Gasometria Venosa: Código TUSS e Importância na Avaliação Clínica
A gasometria venosa tem se destacado como uma ferramenta essencial na avaliação clínica de pacientes, fornecendo informações cruciais sobre o estado ácido-base, oxigenação, captação de gases respiratórios e equilíbrio metabólico. No Brasil, a padronização e a codificação dos procedimentos laboratoriais são realizadas pelo Sistema de Saúde SUS, através do código TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar), facilitando a padronização, faturamento e controle de procedimentos médicos. Este artigo abordará detalhadamente a gasometria venosa, seu código TUSS, sua relevância na prática médica e aspectos relacionados ao procedimento.
O que é Gasometria Venosa?
A gasometria venosa é uma análise que mede os gases do sangue, principalmente oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂), além de avaliar o pH sanguíneo, bicarbonato (HCO₃⁻) e outros parâmetros importantes para entender a troca gasosa, o status metabólico e o equilíbrio ácido-base do paciente. Diferentemente da gasometria arterial, que exige punção arterial, a venosa é considerada uma alternativa menos invasiva, embora, em determinadas situações, seus resultados possam diferir.

Diferenças entre Gasometria Venosa e Arterial
| Aspecto | Gasometria Arterial | Gasometria Venosa |
|---|---|---|
| Local de coleta | Artéria radial ou braquial | Veia periférica, como a do antebraço |
| Invasividade | Mais invasiva | Menos invasiva |
| Precisão | Melhor para avaliação de troca gasosa | Útil para avaliação de status metabólico e alterações do pH |
| Aplicações | Diagnóstico de hipóxia, acidose, alcalose | Monitoramento geral, avaliação de metabolismo |
Código TUSS da Gasometria Venosa
O que é o Código TUSS?
O Código TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é uma classificação utilizada no setor de saúde suplementar (planos de saúde) para padronizar a cobrança de procedimentos médicos, laboratoriais e hospitalares. Assim, a correta utilização do código garante maior agilidade na faturação, controle e integração dos sistemas de informações em saúde.
Código TUSS da Gasometria Venosa
De acordo com a tabela vigente, a gasometria venosa é identificada pelo código:
| Código TUSS | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| 02420102 | Gasometria venosa | Procedimento de coleta, análise e interpretação dos gases sanguíneos venosos |
Nota: A utilização correta do código é fundamental para evitar problemas fiscais e assegurar a conformidade nos registros médicos.
Importância da Gasometria Venosa na Prática Clínica
A gasometria venosa traz benefícios importantes para a prática clínica:
- Avaliação rápida do estado respiratório e metabólico do paciente
- Monitoramento de condições como insuficiência respiratória, acidose metabólica ou alcalose
- Auxílio na decisão terapêutica, ajustes de ventilação mecânica, administração de líquidos ou medicamentos
- Menor desconforto e risco de complicações comparado à gasometria arterial
Como interpretar os resultados
A interpretação dos resultados deve considerar os valores de pH, pCO₂, pO₂, HCO₃⁻ e saturação de oxigênio. Assim, é possível identificar se o paciente apresenta acidose, alcalose, hipóxia ou hipóermia.
Importância na assistência de urgência e emergência
Em ambientes de emergência, a gasometria venosa possibilita uma avaliação rápida e de baixo risco, sendo uma ferramenta útil para tomadas de decisão em situações críticas.
Procedimento para realização da Gasometria Venosa
- Preparação do paciente: Garantir jejum ou condições específicas conforme orientação médica.
- Coleta do sangue: Via venosa periférica, preferencialmente do antebraço ou dorso da mão.
- Transporte para o laboratório: Imediato, para evitar alterações nos gases.
- Análise laboratorial: Utilização de analisadores específicos de gases sanguíneos.
Cuidados na coleta
- Utilizar materiais estéreis
- Evitar trauma na punção
- Manter a amostra adequada para análise rápida
Relevância do Código TUSS na Administração de Serviços de Saúde
A codificação correta é vital para:
- Garantir o reembolso adequado por parte das operadoras de planos de saúde
- Manter registros precisos para auditorias e controle de qualidade
- Facilitar estudos epidemiológicos e planejamento de políticas públicas
Tabela de Procedimentos Relacionados
| Código TUSS | Procedimento | Descrição |
|---|---|---|
| 02420102 | Gasometria venosa | Análise de gases e pH do sangue venoso |
| 02420099 | Gasometria arterial | Análise de gases e pH do sangue arterial |
| 02420301 | Teste de capnografia | Monitoramento do CO₂ expirado |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a principal vantagem da gasometria venosa em relação à arterial?
A principal vantagem é menor invasividade, maior conforto para o paciente e menor risco de complicações ao realizar a coleta venosa.
2. Em quais situações a gasometria venosa é suficiente?
Para avaliações de rotina, monitoramento de condições metabólicas, controle de terapia, quando a avaliação arterial não é obrigatória ou quando o paciente apresenta dificuldades para punção arterial.
3. Como saber qual código TUSS utilizar?
Consulte a tabela oficial do TUSS vigente ou o sistema de gerenciamento de procedimentos da sua operadora de saúde. O código 02420102 refere-se à gasometria venosa.
4. A gasometria venosa substitui a arterial em todos os casos?
Não, ela é uma alternativa complementar. Para diagnóstico de hipóxia severa ou condições que exigem avaliação precisa da troca gasosa arterial, a gasometria arterial é preferida.
5. Onde posso obter mais informações sobre o código TUSS?
Acesse o site oficial da Anvisa ou do Conselho Federal de Medicina, que disponibilizam tabelas atualizadas e orientações específicas para procedimentos.
Conclusão
A gasometria venosa se consolidou como uma ferramenta valiosa na prática clínica, oferecendo uma avaliação rápida, segura e eficiente do estado ácido-base e do metabolismo do paciente. Sua codificação correta, através do Código TUSS 02420102, garante padronização, eficiência no faturamento e na gestão de informações em saúde. Com o avanço das técnicas laboratoriais e a constante atualização dos protocolos, a gasometria venosa continuará sendo uma aliada fundamental para aprimorar o atendimento e melhorar os resultados clínicos.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Codificação de Procedimentos e Eventos em Saúde (TUSS). Disponível em: https://conitec.gov.br
Hoffman, B. C. et al. Fundamentos de Medicina de Urgência e Emergência. São Paulo: Atheneu, 2015.
Santos, A. C. M. et al.. Gasometria sanguínea: uma revisão. Revista Brasileira de Análises Clínicas, 2018.
Anvisa. Tabela de Procedimentos e Eventos em Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
“A compreensão profunda do funcionamento do organismo humano é essencial para um atendimento clínico eficaz e humanizado.”
MDBF