Escaras CID: Diagnóstico, Classificação e Cuidados para sua Saúde
As escaras, também conhecidas como úlceras de pressão ou feridas de decúbito, representam uma preocupação significativa na área da saúde, especialmente para pacientes com mobilidade reduzida. Quando não monitoradas e tratadas adequadamente, essas feridas podem evoluir, causando complicações sérias e comprometendo a qualidade de vida. No Sistema Internacional de Classificação de Doenças (CID), as escaras estão categorizadas sob diferentes códigos, facilitando sua identificação, diagnóstico e tratamento por profissionais de saúde.
Este artigo tem como objetivo aprofundar o entendimento sobre as escaras, abordando seu diagnóstico, classificação segundo o CID, cuidados necessários e estratégias de prevenção, contribuindo para a promoção de uma assistência mais eficiente e humanizada.

O que são escaras?
As escaras, ou úlceras de pressão, são lesões que ocorrem devido à compressão prolongada dos tecidos moles entre uma superfície externa e uma proeminência óssea. Essa compressão reduz o fluxo sanguíneo para a região, levando à necrose ou morte do tecido.
Causas e fatores de risco
Entre os principais fatores de risco estão:
- Imobilidade prolongada
- Imobilização por doenças neurológicas
- Nutrição inadequada
- Idade avançada
- Mau alinhamento corporal
- Fraturas ou deformidades ósseas
- Uso de dispositivos de retenção ou imobilização
Diagnóstico das escaras (CID)
O diagnóstico das escaras é realizado através de avaliação clínica detalhada, considerando a história do paciente, exame físico e, quando necessário, utilização de imagens. Para fins de documentação e codificação, o CID-10 oferece códigos específicos para diferentes tipos de feridas de decúbito.
Código CID relacionado às escaras
| Código CID | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| L89.0 | Escara de repouso do calcanhar | Localizadas em torno do tornozelo e calcanhar |
| L89.1 | Escara de repouso do calcanhar, com infecção | Quando há sinais de infecção na ferida |
| L89.2 | Escara de repouso do quadril | Comum em pacientes acamados |
| L89.3 | Escara de repouso do trocânter maior | Região do quadril, mais frequente em idosos |
| L89.4 | Escara de repouso do sacro | Uma das mais prevalentes entre idosos |
| L89.8 | Outras escaras de repouso | Para locais específicos não listados |
| L89.9 | Escara de repouso, não especificada | Quando o local não foi determinado |
Segundo a Organização Mundial da Saúde, "a prevenção de complicações deriva de um diagnóstico precoce e adequado, aliado a cuidados multidisciplinares." (OMS, 2020)
Classificação das escaras segundo o estágio
A classificação das escaras é fundamental para orientar o tratamento adequado. Ela varia de acordo com a profundidade e a extensão do tecido afetado.
Estágios das escaras
| Estágio | Descrição | Características |
|---|---|---|
| Estágio 1 | Vermelhidão não desaparecendo após alívio de pressão | Área avermelhada, não ulcerada, com possível edema ou calor local |
| Estágio 2 | Perda parcial da pele, apresentando ferida superficial | Detecção de alargamento, com ou sem formação de bolhas ou amostras de tecido de granulação |
| Estágio 3 | Perda de tecido com lesão total da pele, podendo atingir tecido subcutâneo | A ferida apresenta profundidade maior, podendo revelar tecido de granulação |
| Estágio 4 | Perda de tecido com exposição de músculo, osso ou estruturas profundas | Lesão extensa, com necrose de tecidos, podendo envolver estruturas internas |
Como identificar o estágio?
A avaliação clínica deve ser feita por um profissional capacitado, que irá determinar o estágio correto, guiando a conduta mais indicada.
Cuidados essenciais para prevenção e tratamento
Cuidados de enfermagem
- Mudança de posição: Realizar movimentação do paciente a cada duas horas para evitar pressão contínua.
- Higiene adequada: Manter a região limpa e seca, prevenindo infecções.
- Uso de curativos apropriados: Utilizar materiais que favoreçam o ambiente de cicatrização e proteção da ferida.
- Nutrição balanceada: Garantir ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais.
- Controle de umidade: Evitar excesso de suor ou transpiração, que podem agravar a ferida.
Tratamento médico
- Limpeza adequada da ferida
- Desbridamento de tecidos mortos
- Uso de medicamentos tópicos ou antibióticos, quando indicado
- Coberturas especiais e curativos avançados
- Enxertos de pele em casos graves
Cuidados específicos para cada estágio
| Estágio | Principais cuidados |
|---|---|
| Estágio 1 | Reduzir pressão, manter a pele limpa e hidratada, monitorar sinais de infecção |
| Estágio 2 | Cuidados com feridas superficiais, promover cicatrização e prevenir infecções |
| Estágio 3 | Desbridamento controlado, uso de curativos especializados, atenção à nutrienteiação |
| Estágio 4 | Intervenções cirúrgicas, enxertos de pele, controle de infeções, reabilitação muscular |
Estratégias de prevenção
A prevenção é a melhor estratégia para evitar o desenvolvimento de escaras. Algumas recomendações incluem:
- Conservação da mobilidade sempre que possível
- Uso de colchões e assentos específicos para redistribuição de pressão
- Educação do paciente e familiares sobre os cuidados diários
- Avaliação periódica da integridade cutânea por profissionais de saúde
- Controle de fatores de risco secundários, como má nutrição e incontinência urinária
Links externos relevantes:
- Ministério da Saúde - Cuidados na prevenção de escaras
- Sociedade Brasileira de Reabilitação - Guidelines para tratamento de úlceras de pressão
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Como saber se uma escara está infectada?
Sintomas como vermelhidão intensa, aumento do calor local, pus com odor, dor persistente e febre podem indicar infecção. É fundamental consultar um profissional de saúde para avaliação adequada.
2. Quanto tempo leva para cicatrizar uma escara?
O tempo de cicatrização varia de acordo com o estágio da ferida, condição de saúde do paciente e cuidados adotados. Pode levar semanas ou meses, especialmente em casos avançados.
3. É possível tratar escaras em casa?
Algumas feridas superficiais podem receber cuidados domiciliares sob orientação médica. No entanto, feridas mais graves requerem acompanhamento especializado para evitar complicações.
4. Como prevenir escaras em idosos?
Manter mobilidade adequada, usar dispositivos de redistribuição de pressão, garantir nutrição adequada e higiene são estratégias essenciais para prevenir escaras em idosos.
Conclusão
As escaras representam uma condição de saúde com potencial de comprometimento grave se não forem identificadas e tratadas precocemente. Inseridas na classificação CID, esses ferimentos recebem atenção especial na codificação, facilitando sua gestão clínica e administrativa.
A prevenção eficaz, combinada com o manejo clínico adequado, pode reduzir significativamente a incidência dessas lesões. Profissionais de saúde, pacientes e seus familiares devem estar atentos às ações preventivas e ao cuidado contínuo, promovendo uma melhor qualidade de vida.
Lembre-se: “Prevenir é sempre melhor que remediar”. Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde, ações preventivas e a educação são essenciais para promover a saúde e bem-estar.
Referências
Organização Mundial da Saúde. (2020). Cuidados na prevenção de escaras. Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/novembro/27/Cuidados-na-prevenção-de-escara.pdf
Sociedade Brasileira de Reabilitação. Guidelines para tratamento de úlceras de pressão. Disponível em: https://www.sbrt.org.br/guidelines/processo-de-cuidados
Considerações finais
Atuar com conhecimento, prevenção e cuidado às escaras é crucial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes mais vulneráveis. Essa abordagem multidisciplinar envolve profissionais de diversas áreas e reforça a importância de uma assistência humanizada, focada na promoção da saúde e na prevenção de complicações.
Seja proativo na sua atenção à saúde e lembre-se: a prevenção começa com o cuidado diário!
MDBF