar de ser um procedimento seguro, podem ocorrer complicações como:
- Infecção no acesso vascular.
- Hipotensão durante a sessão.
- Câimbras musculares.
- Hemorragias no local do acesso.
- Desequilíbrios eletrolíticos.
A equipe de saúde realiza acompanhamento constante para minimizar esses riscos.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A hemodiálise dói?
Geralmente, a hemodiálise não causa dor. No entanto, o procedimento pode causar desconforto devido à colocação do acesso vascular ou à sensação de fadiga após a sessão.
2. Quanto tempo dura uma sessão de hemodiálise?
Normalmente entre 3 a 5 horas por sessão, com sessões realizadas 2 a 3 vezes por semana.
3. É possível fazer hemodiálise em casa?
Sim, alguns pacientes podem realizar a hemodiálise domiciliar, mediante treinamento e orientação médica adequada. Para isso, é necessário um acesso vascular apropriado e suporte técnico contínuo.
4. Quais são os riscos da hemodiálise?
Os riscos incluem infecção, hipotensão, cãibras, desequilíbrios eletrolíticos e problemas com o acesso vascular.
5. Quanto tempo os rins podem não funcionar antes de precisar de diálise?
Depende da evolução da doença renal, mas geralmente quando a função renal cai para níveis críticos, como uma taxa de filtração glomerular abaixo de 15 ml/min, a hemodiálise se torna necessária.
Conclusão
A hemodiálise é um procedimento vital para pacientes com insuficiência renal em estágio avançado, sendo uma técnica eficaz para substituir a função dos rins e evitar complicações graves decorrentes do acúmulo de toxinas no organismo. Embora envolva várias etapas e cuidados, seu avanço tecnológico e a ampla disponibilidade garantem uma melhor qualidade de vida para quem necessita dessa terapia.
A integração com uma equipe multidisciplinar e o comprometimento do paciente são essenciais para o sucesso do tratamento, promovendo maior longevidade e bem-estar.
Referências
- Sociedade Brasileira de Nefrologia. Manual de Nefrologia. São Paulo: SBREM; 2021.
- National Kidney Foundation. KDOQI Clinical Practice Guidelines for Hemodialysis. 2019.
- Ministério da Saúde. Protocolo de Hemodiálise. Brasília: MS; 2020.
- Silva, F. M. et al. Hemodiálise: Técnicas, Cuidados e Complicações. Jornal de Nefrologia, 2022.
“A saúde renal é uma das bases para o equilíbrio do corpo humano, e a hemodiálise tem sido uma aliada fundamental na preservação da vida daqueles que enfrentam a insuficiência renal.”
MDBF