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Febre: Esclareça Como Classificar e Diagnosticar com CID

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A febre é um dos sintomas mais comuns que levam pacientes a procurar atendimento médico. Apesar de ser um sinal de que algo não está bem no organismo, ela pode ter diversas causas e, por isso, sua classificação e diagnóstico adequado são essenciais para orientar o tratamento. Neste artigo, vamos aprofundar o entendimento sobre a febre, como ela é classificada, os principais fatores que levam ao seu aparecimento, e como utilizar o CID (Código Internacional de Doenças) para registrar o diagnóstico de forma padronizada.

Introdução

A febre é uma resposta fisiológica do corpo a uma variedade de condições, incluindo infecções, processos inflamatórios, câncer, reações medicamentosas, entre outras. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), compreender a causa da febre é fundamental para determinar a conduta clínica adequada. Com o uso do CID, profissionais de saúde podem fazer registros precisos, facilitando o acompanhamento epidemiológico e o planejamento de ações de saúde pública.

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Ao longo deste artigo, abordaremos:

  • Como classificar a febre
  • Diagnóstico diferencial
  • Como identificar a causa da febre usando o código CID
  • Perguntas frequentes
  • Conclusão e referências

Como Classificar a Febre

A classificação da febre pode variar dependendo da sua duração, intensidade e padrão. Essa classificação ajuda na avaliação clínica e na escolha do tratamento adequado.

Febre Aguda

Definição: Febre que dura até 7 dias. Geralmente relacionada a infecções agudas, como resfriados, gripes ou infecções bacterianas pontuais.

Sinais comuns:

  • Início súbito
  • Pico de temperatura elevado
  • Pode vir acompanhado de outros sintomas, como dor, fadiga ou diarreia

Febre Persistente ou Crônica

Definição: Febre que dura mais de 14 dias, podendo se estender por semanas.

Sinais comuns:

  • Temperatura elevada ao longo do tempo
  • Pouca resposta ao tratamento inicial
  • Pode estar relacionada a doenças crônicas, como tuberculose ou doenças autoimunes

Febre Recorrente ou Onde (Fever of Unknown Origin - FUO)

Definição: Febre que ocorre intermitentemente ou de forma contínua, por mais de três semanas, sem causa aparente após investigação inicial.

| Classificação             | Duração                         | Características                                           ||-|--||| Febre Aguda               | até 7 dias                     | Geralmente de início súbito, relacionada a infecção aguda || Febre Persistente        | mais de 14 dias                | Dificuldade de identificar causa, febre contínua      || Febre Recorrente (FUO)    | mais de 3 semanas, intermitente ou contínua | Difícil de identificar causa, requer diagnóstico detalhado |

Diagnóstico Diferencial da Febre

Classificar a febre é apenas o primeiro passo. Para determinar a causa, é necessário realizar um diagnóstico diferencial abrangente.

Causas Infecciosas

  • Bacterianas: pneumonia, meningite, febre tifóide
  • Virais: dengue, chikungunya, HIV
  • Fúngicas: histoplasmose, candidíase
  • Parasitárias: malária, leishmaniose

Causas Inflamatórias e Autoimunes

  • Artrite reumatoide
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Vasculites

Causas Neoplásicas

  • Linfomas
  • Leucemias

Outras Causas

  • Reações a medicamentos
  • Doenças endócrinas, como hipertireoidismo
  • Doenças metabólicas

Como Classificar a Febre com Código CID

Utilizar o CID para classificar a febre é fundamental para o registro clínico e epidemiológico. A seguir, apresentamos os principais códigos relacionados às febres de diferentes causas.

Códigos CID relacionados à Febre

Código CIDIndicaçãoDescrição
R50.0Febre de origem desconhecidaFebre de causa não esclarecida após exame inicial
A20.9Cólera e suas complicaçõesFebre relacionada a doenças bacterianas específicas
B50-B54Febre tifóide e demais febres tifoidesFebre causada por Salmonella typhi e paratyphi
B59Toxoplasmose não especificadaPode apresentar febre em estágios iniciais
A15-A19TuberculoseFebre associada à tuberculose
C85-C96Neoplasmas malignosFebre como sintoma associado a certos cânceres
M10-M14Doenças reumáticas e autoimunesFebre de origem autoimune

Para registrar uma febre de origem não esclarecida, o código recomendado é R50.0.

Como utilizar o CID na prática clínica?

O uso do CID permite padronizar o diagnóstico e facilitar a comunicação entre profissionais de saúde, além de possibilitar a coleta de dados epidemiológicos. Segundo a OMS, “a classificação correta das doenças através do CID é essencial para o planejamento e avaliação de políticas de saúde.”

Como Proceder na Investigação Clínica

A investigação clínica deve seguir etapas sistemáticas:

  1. História Clínica

  2. Duração e padrão da febre

  3. Outros sintomas presentes
  4. Histórico de viagens
  5. Uso de medicamentos
  6. Exposições ou contatos com doenças transmissíveis

  7. Exame Físico Detalhado

  8. Avaliação de sinais de infecção

  9. Exame de linfonodos, pele, mucosas
  10. Avaliação de órgãos internos

  11. Exames Complementares

  12. Hemograma completo

  13. Hemocultura
  14. Raio-X de tórax
  15. Exames de função hepática e renal
  16. Testes específicos, como sorologias e PCR

Perguntas Frequentes

1. Qual é a diferença entre febre contínua, intermitente e recorrente?

Resposta:

  • Febre contínua: Temperatura elevada ao longo de 24 horas sem queda significativa.
  • Febre intermitente: Altas temperaturas que cessam por períodos, retornando posteriormente.
  • Febre recorrente: Episódios de febre com períodos sem febre entre eles.

2. Quando procurar atendimento médico imediato?

Resposta:**

Procure atendimento se a febre for muito elevada (acima de 39°C), persistente por mais de 3 dias, acompanhada de dificuldade respiratória, confusão, convulsões ou sinais de desidratação.

3. Como o CID ajuda na luta contra doenças transmissíveis?

Resposta:

O uso do CID facilita o monitoramento estatístico, identificação de surtos e planejamento de ações de saúde pública, contribuindo para o controle de doenças.

4. Qual o papel da febre na identificação de doenças?

Resposta:

A febre funciona como um sinal indicativo de que o organismo está reagindo a um processo patologico, podendo ajudar a orientar o diagnóstico diferencial.

Conclusão

A febre é um sintoma comum e multifacetado que requer atenção cuidadosa na classificação e diagnóstico. Compreender os diferentes padrões de febre, suas causas e como usar o CID para registrá-la corretamente são passos fundamentais para uma conduta clínica eficaz. A investigação detalhada, aliada ao uso adequado das codificações do CID, contribui para o diagnóstico mais rápido e preciso, promovendo uma melhor assistência ao paciente.

Investir na atualização contínua sobre as classificações de doenças e na prática clínica baseada em evidências é essencial para a melhora contínua do atendimento em saúde.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-10 – Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição. Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2016/en

  2. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. Febre de Origem Desconhecida. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

  3. Silva, M. B., & Pereira, A. L. (2021). Febre: etiologia, diagnóstico e classificação clínica. Revista Brasileira de Medicina. 78(2): 123-131.

  4. Citação: “A classificação adequada dos sintomas e o uso correto do CID garantem um registro mais preciso e uma melhor intervenção clínica.” — Organização Mundial da Saúde

Esperamos que este artigo tenha esclarecido suas dúvidas sobre a classificação e diagnóstico da febre com o uso do CID. Se você busca otimizar seus conhecimentos em saúde, continue acompanhando conteúdos atualizados e confiáveis.