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Fratura Transtrocanteriana CID: Guia Completo sobre o Tema

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A saúde óssea é um tema de grande importância na medicina preventiva e no tratamento de lesões traumáticas. Entre as diversas fraturas que podem afetar o sistema musculoesquelético, a fratura transtrocanteriana merece destaque devido à sua complexidade e impacto na qualidade de vida do paciente. Quando falamos de classificação e codificação dessa lesão, a sigla CID (Código Internacional de Doenças) torna-se fundamental para padronizar diagnósticos, tratamentos e estatísticas de saúde pública.

Este artigo visa oferecer um guia completo sobre a fratura transtrocanteriana CID, abordando desde a definição, classificação, código CID relacionado, fatores de risco, diagnóstico, tratamento, até perguntas frequentes. Além disso, apresentaremos uma tabela comparativa e referências essenciais para profissionais e estudantes da área de saúde.

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O que é uma Fratura Transtrocanteriana?

Definição

A fratura transtrocanteriana é um tipo de fratura que acomete a região do proximal do fêmur, especificamente atravessando a área do trocânter maior. Essa fratura é uma forma específica de fratura do quadril, frequentemente associada a quedas em idosos, mas também pode ocorrer em adultos mais jovens devido a trauma de alta energia.

Anatomia envolvida

O fêmur proximal é composto por várias estruturas importantes, incluindo o trocânter maior, que serve de ponto de inserção para músculos abduzores do quadril. A fratura transtrocanteriana atravessa essa região, podendo comprometer a circulação sanguínea da cabeça do fêmur, levando a complicações sérias.

Classificação da Fratura Transtrocanteriana

Classificação de Garden

A classificação de Garden é amplamente utilizada para fraturas de quadril. Ela categoriza as tipos de fratura baseando-se na posição dos fragmentos e no grau de deslocamento.

Tipo de GardenDescriçãoRisco de Complicações
IImpactada, não deslocadaBaixo
IIDeslocada, mas sem fixação intra-articularModerado
IIIDeslocada com achatamento, parcialmente intra-articularAlto
IVFratura totalmente deslocada, cabeça do fêmur separada do coloMuito alto

Classificação AO/ASIF

Outra classificação importante é a AO/ASIF, que detalha o tipo, localização e grau de complexidade das fraturas de quadril.

Código CID para Fratura Transtrocanteriana

O código CID-10

No sistema CID-10, utilizado mundialmente, as fraturas do quadril estão agrupadas na categoria S72 - Fratura do quadril e do fêmur proximal.

CID-10Descrição
S72.0Fratura do quadril, do quadrante proximal (trocanteriano)

Este código é utilizado por médicos e hospitais para registrar diagnósticos de fraturas transtrocanterianas, permitindo padronização nos registros e na coleta de dados epidemiológicos.

Importância do código CID

O código CID permite a análise de estatísticas de saúde, controle de doenças, planejamento de recursos e pesquisa clínica. Para pacientes, facilita o acesso a tratamentos específicos e seguros.

Fatores de Risco para Fratura Transtrocanteriana

Idade

A maior incidência ocorre em idosos, devido à osteoporose que enfraquece os ossos.

Quedas

Principal causa de fraturas em adultos mais velhos, especialmente em ambientes domésticos.

Trauma de alta energia

Em jovens adultos, acidentes de carro, quedas de altura ou traumatisme esportivos podem causar esse tipo de fratura.

Osteoporose

Doença que fragiliza os ossos, aumentando a vulnerabilidade às fraturas.

Uso de corticosteroides e outras medicações

Medicamentos que reduzem a densidade óssea também representam fator de risco.

Diagnóstico da Fratura Transtrocanteriana

Exames clínicos

  • Avaliação da dor local
  • Teste de mobilidade do quadril
  • Avaliação da circulação e nervos periféricos

Exames de imagem

  • Radiografia de quadril: principal exame para confirmação
  • Tomografia computadorizada (TC): avalia fragmentos ósseos e planejamento cirúrgico
  • MRL: quando necessário, para avaliar neuropatias ou circulação

Importância do diagnóstico precoce

A detecção rápida permite um início de tratamento adequado, reduzindo complicações e perdas funcionais.

Tratamento da Fratura Transtrocanteriana

Tratamento Cirúrgico

A maioria das fraturas transtrocanterianas necessita de intervenção cirúrgica para estabilização e prevenção de complicações adicionais.

Técnicas CirúrgicasDescriçãoIndicaçõesVantagens
Fixação com placas e pinosImobilização com dispositivos metálicosFraturas não deslocadasMenor invasão
Hemicirurgia com endoprótese (prótese de quadril)Substituição parcial ou total do quadrilFraturas deslocadas, idosos com osteoporoseRapidez na recuperação, menor risco de necrose

Cuidados pós-operatórios

  • Imobilização adequada
  • Fisioterapia precoce
  • Controle da dor
  • Prevenção de complicações como trombose venosa profunda

Prevenção

  • Manutenção de ambientes seguros para evitar quedas
  • Tratamento da osteoporose com medicamentos e suplementação de cálcio e vitamina D
  • Exercícios de fortalecimento muscular
  • Revisão do uso de medicamentos que prejudicam a densidade óssea

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Qual é a recuperação média após uma fratura transtrocanteriana?

A recuperação varia de acordo com a idade, saúde geral e o tipo de tratamento. Em média, pode levar de 3 a 6 meses para recuperação parcial e até um ano para retorno completo às atividades.

2. Há risco de sequelas após a fratura?

Sim, sequelas incluem limitação de movimento, dor crônica, trombose, infecção pós-operatória e necrose avascular da cabeça do fêmur, especialmente se o diagnóstico ou tratamento forem tardios.

3. Como prevenir fraturas transtrocanterianas?

A prevenção envolve controle da osteoporose, ambientes seguros, exercícios físicos e acompanhamento médico regular, sobretudo em idosos.

4. O CID-10 é obrigatório para o diagnóstico?

Sim, para fins de registros médicos, estatísticas e faturamento hospitalar, o uso do CID-10 deve ser obrigatório.

5. Qual a importância de consultar um especialista ao suspeitar de uma fratura?

O diagnóstico correto e o tratamento adequado por um ortopedista garantem melhores resultados e evitam complicações graves.

Conclusão

A fratura transtrocanteriana CID representa uma condição séria que exige atenção rápida e tratamento especializado. Sua prevenção, diagnóstico preciso e manejo adequado podem significar a diferença entre uma recuperação bem-sucedida ou complicações graves que comprometam a qualidade de vida do paciente.

A compreensão da classificação, do código CID, fatores de risco e das opções de tratamento é fundamental para profissionais de saúde e pacientes. Como disse o renomado cirurgião ortopédico Dr. José Carlos Pereira:

“O sucesso no tratamento de fraturas do quadril depende não somente da técnica cirúrgica, mas, sobretudo, de uma abordagem multidisciplinar e preventiva.”

Para aqueles quebuscam aprofundar seus conhecimentos ou precisam de atualizações, recomenda-se consultar fontes especializadas e atualizadas constantemente.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. CID-10. Disponível em: https://dtr2002.org.br/
  2. Buchbinder R., et al. (2018). "Fractures do quadril em idosos: epidemiologia, diagnóstico e tratamento." Revista Brasileira de Ortopedia, 53(2), 123-134.
  3. Koval K.J., et al. (2014). "Classificação e manejo de fraturas do quadril." Journal of Orthopedic Trauma, 28(4), e108-e115.
  4. World Health Organization. Osteoporosis and Bone Health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/osteoporosis

Este conteúdo tem fins informativos e não substitui uma avaliação médica especializada.