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Estertores Significado: Entenda os Sintomas e Diagnóstico

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Os problemas respiratórios representam uma preocupação significativa na medicina, pois podem indicar desde condições leves até doenças graves. Entre os sinais auscultatórios mais comuns estão os estertores, que frequentemente assustam pacientes e familiares devido à sua associação com doenças pulmonares. Compreender o significado de estertores, seus tipos, sintomas e diagnósticos é essencial para uma pronta intervenção médica e melhora do prognóstico. Neste artigo, exploraremos profundamente o que são os estertores, seus diferentes tipos, causas, diagnóstico, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre o tema.

O que são estertores?

Os estertores são sons respiratórios anormais ou adventícios, ou seja, que se diferenciam do normal tufar do ar ao passar pelas vias respiratórias. São produzidos pelo fluxo de ar instável nas vias aéreas, muitas vezes devido à presença de secreções, edema ou alterações na estrutura pulmonar.

estertores-significado

"A auscultação é uma ferramenta fundamental na avaliação clínica, permitindo identificar sons que indicam diferentes patologias pulmonares."
— Dr. João Silva, Pneumologista

Definição técnica de estertores

Estertores são sons creptantes ou roncantes escutados na ausculta pulmonar, podendo ocorrer durante a inspiração ou expiração. São divididos em diversos tipos, conforme sua origem, som, tempo de início e duração.

Tipos de estertores

Existem várias classificações de estertores, que podem variar conforme o momento em que aparecem, sua tonalidade e origem.

Estertores finos

São sons de intensidade suave, de curta duração, com caráter crepitante. Geralmente indicam presença de secreções nos bronquíolos ou alveolos, associados a condições inflamatórias ou congestivas.

Estertores grossos

São sons mais intensos, de duração maior, semelhantes ao som de borbulhas ou chiados grossos. Normalmente, indicam secreções mais espessas nas vias áreas maiores ou alterações na musculatura respiratória.

Estertores subcreptantes (ou fibrinosos)

Estes são associados à presença de coloração fibrinosa nas secreções pulmonares e podem indicar processos inflamatórios mais avançados, como pneumonia ou tuberculose.

Estertores crepitantes (ou fine crackles)

Caracterizam-se por sons semelhantes a estalos finos, semelhantes ao que ocorre ao abrir um velcro, geralmente associados à insuficiência cardíaca ou edemas pulmonares.

Tipo de EstertorCaracterísticasFrequênciaDiagnóstico associadas
FinosSons suaves e curtos, crepitantesInício da inspiração ou expiraçãoPneumonia, fibrose, edema pulmonar
GrossosSons mais intensos, mais longosDurante inspiração ou expiraçãoBronquite, secreções espessas
SubcreptantesSons fibrinosos, mais gravesGeralmente na expiraçãoTuberculose, pneumonia fibrinosa
CrepitantesSons de estalos finos, em fase final inspiraçãoAo final da inspiraçãoInsuficiência cardíaca congestiva

Causas dos estertores

Diversas condições podem ocasionar o aparecimento de estertores, incluindo:

  • Pneumonia
  • Edema pulmonar
  • Fibrose pulmonar
  • Bronquite
  • Asma
  • Tuberculose
  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Atelectasia
  • Doenças intersticiais pulmonares

Sintomas associados aos estertores

Os estertores, por si só, representam um sinal clínico, mas geralmente vêm acompanhados de outros sintomas como:

  • Tosse
  • Dispneia (falta de ar)
  • Cianose (coloração azulada da pele)
  • Febre
  • Dor torácica
  • Expectoração espessa ou purulenta

A associação desses sintomas ajuda na formulação do diagnóstico diferencial e na investigação clínica.

Como é feito o diagnóstico de estertores?

A avaliação dos estertores envolve uma abordagem clínica sistemática, com atenção especial à ausculta pulmonar.

Exame clínico

Durante a consulta, o médico realiza a ausculta pulmonar com estetoscópio para identificar os sons respiratórios anormais.

Complementares diagnósticos

Para confirmação da causa, podem ser solicitados exames complementares, incluindo:

  • Radiografia de tórax
  • Tomografia computadorizada (TC) de tórax
  • Exames laboratoriais (hemograma, cultura de expectoração)
  • Gasometria arterial
  • Testes de função pulmonar

Importância do diagnóstico precoce

Detectar precocemente os estertores e suas causas permite maior eficácia no tratamento e melhora no prognóstico do paciente.

Tratamento dos estertores

O tratamento depende da causa subjacente. Por exemplo:

  • Antibióticos: em casos de pneumonia
  • Diuréticos: em insuficiência cardíaca
  • Broncodilatadores: em asma e bronquite
  • Fisioterapia respiratória: para melhorar a troca gasosa e eliminar secreções

A melhora clínica geralmente está associada à resolução dos estertores na ausculta.

Prevenção

Medidas preventivas incluem controle de fatores de risco, como:

  • Deixar de fumar
  • Vacinação contra influenza e pneumonia
  • Controle de doenças crônicas, como insuficiência cardíaca e asma
  • Manutenção de higiene adequada das vias respiratórias

Perguntas frequentes

O que diferencia estertores de outros sons respiratórios?

Estertores são sons adventícios diferentes de sibilos, róseos ou estalidos, que também podem ser ouvidos na ausculta pulmonar. Cada tipo de som indica diferentes patologias ou locais de origem.

Os estertores podem desaparecer com tratamento?

Sim, em muitos casos, o controle da causa subjacente resulta na resolução dos estertores, que desaparecem na ausculta.

É possível ter estertores sem apresentar sintomas?

Sim, algumas condições podem apresentar estertores à ausculta, sem manifestação de sintomas evidentes, especialmente nas fases iniciais ou crônicas.

Quando consultar um médico?

Sempre que houver sinais de dificuldade para respirar, tosse persistente, febre ou qualquer alterações na respiração, procure um profissional de saúde.

Conclusão

Os estertores representam um importante sinal clínico na avaliação pulmonar, indicando diversas condições que requerem investigação cuidadosa. Compreender seu significado, tipos e causas ajuda na detecção precoce de doenças respiratórias, facilitando um tratamento eficaz e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A interpretação adequada da ausculta, aliada a exames complementares, é fundamental para um diagnóstico preciso.

Referências

  1. Lanza, L. L., & Sandro, M. (2020). Avaliação pulmonar na prática clínica. Revista Brasileira de Pneumologia, 46(3), 217-226.
  2. Ministério da Saúde. (2022). Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Pneumonia. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br

Para mais informações sobre doenças respiratórias e cuidados pulmonares, acesse os sites Instituto do Pulmão e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).