Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico CID: Guia Completo para Entender
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH), também conhecido pelo código CID-10 como E11.0, é uma complicação grave do diabetes mellitus, caracterizada por níveis extremamente elevados de glicose no sangue e aumento da osmolaridade plasmática, sem cetoacidose significante. Sua complexidade e potencial risco à vida requerem entendimento aprofundado por parte de profissionais da saúde e pacientes, a fim de promover o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre o EHH CID, abordando seus aspectos clínicos, diagnóstico, tratamento, fatores de risco e prevenção, além de esclarecer dúvidas frequentes.

O que é o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH)?
Definição
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico é uma emergência metabólica caracterizada por hiperGlicemia extrema, aumento da osmolaridade plasmática (>320 mOsm/kg), desidratação severa, mas com pouca ou nenhuma cetoacidose. É uma complicação típica do diabetes tipo 2, embora possa ocorrer em qualquer tipo de diabetes.
Códigos CID relacionados
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| E11.0 | Diabetes mellitus com cetoacidose |
| E11.1 | Diabetes mellitus com coma Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) |
| E11.6 | Diabetes mellitus com nefropatia diabética |
Fonte: WHO ICD-10
Causas e Fatores de Risco
Principais Causas
- Descontrole do diabetes: Falta de adesão ao tratamento ou automedicação inadequada.
- Infecções: Pneumonia, infecção urinária, sepse.
- Uso de medicamentos: Corticoides, diuréticos.
- Estresse de cirurgia ou trauma.
- Desidratação: Por vômitos, diarreia ou sudorese excessiva.
Fatores de risco
| Fator de Risco | Descrição |
|---|---|
| Idade avançada | Idosos possuem maior predisposição devido a doenças associadas. |
| Condições de desnutrição | Baixa ingestão de líquidos, favorecendo a desidratação. |
| Histórico de diabetes | Pacientes com diagnóstico prévio de DM tipo 2. |
| Resistência à insulina | Além de má adesão ao tratamento, devido a resistência do organismo. |
Sintomas do EHH
Sintomas principais
- Sede intensa e poliúria: Muitas vezes acompanhada de desidratação severa.
- Fraqueza, fadiga e confusão mental.
- Visão turva.
- Falta de apetite.
- Músculos enrijecidos ou cãibras.
- Perda de peso significativa.
Sinais de gravidade
- Desidratação extrema.
- Estado de confusão ou coma.
- Hipotensão postural.
- Taquicardia.
Diagnóstico
Critérios laboratoriais
| Parâmetro | Valor de referência |
|---|---|
| Glicemia plasmática | > 600 mg/dL |
| Osmolaridade plasmática | > 320 mOsm/kg |
| pH | Normal ou levemente alterado (não cetoacidose significativa) |
| Cetonas no sangue ou urina | Ausentes ou leves |
Procedimentos adicionais
- Hemograma completo.
- Creatinina e eletrólitos.
- Gasometria arterial.
- Cultura de sangue e urina para identificar infecções.
Diagnóstico diferencial
- Cetoacidose diabética.
- Hiperosmolar não cetótico.
- Outras causas de desidratação aguda.
Tratamento do EHH
Objetivos principais
- Reidratação adequada.
- Correção da glicemia.
- Correção dos eletrólitos.
- Tratamento de possíveis causas secundárias (infecções e outros fatores).
Etapas do tratamento
1. Reidratação
O reposicionamento de líquidos é prioridade e deve ser feito de forma gradual para evitar complicações como edema cerebral.
| Tipo de solução | Quanto administrar | Frequência |
|---|---|---|
| Soro fisiológico 0,9% | 15-20 mL/kg/h nos primeiros 1-2 horas | Doses iniciais rápidas |
| Manutenção ou segunda fase | Ajuste conforme estado clínico e eletrólitos | Com controle de eletrólitos |
2. Correção da glicemia
- Insulina de ação rápida, geralmente via bolo seguido de infusão contínua.
- Monitorar glicemia a cada 1 hora inicialmente.
3. Correção dos eletrólitos
- Monitoramento frequente de potássio, sódio, e outros eletrólitos.
- Repor potássio assim que as taxas de glicose estiverem controladas e os níveis permitirem.
4. Tratamento de causas secundárias
- Tratamento de infecções, suporte respiratório, correção de outras condições associadas.
Cuidados adicionais
- Evitar correção rápida da osmolaridade para prevenir edema cerebral.
- Controle rigoroso da glicemia e eletrólitos.
Como prevenir o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico?
- Adesão ao tratamento do diabetes.
- Monitoramento regular da glicose.
- Manutenção da hidratação adequada.
- Controle de infecções oportunistas.
- Educação do paciente sobre sinais de alerta.
Para uma compreensão mais aprofundada sobre gestão do diabetes, consulte o site da Associação Brasileira de Diabetes ABCD.
Tabela Resumida do EHH CID
| Aspecto | Descrição |
|---|---|
| Código CID | E11.1 (Diabetes mellitus com coma hiperosmolar hiperglicêmico) |
| Características | Hiperglicemia extrema, osmolaridade > 320 mOsm/kg, pouca cetoacidose, desidratação severa |
| Sintomas | Sede intensa, confusão, fraqueza, visão turva, confusão, perda de peso |
| Tratamento | Reidratação, insulina, correção de eletrólitos, tratamento da causa primária |
| Prognóstico | Variável, com risco de morte em casos não tratados ou diagnosticados tardiamente |
Perguntas Frequentes
1. Qual a diferença entre cetoacidose diabética e EHH?
A cetoacidose diabética é caracterizada por hiperglicemia com acúmulo de corpos cetônicos e ph sanguíneo baixo, enquanto o EHH apresenta hiperGlicemia extremamente elevada e osmolaridade elevada, mas com pouca ou nenhuma cetoadose. Além disso, o EHH tende a ocorrer em pacientes mais velhos e com maior grau de desidratação.
2. Quanto tempo leva para o EHH se desenvolver?
O desenvolvimento pode ocorrer em questão de dias ou semanas, especialmente em pacientes com má adesão ao tratamento ou descontrole glicêmico prolongado.
3. Como saber se estou desidratado?
Sintomas incluem sede intensa, boca seca, tontura, confusão, taquicardia e pouca produção de urina.
Conclusão
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) é uma emergência médica que exige pronta intervenção para evitar complicações graves e óbito. Sua prevenção depende do controle adequado do diabetes, adesão ao tratamento e atenção a sinais de alerta. Com diagnóstico precoce e tratamento rigoroso, a maioria dos pacientes consegue recuperação completa, porém, é fundamental a educação contínua e acompanhamento multidisciplinar.
Como afirmou o endocrinologista Dr. José Carlos Pereira:
"O sucesso no tratamento do EHH depende de uma rápida resposta clínica e do controle rigoroso das variáveis metabólicas, além da atenção às causas secundárias."
Referências
- American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023. Diabetes Care, 46(Supplement 1), S1-S196.
- World Health Organization. International Classification of Diseases (ICD-10). Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2016/en
- Silva, M. L., et al. (2020). Complicações agudas do diabetes mellitus. Revista Brasileira de Diabetes, 22(3), 123-130.
- Ministério da Saúde. Protocolos de assistência ao paciente com DM. Disponível em: https://saúde.gov.br/
Recursos adicionais
Para mais informações sobre o manejo do diabetes e suas complicações, acesse o Portal da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Este guia foi elaborado para fornecer uma compreensão completa e atualizada sobre o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico CID, promovendo uma abordagem mais segura e eficiente no cuidado ao paciente.
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