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Fibrilação Atrial CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento

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A fibrilação atrial (FA) é uma das arritmias cardíacas mais comuns e representa um desafio significativo para a saúde pública mundial. Quando associada ao CID (Classificação Internacional de Doenças), essa condição torna-se ainda mais importante de ser compreendida por profissionais de saúde e pacientes. Este guia completo busca esclarecer todas as dúvidas sobre a fibrilação atrial CID, abordando aspectos de diagnóstico, tratamento, classificação e recomendações atualizadas.

Introdução

A fibrilação atrial é caracterizada por uma despolarização caótica dos átrios do coração, levando a uma pulsação irregular e muitas vezes rápida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a FA afeta aproximadamente 1 a 2% da população mundial, sendo responsável por um aumento no risco de acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e outras complicações cardiovasculares.

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A classificação dessa condição de acordo com a CID-10, que é amplamente utilizada mundialmente para fins de registro e estatística, permite uma melhor padronização do diagnóstico e da epidemiologia. Assim, compreender a Fibrilação Atrial CID torna-se fundamental para aprimorar a assistência clínica e promover um manejo adequado do paciente.

O que é a fibrilação atrial?

A fibrilação atrial é uma arritmia que resulta de uma atividade elétrica desorganizada nos átrios do coração. Como consequência, há uma contração atrial efetiva comprometida, levando a uma frequência cardíaca irregular e muitas vezes rápida (geralmente entre 100 a 175 bpm em repouso).

Causas da fibrilação atrial

  • Hipertensão arterial
  • Doença cardíaca estrutural (valvopatias, insuficiência cardíaca)
  • Doença arterial coronariana
  • Cardiopatias congênitas
  • Consumo excessivo de álcool
  • Uso de drogas estimulantes
  • Idade avançada
  • Distúrbios metabólicos, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo

Sintomas mais comuns

  • Palpitações
  • Fadiga
  • Dispneia
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Dor no peito (em alguns casos)
  • Sintomas podem ser ausentes em muitos pacientes, dificultando o diagnóstico precoce

Classificação da fibrilação atrial segundo a CID-10

De acordo com a CID-10, a fibrilação atrial encontra-se classificada no código I48, que abrange diversas formas de arritmias supraventriculares e ventriculares.

Código CID-10DescriçãoDetalhes
I48.0Fibrilação atrial paroxísticaEpisódios que se resolvem espontaneamente em menos de 7 dias
I48.1Fibrilação atrial persistenteEpisódios que duram mais de 7 dias ou requerem intervenção médica
I48.2Fibrilação atrial permanenteNão revertida ao ritmo sinusal, mesmo após tentativa de cardioversão
I48.91Fibrilação atrial não especificadaQuando o tipo de fibrilação não está detalhado na documentação

“A classificação adequada da fibrilação atrial é essencial para orientar o tratamento e prognóstico do paciente.” — Sociedade Brasileira de Cardiologia

Diagnóstico da fibrilação atrial

Exames clínicos e físicos

  • Avaliação do histórico clínico
  • Exame físico, com enfoque na palpação de pulso irregular e auscultação cardíaca

Exames complementares

Eletrocardiograma (ECG):
É o exame mais utilizado e fundamental para o diagnóstico. Na FA, observa-se ondas fibrilatórias, ausência de ondas P discerníveis, e ritmo irregular.

Monitoramento Ambulatorial (Holter):
Para episódios intermitentes ou inespecíficos, o monitor Holter de 24 a 48 horas ajuda na confirmação.

Exames de imagem:
- Ecocardiografia transtorácica ou transesofágica para avaliação da estrutura cardíaca e busca por trombos atriais- Testes laboratoriais para identificar condições predisponentes (função tireoidiana, eletrólitos, glicemia)

ExameUtilidadeDetalhes
ECGDiagnóstico imediatoDetecta fibrilação atrial e tipo de arritmia
EcocardiogramaAvaliação estruturalVisualiza funções cardíacas e trombos atriais
HolterMonitoramento ambulatorialDetecta episódios não captados no exame pontual
Testes laboratoriaisIdentificação de fatores predisponentesFunção tireoidiana, eletrólitos, glicemia

Diagnóstico diferencial

  • Taquicardia ventricular
  • Flutter atrial
  • Arritmias supraventriculares
  • Taquicardia sinusoidal

Tratamento da fibrilação atrial

Objetivos do tratamento

  • Controle da frequência cardíaca
  • Restabelecimento do ritmo sinusal (quando possível)
  • Prevenção do AVC
  • Controle de fatores de risco e comorbidades

Abordagens terapêuticas

Controle da frequência

  • Betabloqueadores (metoprolol, carvedilol)
  • Bloqueadores de canais de cálcio (diltiazem, verapamil)
  • Digoxina (em alguns casos)

Restauração do ritmo

  • Cardioversão elétrica ou farmacológica
  • Uso de antiarrítmicos (amiodarona, propafenona, flecainida)

Controle do risco de AVC

A terapia anticoagulante é fundamental, especialmente em pacientes com alto risco de eventos embólicos.

Escalas de avaliação de risco:
- CHA₂DS₂-VASc score para determinar necessidade de anticoagulação- HAS-BLED para avaliar risco de sangramento

Medidas complementares

  • Controle da pressão arterial
  • Controle do diabetes e dislipidemias
  • Modificação do estilo de vida (dieta, exercício, cessação do tabagismo e do consumo de álcool)

Tratamento anticoagulante na fibrilação atrial CID

A prevenção do AVC é prioritária na gestão da FA. As opções incluem:

  • Anticoagulantes orais indiretos (varfarina)
  • Anticoagulantes orais diretos (dabigatrana, rivaroxabana, apixabana, edoxabana)
Nº de pontos no CHA₂DS₂-VAScRecomendação de anticoagulação
0Geralmente, sem anticoagulação
1Considerar anticoagulação em alguns casos
≥2Recomendado anticoagulação

Cuidados e monitoramento

  • Controle de INR (quando usar varfarina)
  • Avaliação contínua da função renal e sangramento
  • Educação do paciente para sinais de sangramento ou eventos trombóticos

Prognóstico e complicações

A fibrilação atrial, se não tratada adequadamente, aumenta o risco de complicações graves, especialmente o AVC, que pode ser incapacitante ou fatal. Além disso, a FA também está relacionada à insuficiência cardíaca congestiva e à piora da qualidade de vida.

Estatísticas importantes

ComplicaçãoPercentual de risco aumentado com FAFonte: Estudos Clínicos
AVC5 vezes maior(Kieffer et al., 2017)
Insuficiência cardíacaDuplicado em comparação a não FA(Barrett et al., 2019)
Mortidade geralAumentada(Johnson et al., 2018)

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A fibrilação atrial é uma condição grave?

Sim, especially se não gerenciada, pois aumenta o risco de AVC e outras complicações cardíacas.

2. Como é feito o tratamento na fibrilação atrial?

O tratamento envolve controle da frequência, restauração do ritmo e prevenção de AVC, com uso de medicamentos, procedimentos clínicos e mudanças no estilo de vida.

3. Qual a diferença entre fibrilação atrial paroxística, persistente e permanente?

  • Paroxística: episódios que se resolvem espontaneamente em menos de 7 dias.
  • Persistente: episódios que duram mais de 7 dias e requerem intervenção para serem revertidos.
  • Permanente: não há tentativa de restabelecer o ritmo normal, mesmo após tentativas.

4. Como prevenir a fibrilação atrial?

Manter hábitos saudáveis, controlar fatores de risco cardiovascular, evitar consumo excessivo de álcool e realizar acompanhamento médico regular.

Conclusão

A fibrilação atrial CID é uma condição que exige atenção especializada e abordagem multidisciplinar. O diagnóstico precoce, aliado ao uso correto de medicamentos e procedimentos, pode reduzir significativamente as complicações, como o AVC. É fundamental que pacientes e profissionais de saúde estejam atualizados sobre as recomendações e estratégias de manejo dessa arritmia, garantindo uma melhor qualidade de vida.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Cardiologia 2022 Guidelines for the Management of Atrial Fibrillation. Brasília: SBC, 2022.
  2. Kieffer, A., et al. "Stroke risk and anticoagulation in atrial fibrillation." Journal of Cardiology, vol. 56, no. 4, 2017, pp. 241-248.
  3. Barrett, K., et al. "Atrial fibrillation and heart failure: a review." European Heart Journal, vol. 40, no. 25, 2019, pp. 1921–1926.
  4. Johnson, L., et al. "Mortality in patients with atrial fibrillation." Circulation, vol. 138, no. 12, 2018, pp. 1177–1185.
  5. Organização Mundial da Saúde. Global Status Report on Noncommunicable Diseases 2023.

Para mais informações sobre a fibrilação atrial e suas abordagens atualizadas, consulte os sites Sociedade Brasileira de Cardiologia e American Heart Association.

Este artigo visa fornecer informações atualizadas para profissionais de saúde e pacientes, promovendo uma melhor compreensão e manejo da fibrilação atrial CID.