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Fibrilação Atrial: Entenda O Que É Essa Condição Cardíaca

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A fibrilação atrial é uma das arritmias cardíacas mais comuns em todo o mundo, afetando milhões de pessoas. Apesar de muitas vezes ser considerada uma condição benign, ela pode levar a complicações graves, como AVC e insuficiência cardíaca, se não for adequadamente diagnosticada e tratada. Compreender o que é a fibrilação atrial, seus sintomas, causas, riscos e opções de tratamento é fundamental para manter a saúde cardíaca e prevenir complicações.

Neste artigo, exploraremos em detalhes tudo o que você precisa saber sobre a fibrilação atrial, desde sua definição até as recomendações para quem convive com essa condição. Nossa intenção é facilitar o entendimento, promover a conscientização e ajudar na tomada de decisões informadas para o cuidado com o coração.

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O que é a fibrilação atrial?

Definição

A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia cardíaca caracterizada por uma atividade elétrica desorganizada nos átrios do coração. Essa desorganização provoca uma contração atrial irregular e muitas vezes rápida, dificultando o bombeamento eficiente do sangue para os ventrículos. Como consequência, o coração não consegue manter um ritmo regular e eficiente, levando a sintomas diversos e possibilidades de complicações sérias.

Como funciona o coração normalmente?

Para entender a fibrilação atrial, é importante compreender o funcionamento normal do coração. O coração possui quatro câmaras: dois átrios e dois ventrículos, que trabalham em sincronia para bombear sangue por todo o corpo.

O sistema elétrico do coração inicia um impulso no nó sinoatrial (nó SA), localizado no átrio direito, que regula o ritmo cardíaco. Esse impulso se propaga pelos átrios, fazendo-os se contrair e enviar o sangue aos ventrículos. Logo após, o impulso passa pelo nó atrioventricular (nó AV) e segue pelo sistema de fibras de Purkinje, causando a contração dos ventrículos, que bombeiam o sangue aos pulmões e ao restante do corpo.

Em resumo:

ProcessoDescrição
Início do impulsoNó sinoatrial (nó SA) envia sinais eletrônicos
PropagaçãoImpulsos se espalham pelos átrios, causando sua contração
Transmissão ao ventrículoImpulso passa pelo nó atrioventricular e fibras de Purkinje
Contração dos ventrículosBombeamento do sangue para o corpo e pulmões

Como a fibrilação atrial ocorre?

Na fibrilação atrial, os átrios apresentam uma atividade elétrica caótica e rápida, geralmente acima de 300 batimentos por minuto. Como resultado, os átrios não se contraem de forma eficiente, mas fibrilham (trepidam). Essa atividade nervosa irregular impede que o coração mantenha um ritmo regular, levando a uma frequência ventricular irregular, que pode ser rápida, lenta ou normal.

Causas e fatores de risco

Causas comuns

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da fibrilação atrial, incluindo:

  • Doenças cardíacas estruturais: insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, valvopatias, doença arterial coronariana.
  • Condições não cardíacas: hipertireoidismo, apneia do sono, infecções, doenças pulmonares crônicas.
  • Idade avançada: envelhecimento aumenta a prevalência da FA.
  • Estilo de vida: consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo.
  • Outros fatores: diabetes, obesidade, história familiar de arritmias.

Tabela de fatores de risco para fibrilação atrial

CategoriaExemplos
CardiovascularesHipertensão, insuficiência cardíaca, insuflação valvar, doença arterial coronariana
EndócrinosHipertireoidismo, diabetes
Estilo de vidaTabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo
Outras condiçõesApneia do sono, infecções, doenças pulmonares crônicas
IdadeAcima de 60 anos, aumento progressivo com a idade

Sintomas da fibrilação atrial

Apesar de muitas pessoas não apresentarem sintomas, outros podem sentir:

  • Palpitações (sensação de coração acelerado ou irregular)
  • Fadiga e fraqueza
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Sensação de descompasso entre sinais e sintomas

Esses sintomas podem variar em intensidade e frequência. Algumas pessoas convivem com episódios ocasionais, enquanto outras apresentam fibrilação atrial persistente ou permanente.

Diagnóstico médico

Para identificar a fibrilação atrial, o médico realiza:

  • Exame físico: monitoramento do ritmo do coração, ausculta.
  • Eletrocardiograma (ECG): principal exame para diagnóstico, revela o ritmo irregular.
  • Monitorização ambulatorial: Holter ou loop recorder podem registrar o ritmo por mais tempo.
  • Exames complementares: ecocardiograma, exames de sangue, raios-X de tórax, testes de função tireoidiana.

Tratamento e controle da fibrilação atrial

Objetivos do tratamento

  • Controlar a frequência cardíaca.
  • Restabelecer o ritmo normal (quando possível).
  • Prevenir complicações, especialmente AVC.

Opções de tratamento

Medicações

  • Controlar a frequência: betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio.
  • Restabelecer o ritmo: antiarrítmicos específicos.
  • Prevenção de coágulos sanguíneos: anticoagulantes, como varfarina, dabigatrana, rivaroxabana.

Procedimentos invasivos

  • ** Cardioversão elétrica:** uso de choques elétricos para restaurar o ritmo normal.
  • Ablação por cateter: destruição de áreas responsáveis pela irregularidade elétrica.
  • cirurgia: em casos graves, procedimentos de reparo ou substituição valvular, ou cirurgia de Maze.

Importância do acompanhamento médico

O tratamento da fibrilação atrial exige acompanhamento contínuo com cardiologista para ajuste de medicações e monitoramento de possíveis efeitos adversos.

Complicações associadas à fibrilação atrial

ComplicaçãoDescrição
Acidente Vascular Cerebral (AVC)Pode ocorrer devido à formação de coágulos nos átrios que se deslocam ao cérebro
Insuficiência cardíacaO ritmo irregular pode sobrecarregar o coração e levar à falência cardíaca
HipotensãoQueda da pressão arterial devido à má contração do coração

Como prevenir complicações?

  • Manter acompanhamento com o cardiologista.
  • Cumprir rigorosamente o uso de anticoagulantes, se prescritos.
  • Controlar fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade.
  • Adotar hábitos de vida saudável e atividade física regular.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Fibrilação atrial é perigosa?

Sim, principalmente por aumentar o risco de AVC e insuficiência cardíaca. O tratamento adequado pode reduzir esses riscos.

2. Posso viver normalmente com fibrilação atrial?

Muitos pacientes levam uma vida normal com o tratamento correto, mas é importante seguir as recomendações médicas e monitorar a condição.

3. A fibrilação atrial pode desaparecer sozinha?

Em alguns casos, episódios podem cessar espontaneamente, mas a condição tende a ser recorrente se não tratada.

4. Como prevenir a fibrilação atrial?

Manter um estilo de vida saudável, controlar doenças crônicas, realizar check-ups regulares e evitar fatores que agravem o risco.

Conclusão

A fibrilação atrial é uma condição cardíaca comum, mas que oferece riscos sérios se não detectada e tratada de forma adequada. A combinação de sintomas, diagnóstico preciso e um plano terapêutico bem conduzido é essencial para uma boa qualidade de vida e prevenção de complicações graves como o AVC.

Se você suspeita de fibrilação atrial ou faz parte de um grupo de risco, procure um cardiologista para avaliação e acompanhamento. Como disse um renomado cardiologista, Dr. Antônio Carlos Lopes, "a prevenção e o tratamento precoce na fibrilação atrial podem fazer toda a diferença na qualidade de vida do paciente."

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Guidelines de Arritmias Cardíacas e Monitorização Ambulatorial. 2020.
  2. Mayo Clinic. Atrial Fibrillation. https://www.mayoclinic.org/pt-br/diseases-conditions/atrial-fibrillation/symptoms-causes/syc-20350624
  3. American Heart Association. Atrial Fibrillation. https://www.heart.org/en/health-topics/atrial-fibrillation