Escala de Cincinnati: Guia Completo para Avaliação Neurológica
A avaliação neurológica rápida e eficiente é fundamental em situações de emergência neurológica, como AVC, traumas cranianos ou alterações abruptas no estado de consciência. A Escala de Cincinnati é uma ferramenta importante nesse contexto, permitindo uma avaliação rápida da gravidade dos déficits neurológicos. Neste guia completo, vamos explorar tudo o que você precisa saber sobre essa escala, incluindo sua aplicação, interpretação e relevância clínica.
Introdução
A avaliação neurológica contínua é um aspecto vital em ambientes clínicos e de emergência. Ela garante uma rápida detecção de alterações neurológicas, possibilitando intervenções oportunas que podem salvar vidas e prevenir sequelas graves. A Escala de Cincinnati foi desenvolvida como um método padronizado para identificar déficits neurológicos focais, principalmente em pacientes com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC).

O que é a Escala de Cincinnati?
A Escala de Cincinnati é uma ferramenta clínica utilizada para avaliar sinais focais de déficits neurológicos de forma rápida, orientando profissionais de saúde na tomada de decisão durante atendimentos emergenciais. Ela foi criada em 1990 na Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, com o objetivo de facilitar a identificação de sinais de AVC e outras condições neurológicas agudas.
Objetivo da escala
- Detectar sinais neurológicos focais de forma rápida e padronizada.
- Auxiliar na decisão de encaminhamento para exames complementares e tratamentos específicos.
- Ajudar na avaliação do progresso ou agravamento do quadro neurológico ao longo do tempo.
Como Funciona a Escala de Cincinnati
A escala envolve duas etapas principais:
1. Teste de déficit motor
Avaliação de fraqueza ou déficit em braços e pernas.
2. Teste de sinais de déficit sensorial e craniano
Verificação de alterações na fala, visão, força muscular e sensibilidade.
A seguir, exploramos detalhadamente cada passo.
Como Realizar a Avaliação com a Escala de Cincinnati
Passo 1: Verificar o nível de consciência
Antes de aplicar a escala, avalie o nível de consciência do paciente usando a Escala de coma de Glasgow ou outro método padrão.
Passo 2: Testar sinais motores
Apresente o paciente com os braços estendidos e as palmas das mãos voltadas para cima (teste de sinais motores).
Instruções:
- Peça para o paciente manter os braços elevados por 10 segundos.
- Observe se ocorre fraqueza unilateral ou bilateral.
Sinais a serem observados:
| Sinal | Positivo na Escala de Cincinnati |
|---|---|
| Fraqueza de um braço ou perna | Dificuldade em manter o braço ou perna na posição |
| Assimetria na força muscular | Um lado mais fraco que o outro |
| Queda de um braço ou perna | Perda de força unilateral |
Passo 3: Avaliar sinais cranianos
Teste simples
- Verbalize com o paciente para avaliar fala e compreensão.
- Observe movimentos oculares e reflexos.
Pontos de atenção:
| Sinal | Como observar | Significado |
|---|---|---|
| Disartria | Dificuldade na fala ou fala arrastada | Presença de déficit na musculatura facial ou oral |
| Assimetria facial | Um lado do rosto não movimenta normalmente | Fraqueza facial unilateral |
| Déficit visual | Perda de visão em um olho ou no campo visual | Hemianopsia ou outros déficits visuais |
Interpretação dos Resultados
A escala de Cincinnati classifica os resultados como:
- Normal: Nenhum sinal focal neurológico presente.
- Alterado: Presença de sinais focais sugestivos de déficit neurológico.
Se um paciente apresentar sinais positivos, é aconselhável a realização de exames de neuroimagem e avaliação por especialista.
Tabela Resumo da Escala de Cincinnati
| Etapa | Descrição | Resultado Positivo |
|---|---|---|
| Teste de força motora | Braços ou pernas não sustentam a posição por 10 segundos | Fraqueza unilateral |
| Teste de fala e compreensão | Dificuldade ou fala arrastada, compreensão prejudicada | Disartria ou afasia |
| Sinais faciais | Assimetria facial, fraqueza em um lado | Enfraquecimento facial unilateral |
| Sinais visuais | Perda de visão unilateral ou outros hemianopsias | Déficits visuais focais |
Importância da Escala de Cincinnati na Prática Clínica
Segundo especialistas, a escala de Cincinnati é uma ferramenta de grande valor na atenção de emergência, pois é de fácil aplicação e pouca necessidade de equipamentos adicionais. Sua rápida utilização possibilita uma triagem eficiente, orientando os profissionais sobre a necessidade de ações urgentes como trombólise, encaminhamento ao neurologista ou realização de exames de neuroimagem.
Para melhores resultados, ela deve ser usada em conjunto com avaliações clínicas tradicionais e exames complementares.
Quando Utilizar a Escala de Cincinnati?
- Pacientes com suspeita de AVC agudo.
- Avaliação de alterações neurológicas súbitas.
- Em unidades de pronto atendimento e ambulatórios.
- Monitoramento do progresso neurológico em pacientes críticos.
Perguntas Frequentes sobre a Escala de Cincinnati
1. A escala de Cincinnati pode substituir exames de neuroimagem?
Resposta: Não, a escala de Cincinnati é uma ferramenta de triagem rápida e não substitui exames de neuroimagem, como tomografia computadorizada ou ressonância, que confirmam diagnósticos.
2. Qual a sensibilidade da escala para detecção de AVC?
Resposta: A escala possui alta sensibilidade na detecção de sinais neurológicos focais, especialmente quando aplicada por profissionais treinados. Contudo, sua especificidade pode variar dependendo do contexto clínico.
3. Quanto tempo leva para realizar a avaliação com a escala?
Resposta: Cerca de 1 a 2 minutos, tornando-se uma ferramenta extremamente útil em situações de emergência.
4. A escala de Cincinnati é válida para todas as idades?
Resposta: Ela é mais comumente utilizada em adultos. Em crianças, outras ferramentas específicas podem ser mais adequadas.
Conclusão
A Escala de Cincinnati é uma ferramenta fundamental para avaliação neurológica rápida, especialmente em situações de emergência, permitindo a identificação precoce de déficits focais que sugerem AVC ou outras condições neurológicas agudas. Sua aplicação facilita a decisão clínica, otimiza o fluxo de atendimento e pode salvar vidas ao possibilitar intervenções rápidas.
Profissionais de saúde devem estar familiarizados com essa escala, sabendo que, embora simples, ela desempenha um papel crucial na avaliação inicial do paciente neurológico.
Referências
Adams HP Jr, Davis PH, Leira R, et al. Assessment of stroke severity: The Cincinnati Prehospital Stroke Scale (CPSS). Stroke. 2000;31(4):644-648.
Organização Mundial da Saúde. Guia de Avaliação do AVC. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/stroke#tab=tab_1
Oliveira-Filho J, Mendonça RT, Kleber FD. Avaliação neurológica e escalas clínicas no AVC. Revista Brasileira de Neurologia. 2018;54(3):112-118.
Kothari R, Pancioli L, Liu T, et al. The Cincinnati Prehospital Stroke Scale: reproducibility and validity. Ann Emerg Med. 1999;33(5):487-494.
Referências adicionais
- Sociedade Brasileira de Neurologia. Protocolo de AVC. Disponível em: https://sbneurologia.org.br/avc
- American Stroke Association. Guia de avaliação rápida de AVC. Disponível em: https://www.stroke.org
Este artigo foi elaborado para proporcionar uma compreensão completa sobre a Escala de Cincinnati, contribuindo para a formação de profissionais de saúde e aprimoramento da atenção emergencial.
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