Guarda Unilateral: Como Funciona as Visitas na Custódia Compartilhada
No cenário jurídico brasileiro, a guarda dos filhos é uma questão que envolve sensibilidades, direitos e deveres de ambos os genitores. A guarda unilateral e a guarda compartilhada são mecanismos que determinam como será a convivência do menor com seus responsáveis. Este artigo abordará de forma detalhada como funciona as visitas na guarda unilateral, explicando conceitos, legislações, práticas comuns e dicas para quem passa por esse processo.
Entender as diferenças entre esses tipos de guarda e as regras para as visitas é essencial para garantir o bem-estar da criança e evitar conflitos familiares. Vamos explorar os principais aspectos envolvidos nesse tema, esclarecendo dúvidas frequentes e oferecendo orientações importantes.

O que é a Guarda Unilateral?
Definição de Guarda Unilateral
A guarda unilateral ocorre quando um dos pais é autorizado judicialmente a exercer a responsabilidade de cuidar do menor de forma exclusiva, enquanto o outro tem direito a visitas, conforme estabelecido na sentença judicial. Geralmente, essa modalidade é decretada em casos de separações litigiosas, abusos, abandono ou quando há risco à integridade do menor.
Legislação Aplicável
Segundo o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002), a guarda pode ser unilateral ou compartilhada. O Art. 1.583 do Código Civil dispõe:
"A guarda pode ser unilateral ou compartilhada, sendo esta última preferida, salvo se um dos genitores comprometer o bem-estar do menor."
Assim, a justiça busca priorizar o melhor interesse da criança ao determinar o tipo de guarda.
Como Funciona a Guarda Unilateral
Decisão Judicial
A concessão da guarda unilateral é feita por meio de sentença judicial, levando em consideração aspectos como:
- Conduta de cada responsável;
- Condições de moradia e estabilidade financeira;
- Capacidade de proporcionar afeto e cuidados;
- Relação do menor com cada genitor.
Responsabilidades do Guardião Unilateral
Quem possui a guarda unilateral assume todas as responsabilidades relativas ao menor, incluindo:
- Educação;
- Saúde;
- Alimentação;
- Acompanhamento escolar;
- Decisões principais relacionadas ao bem-estar da criança.
Direitos do Outro Genitor: As Visitas
Embora a guarda seja unilateral, o genitor não guardião tem o direito de visitas, que devem garantir o contato com o filho. Essas visitas podem ser:
- Semanais;
- Finais de semana alternados;
- Durante feriados e férias escolares.
A regulamentação específica é feita em acordo ou por decisão judicial, visando o melhor interesse da criança.
Como Funciona as Visitas na Guarda Unilateral
Regulamentação das Visitas
Quando a guarda é unilateral, as visitas representam o direito do genitor não guardião de conviver com seu filho. Elas podem ocorrer de formas variadas:
| Tipo de Visitação | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Visita Programada | Estabelecida por acordo ou decisão judicial, com horários definidos | Aos fins de semana, feriados, férias escolares |
| Visitas Moradas Alternadas | O menor passa períodos alternados com cada genitor | Uma semana com um, outra semana com o outro |
| Visita Não Programada | Sem agenda fixa, de acordo com necessidade ou convite | Encaminhamento espontâneo durante a semana |
Como é Estabelecida a Frequência das Visitas
A frequência e duração das visitas podem variar de acordo com:
- A rotina do menor;
- A existência de conflitos entre os pais;
- A distância geográfica;
- As condições de cada responsável.
Necessariamente, as visitas devem priorizar o bem-estar da criança, proporcionando estabilidade emocional e facilitando o relacionamento com ambos os genitores.
Papel do Judiciário
Caso pais não cheguem a um consenso, o juiz pode determinar o regime de visitas. É importante ressaltar que o juiz deve sempre atuar considerando o melhor interesse da criança.
Dicas para Assegurar um Bom Regime de Visitas
- Cumprir horários estabelecidos;
- Manter a comunicação equilibrada com o outro responsável;
- Garantir que o menor esteja preparado para as visitas;
- Respeitar os acordos firmados, mesmo em caso de desavenças pessoais.
Desafios e Soluções
Conflitos entre os Pais
Conflitos frequentes podem dificultar a realização das visitas. Para evitar problemas, recomenda-se:
- Utilizar canais de comunicação eficientes;
- Buscar mediação ou aconselhamento psicológico;
- Firmar acordos escritos, com acompanhamento jurídico.
Questões Geográficas e de Logística
Quando os responsáveis moram em cidades diferentes ou há dificuldades de transporte, o juiz pode determinar:
- Visitas em locais neutros;
- Acordos sobre transporte e custos;
- Uso de tecnologias, como videochamadas, para manter o contato.
A Importância da Estabilidade
A manutenção de uma rotina estável é fundamental para o desenvolvimento emocional da criança. Portanto, os horários e locais de visita devem ser planejados cuidadosamente.
Como a Guarda Unilateral Pode Ser Transformada em Compartilhada
Em alguns casos, após determinado período, o tribunal pode reconsiderar a modalidade de guarda, promovendo sua alteração para a guarda compartilhada, caso o melhor interesse do menor assim exija. A convivência mais equilibrada beneficia a criança e reforça os laços familiares.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A guarda unilateral é obrigatória ou pode ser alterada?
A guarda unilateral pode ser alterada para compartilhada ou outro regime mediante solicitação ao juiz, que avaliará a melhor estratégia para o bem-estar da criança.
2. Como funciona a visita em casos de guarda unilateral por abuso?
Nesses casos, o juiz pode restringir ou suspender as visitas para proteger o menor, sempre priorizando seu melhor interesse.
3. Pode o menor decidir com quem quer morar ou visitar?
Sim, o desejo do menor será considerado, especialmente à medida que ele cresce e demonstra maturidade, sempre levando em conta seu entendimento e bem-estar.
4. Como é determinada a frequência das visitas na prática?
Depende do que estiver estabelecido na sentença ou acordo. Geralmente, a frequência é definida de modo a garantir contato regular, estável e saudável.
Conclusão
A guarda unilateral, embora envolva a responsabilidade principal de um dos genitores, garante ao outro o direito de visitar e manter vínculos com o menor. A regulamentação das visitas é fundamental para assegurar o desenvolvimento emocional e o bem-estar da criança, evitando conflitos e promovendo um ambiente de estabilidade. A tomada de decisões judiciais deve sempre estar fundamentada na prioridade do melhor interesse da criança, buscando assegurar seus direitos fundamentais e uma convivência saudável com ambos os pais.
A compreensão correta desse tema é essencial para pais, responsáveis e profissionais do direito, contribuindo para uma rotina mais harmoniosa e protegendo os direitos da criança em momentos de transição familiar.
Referências
- Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002)
- Mariana Amorim, "Direitos da Criança e do Adolescente", Ed. Atlas, 2020.
- Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Guia da Guarda Compartilhada e Custódia Alternada. Link externo: https://www.cnj.jus.br/guia-da-guarda-compartilhada
Como afirmou o jurista José Roberto Belo:
"O mais importante na tutela dos direitos do menor é garantir que o regime de convivência seja estabelecido e ajustado sempre com foco no seu bem-estar, independente do tipo de guarda."
MDBF