Escala de Coma de Glasgow Atualizada: Guia Completo de Avaliação
A avaliação neurológica rápida e precisa é fundamental em casos de trauma cranioencefálico, acidentes, ou qualquer condição que possa afetar o estado de consciência de um paciente. Nesse contexto, a Escala de Coma de Glasgow (ECG) permanece como uma das ferramentas mais utilizadas mundialmente para classificar o grau de consciência e monitorar alterações ao longo do tempo. Com a evolução do conhecimento médico, a escala passou por atualizações que visam torná-la ainda mais eficiente e confiável.
Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo sobre a Escala de Coma de Glasgow Atualizada, abordando sua história, componentes, interpretação, aplicações clínicas, bem como responder às perguntas frequentes e fornecer referências relevantes.

Introdução
Desde sua criação na década de 1970 por teóricos do neurologista Bryan Jennett e Glen Teasdale, a Escala de Coma de Glasgow solidificou-se como padrão ouro na avaliação neurológica de pacientes com alterações de consciência. Sua simplicidade, objetividade e rápida aplicação fazem dela uma ferramenta indispensável em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), emergência, ambulatório e em pesquisa clínica.
Com o avanço na compreensão das condições neurológicas, alterações na escala foram propostas e implementadas — incluindo para melhor refletir as nuances de diferentes aspectos do funcionamento neurológico. As versões mais recentes buscam aumentar a sensibilidade na detecção precoce de deterioração neurológica, além de padronizar procedimentos de avaliação.
O Que é a Escala de Coma de Glasgow?
A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é um instrumento clínico que avalia o nível de consciência de um paciente com base em três componentes principais: resposta ocular, resposta verbal e resposta motora. Cada componente recebe uma pontuação que, somada, varia de 3 a 15 pontos, sendo que pontuações menores indicam maior grau de agressão neurológica ou profundidade do coma.
Componentes da Escala
| Componente | Descrição | Pontuação Máxima |
|---|---|---|
| Resposta Ocular | Avaliação da resposta dos olhos à estimulação | 4 pontos |
| Resposta Verbal | Avaliação da capacidade de fala e compreensão | 5 pontos |
| Resposta Motora | Avaliação da resposta motora a estímulos | 6 pontos |
Histórico e Evolução da Escala
Ao longo das décadas, a ECG passou por modificações com o intuito de aprimorar sua sensibilidade e objetividade. Algumas versões e adaptações importantes incluem:
- Versão original (1974): Introdução dos três componentes básicos.
- ESCALA de Glasgow revisada (2000): Inclusão de orientações mais claras para padronização da avaliação.
- Versões específicas para populações pediátricas: Ajustes nos critérios de avaliação verbal e motora para recém-nascidos e crianças.
- Atualizações recentes: Como a incorporação de critérios para avaliação de pacientes sedados ou intubados, que não conseguem verbalizar.
Como afirmou o neurologista Dr. João Carlos Oliveira, "a escala de Glasgow, com suas atualizações periódicas, permanece uma ferramenta clínica essencial e em constante evolução para melhorar a assistência neurológica."
Como Funciona a Escala de Coma de Glasgow Atualizada?
A avaliação é feita de forma rápida na rotina clínica, podendo ser concluída em poucos minutos. Cada componente possui critérios específicos que orientam a pontuação.
Resposta Ocular (Escala de 1 a 4)
| Pontuação | Resposta |
|---|---|
| 4 | Olhos abrem espontaneamente |
| 3 | Olhos abrem em resposta à estímulo verbal ou à dor |
| 2 | Olhos fechados, em resposta à estímulo doloroso |
| 1 | Olhos não abrem, mesmo sob estímulo |
Resposta Verbal (Escala de 1 a 5)
| Pontuação | Resposta |
|---|---|
| 5 | Orientado e conversando normalmente |
| 4 | Confuso, desorientado, fala incoerente |
| 3 | Palavra(s) obscura(s), fala incoerente |
| 2 | Somente ruídos incompreensíveis |
| 1 | Sem resposta verbal ou não avaliada |
(Para pacientes intubados ou sedados, a avaliação verbal é substituída por uma pontuação de 1, ou podem ser usados critérios adaptados específicos)
Resposta Motora (Escala de 1 a 6)
| Pontuação | Resposta |
|---|---|
| 6 | Obedece comandos |
| 5 | Localiza dor (responde à dor movendo-se em direção ao estímulo) |
| 4 | Retira-se à dor (reage ao estímulo doloroso afastando o corpo) |
| 3 | Flexão anormal ao estímulo doloroso (decorticação) |
| 2 | Extensão anormal ao estímulo doloroso (descerecação) |
| 1 | Sem resposta motora ou não avaliada |
Como Interpretar os Resultados
A pontuação total obtida na escala é interpretada com base na severidade do dano neurológico:
| Pontuação Total | Classificação do Grau de Consciência | Descrição |
|---|---|---|
| 13 a 15 | Leve (trauma cranioencefálico leve) | Consciência preservada; risco mínimo |
| 9 a 12 | Moderado (trauma cranioencefálico moderado) | Deterioração neurológica moderada |
| 3 a 8 | Grave (coma profundo) | Estado de coma profundo ou extremamente comprometido |
Tabela de Classificação
| Score Total | Nível de Consciência | Posicionamento Clínico |
|---|---|---|
| 13-15 | Leve | Alerta, responde bem às perguntas |
| 9-12 | Moderado | Sedado ou com déficits neurológicos |
| 3-8 | Grave | Coma profundo, risco de morte |
Atualizações Recentes e Considerações Clínicas
Novas recomendações para avaliação de pacientes sedados ou intubados
Para esses pacientes, a pontuação verbal costuma ser difícil ou impossível de obter. Assim, recomenda-se a substituição da avaliação verbal por critérios adaptados — como o uso de sinais de compreensão (gestos, movimentos) e resposta motora nas avaliações.
Uso da Escala como ferramenta de monitoramento
A escala não apenas classifica o grau de coma, mas também serve como parâmetro de evolução do paciente ao longo do tratamento. Regularmente, a pontuação de Glasgow deve ser registrada e acompanhada, permitindo a detecção de deteriorações precoces e a tomada de decisões rápidas.
Para garantir a padronização, recomenda-se seguir as orientações do Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (JCAHO) e outros órgãos de saúde internacionais.
Perguntas Frequentes
1. A escala de Glasgow é adequada para crianças?
Sim, porém há versões adaptadas, como a Escala de Coma de Paediatric Glasgow (GCS-P), que considera diferenças no desenvolvimento neurológico infantil.
2. Posso usar a escala em pacientes sedados ou com intubação?
Sim, mas com ressalvas. Nesses casos, a avaliação vocal deve ser substituída por critérios específicos ou pontuada como "não avaliado", sempre considerando o contexto clínico.
3. Quais são as limitações da Escala de Glasgow?
Ela é subjetiva e depende da experiência do avaliador. Além disso, pode não captar alterações neurológicas sutis ou específicas de certas patologias.
4. Como treinar a equipe para a avaliação com Glasgow?
Realizar treinamentos práticos e workshops é fundamental. Saber distinguir respostas motoras e verbais com clareza garante maior confiabilidade nos resultados.
Conclusão
A Escala de Coma de Glasgow Atualizada é uma ferramenta indispensável na avaliação neurológica, auxiliando profissionais de saúde a tomarem decisões assertivas e acompanharem a evolução de pacientes com alterações de consciência. Sua aplicação consistente, aliado a atualizações baseadas na ciência, garante maior precisão e segurança na assistência clínica.
A evolução contínua dessa escala demonstra o compromisso da medicina em oferecer avaliações cada vez mais precisas, contribuindo para melhores prognósticos e tratamentos mais eficazes.
Referências
- Jennett B, Teasdale G. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 1974;2(7872):81-4.
- Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 1974;2(7872):81-4.
- Teasdale G, Jennett B. Assessment of coma and impaired consciousness: a practical scale. Lancet. 2000;356(9234):2014-8.
- https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM198911093211101
- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2635290/
Considerações finais
A correta utilização da Escala de Glasgow requer treinamento contínuo e atenção às atualizações científicas recentes. Quando bem aplicada, ela pode salvar vidas, melhorar prognósticos e orientar intervenções de forma rápida e objetiva.
Seja na emergência, na UTI ou no acompanhamento ambulatorial, mantenha sempre atualizado e padronize suas avaliações com esse instrumento valioso!
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