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Exercícios Passivo Assistido: Técnicas e Benefícios para Reabilitação

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A reabilitação física é um processo fundamental para recuperar funções motoras e promover a qualidade de vida de indivíduos que sofreram lesões, cirurgias ou doenças que comprometem a mobilidade. Nesse contexto, os exercícios passivo assistido emergem como uma técnica eficiente e amplamente utilizada por fisioterapeutas para facilitar a recuperação muscular e articular. Este método combina movimentos passivos com a assistência do profissional ou de dispositivos específicos, permitindo que o paciente participe ativamente do processo de reabilitação. Neste artigo, exploraremos em detalhes as técnicas, benefícios, aplicações e dúvidas frequentes relacionadas aos exercícios passivos assistidos.

O que são Exercícios Passivos Assistidos?

Definição

Exercícios passivos assistidos são movimentos realizados na articulação ou músculo sem a necessidade de esforço ativo por parte do paciente, mas com a assistência de um terapeuta, máquina ou aparelho. O objetivo é promover a mobilidade, prevenir contraturas e melhorar a amplitude de movimento (ADM), especialmente em pacientes com limitações graves de força ou controle muscular.

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Como funcionam

Durante esses exercícios, o fisioterapeuta ou o equipamento move as partes do corpo do paciente de forma controlada, respeitando seus limites. O paciente não realiza esforço consciente, sendo, portanto, uma técnica passiva, porém com intervenção assistida para facilitar o movimento.

Técnicas de Exercícios Passivo Assistido

1. Movimentação Manual Assistida

Consiste na realização de movimentos passivos pelo fisioterapeuta, que ajuda o paciente a atingir a amplitude desejada. É indicado para pacientes com fraqueza muscular ou na fase inicial de recuperação.

2. Uso de Dispositivos Mecânicos

Dispositivos como ciclocomputadores, braços robóticos e mesas de mobilização automatizada são utilizados para fornecer movimentos controlados de forma contínua ou intercalada.

3. Técnicas de Ritmo e Velocidade

O profissional ajusta a velocidade e o ritmo do movimento, promovendo uma resposta neuromuscular adequada e evitando dor ou desconforto. Essas técnicas podem incluir movimentos lentos e constantes ou movimentos mais rápidos, dependendo do estágio do tratamento.

4. Técnicas Complementares

  • Estiramentos passivos: alongamentos realizados durante os exercícios passivos assistidos para melhorar a flexibilidade.
  • Mobilizações articulares: movimentos suaves para melhorar a lubrificação das articulações e diminuir a rigidez.

Benefícios dos Exercícios Passivos Assistidos

BenefícioDescrição
Aumento da amplitude de movimento (ADM)Facilita a recuperação da mobilidade articular limitada por imobilização ou contraturas.
Prevenção de contraturasEvita a rigidez muscular e articular, preservando a funcionalidade.
Melhora da circulação sanguíneaPromove o fluxo sanguíneo, auxiliando na cicatrização e redução de inchaços.
Redução da dorMovimentos suaves ajudam a diminuir o desconforto durante a reabilitação.
Estímulo neuromuscularFavorece a reiniciação dos comandos nervosos e musculares, preparando para exercícios ativos.
Facilitação na recuperação de lesõesAcelera o processo de cura e retorno às atividades normais.
Hidratação e lubrificação das articulaçõesMovimentos contínuos promovem a saúde das estruturas articulares.

Como cita Albert Einstein: "A educação é o que sobrevive quando esquecemos o que aprendemos." Para reabilitação, a técnica adequada e o conhecimento técnico são essenciais para resultados duradouros.

Aplicações dos Exercícios Passivo Assistido

Pacientes com lesões neurológicas

Indivíduos com AVC, paralisia cerebral ou lesões na medula espinhal podem se beneficiar desses exercícios para recuperar mobilidade e prevenir complicações.

Pós-operatório ortopédico

Após cirurgias como troca de prótese, artroplastias ou reparos de ligamentos, os exercícios auxiliam na retomada gradual da movimentação.

Pacientes idosos

Auxiliam na manutenção da flexibilidade e prevenção de atrofias musculares, promovendo maior autonomia.

Reabilitação cardiopulmonar

Auxiliam na circulação sanguínea e no fortalecimento de músculos respiratórios.

Como Integrar os Exercícios Passivo Assistido na Reabilitação

Avaliação inicial

Antes de iniciar, o fisioterapeuta avalia a amplitude de movimento, força muscular e dor do paciente para determinar a técnica e intensidade adequada.

Planejamento do tratamento

Definir a frequência, duração, velocidade e intensidade do exercício. Normalmente, sessões variam de 15 a 30 minutos, várias vezes ao dia.

Monitoramento contínuo

Ajustar as técnicas com base na resposta do paciente, sempre priorizando conforto e segurança.

Dicas importantes

  • Sempre respeitar os limites do paciente.
  • Utilizar lubrificação adequada para facilitar os movimentos.
  • Observar sinais de dor ou desconforto e interromper o exercício se necessário.
  • Incorporar os exercícios passivos assistidos com outros métodos, como exercícios ativos e passivos tradicionais.

Cuidados e Contraindicações

Embora sejam seguros na maioria dos casos, os exercícios passivos assistidos devem ser realizados com cautela. Algumas contraindicações incluem:

  • Inflamação aguda ou infecção na articulação.
  • Fraturas recentes ou instabilidade articular.
  • Dor intensa ou agravamento dos sintomas durante o movimento.
  • Pacientes com hipertensão arterial descontrolada.
  • Após cirurgias sem hábil liberação do médico.

Importante: Sempre consultar um profissional de saúde qualificado antes de iniciar qualquer programa de reabilitação.

Perguntas Frequentes

1. Quais são as diferenças entre exercícios passivos, ativos e passivo assistido?

  • Exercícios passivos: realizados apenas pelo fisioterapeuta ou equipamento, sem esforço do paciente.
  • Exercícios ativos: realizados pelo próprio paciente, fortalecendo músculos e melhorando coordenação.
  • Exercícios passivo assistido: combinação em que o profissional ou máquina ajuda o paciente a realizar movimentos que ele não consegue fazer de forma independente.

2. Quanto tempo leva para ver os resultados?

O período varia dependendo da condição do paciente, gravidade da lesão, frequência dos exercícios e outros fatores. Geralmente, melhorias iniciais podem ser percebidas em algumas semanas.

3. É possível fazer exercícios passivos assistidos em casa?

Sim, porém, deve ser sempre sob orientação de um profissional para evitar riscos e garantir a eficácia do tratamento.

4. Esses exercícios podem causar dor?

Movimentos feitos de forma correta não devem causar dor significativa. Caso ocorra, o exercício deve ser interrompido e ajustado.

5. Qual a frequência ideal para realizar esses exercícios?

Depende da fase da recuperação e da avaliação do fisioterapeuta, mas normalmente são recomendadas sessões de 2 a 3 vezes ao dia.

Conclusão

Os exercícios passivos assistidos representam uma ferramenta valiosa na reabilitação física, promovendo a recuperação da mobilidade, prevenindo complicações e acelerando o retorno às atividades diárias. A combinação de técnicas manuais, uso de dispositivos e planejamento adequado faz toda a diferença na efetividade do tratamento. Como afirmou o fisioterapeuta Charles Braithwaite: "A restauração do movimento é a chave para recuperar a independência e melhorar a qualidade de vida do paciente." Portanto, investir na sua aplicação correta é fundamental para o sucesso da reabilitação.

Para quem deseja aprofundar seus conhecimentos, recomendamos a leitura do site Fisioterapia Brasil e o artigo da Revista Brasileira de Fisioterapia, que oferecem atualizações e estudos atuais sobre técnicas de reabilitação.

Referências

  1. Brum, C. De S., & Fonseca, S. A. (2018). Reabilitação em fisioterapia: princípios e técnicas. Editora Atheneu.
  2. Santos, A. S., & Lima, G. T. (2020). Tecnologias assistivas na fisioterapia: uma revisão. Revista Brasileira de Fisioterapia.
  3. Gonçalves, B. A., & Silva, R. P. (2019). Mobilizações e exercícios passivos na recuperação ortopédica. Fisioterapia em Movimento.
  4. Ministério da Saúde. Diretrizes para reabilitação fisioterapêutica. https://saude.gov.br