MDBF Logo MDBF

Hemodiálise: Como Funciona o Processo de Filtração Sangüínea

Artigos

A insuficiência renal crônica é uma condição que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Quando os rins deixam de desempenhar suas funções básicas de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue, a hemodiálise surge como uma solução vital para manter a vida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Este artigo detalha como funciona a hemodiálise, seus procedimentos, benefícios, riscos e cuidados necessários, além de esclarecer dúvidas comuns sobre esse procedimento essencial.

Introdução

A função dos rins é fundamental para a manutenção da homeostase do organismo, eliminando resíduos metabólicos, regulando níveis de eletrólitos, controlando a pressão arterial e produzindo hormônios importantes. Quando os rins param de funcionar de maneira adequada, a acumulação de toxinas e fluidos pode levar a complicações graves, incluindo insuitação cardíaca, hipertensão e desequilíbrios eletrolíticos.

hemodialise-como-funciona

A hemodialise é uma técnica de filtração extracorpórea que substitui a função renal, removendo substâncias nocivas do sangue por meio de uma máquina especializada. Desde o seu desenvolvimento na década de 1940, esse procedimento tem se aperfeiçoado, tornando-se uma das principais formas de tratamento da insuficiência renal terminal.

Como Funciona a Hemodiálise

O Processo de Filtração Sanguínea

A hemodiálise é um procedimento que utiliza uma máquina de diálise para limpar o sangue do paciente. Para isso, é necessário estabelecer uma conexão entre o sistema circulatório do paciente e a máquina, por meio de um acesso vascular. Essa conexão pode ser feita por meio de uma fistula arteriovenosa, cateter temporário ou permanente.

Passo a Passo do Procedimento

  1. Preparação do Paciente
    Antes de iniciar a sessão, o profissional de saúde monitora sinais vitais, verifica o funcionamento do acesso vascular e prepara o ambiente clínico.

  2. Acesso ao Sangue
    O sangue é retirado do paciente através de um cateter ou fistula. Ele passa por um tubo conectado à máquina de diálise.

  3. Filtração na Máquina de Diálise
    A máquina contém um filtro chamado dialisador, ou “rim artificial”, onde ocorre a troca de substâncias:

Componentes do DialisadorFunção
Membrana semipermeávelPermite passagem de resíduos, eletrólitos e água
Reservatório de sangueConta o sangue que será filtrado
Solução de diálise (dialisato)Atua na troca de íons e na remoção de resíduos
  1. Remoção das Substâncias Nocivas
    O sangue é filtrado através do dialisador. Resíduos, excesso de água, potássio, ureia, creatinina e outros resíduos metabólicos são removidos.

  2. Retorno do Sangue ao Paciente
    O sangue limpo é devolvido ao organismo por meio do mesmo acesso vascular, completando o ciclo.

Como é a Frequência das Sessões

A frequência da hemodiálise varia de acordo comas necessidades do paciente, mas geralmente acontece três vezes por semana, com sessões que duram entre 3 a 5 horas.

Benefícios e Riscos da Hemodiálise

Benefícios

  • Remoção de resíduos tóxicos
  • Controle do equilíbrio hídrico
  • Regulação dos eletrólitos
  • Controle da pressão arterial
  • Melhora na qualidade de vida do paciente com insuficiência renal avançada

Riscos e Complicações Potenciais

Risco / ComplicaçãoDescrição
InfecçãoNo acesso vascular ou durante o procedimento
HipotensãoQueda na pressão arterial durante a sessão
CâimbrasMovimentos involuntários devido ao desequilíbrio eletrolítico
Coágulos ou sangramentoProblemas no acesso vascular

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, “a hemodiálise é uma terapia que salva vidas, mas requer cuidados rigorosos para minimizar riscos”.

Tipos de Acesso Vascular na Hemodiálise

Existem três principais métodos de acesso vascular utilizados na hemodiálise:

1. Fístula Arteriovenosa

  • Conexão cirúrgica entre uma artéria e uma veia do braço.
  • Vantagens: maior durabilidade e menor risco de infecção.
  • Desvantagens: tempo de maturação antes de uso.

2. Ponte de Grande Calibre (Graft)

  • Tunelamento de um tubo sintético entre artéria e veia.
  • Utilizado quando as veias naturais não são adequadas para fistula.

3. Cateter Central de Hemodiálise

  • Inserido na veia central, geralmente na veia jugular ou femoral.
  • Utilizado em emergências ou enquanto a fistula está se formando.
  • Risco maior de infecção e complicações.

Cuidados e Dicas para Pacientes em Hemodiálise

  • Acompanhamento médico regular
  • Controle da alimentação e ingestão de líquidos
  • Medicação adequada conforme prescrições
  • Higiene no acesso vascular
  • Participação em grupos de apoio e orientações de profissionais especializados

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A hemodiálise é dolorosa?

Não, o procedimento geralmente é realizado com anestesia local no ponto de acesso vascular. Desconfortos como câimbras ou náusea podem ocorrer, mas a dor não costuma ser presente.

2. Quanto tempo dura uma sessão de hemodiálise?

A maioria das sessões dura entre 3 a 5 horas, três vezes por semana, embora possa variar conforme o quadro clínico do paciente.

3. Quais efeitos colaterais podem ocorrer?

Hipotensão, câimbras, náusea, fadiga, infecção no acesso vascular são alguns efeitos colaterais possíveis.

4. A hemodiálise cura a insuficiência renal?

Não, a hemodiálise é uma terapia de suporte; ela não cura a insuficiência renal, mas pode prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

5. Existem alternativas à hemodiálise?

Sim, a diálise peritoneal é uma alternativa, além do transplante renal, que oferece uma esperança de cura definitiva para alguns pacientes.

Conclusão

A hemodiálise é uma técnica vital para pacientes com insuficiência renal avançada ou terminal. Apesar de ser um procedimento complexo, sua compreensão é fundamental para o paciente e seus familiares, promovendo melhor adesão e cuidados. Como afirmou o renomado nefrologista Dr. Marcelo Lupino, “a evolução tecnológica na hemodiálise tem transformado vidas, oferecendo esperança e qualidade de vida às pessoas que enfrentam esse desafio.”

Com o avanço contínuo da medicina, novas formas de tratamento e aprimoramentos na técnica de diálise vêm proporcionando melhor tolerabilidade, menos complicações e maior longevidade aos pacientes.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Nefrologia. Manual de Nefrologia. São Paulo: SBNeph, 2022.
  • National Kidney Foundation. Hemodialysis. Disponível em: https://www.kidney.org/atoz/content/hemodialysis
  • Ministério da Saúde. Protocolos de Tratamento de Insuficiência Renal. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas e atualizadas sobre o funcionamento da hemodiálise, promovendo maior compreensão e segurança para quem necessita ou deseja entender melhor esse tratamento.