Erro In Procedendo e Erro In Judicando: Diferenças e Impactos na Justiça
No âmbito do direito processual, a busca pela Justiça exige uma aplicação correta das leis e princípios, garantindo a imparcialidade, a razoabilidade e a efetividade das decisões judiciais. No entanto, muitas vezes surgem questionamentos sobre os fundamentos utilizados pelos juízes na condução dos processos, especialmente em relação à existência de erros que podem comprometer a validade das decisões judiciais. Entre essas falácias, destacam-se os conceitos de Erro in Procedendo e Erro in Judicando.
Compreender as diferenças entre esses dois tipos de erro é fundamental para advogados, magistrados, estudantes de direito e cidadãos que desejam entender melhor o funcionamento do sistema judiciário. Além disso, avaliar os impactos desses equívocos na justiça e como eles podem ser corrigidos ou resultarem em nulidades, é essencial para a garantia do direito de defesa e da segurança jurídica.

Este artigo busca aprofundar o entendimento sobre Erro in Procedendo e Erro in Judicando, suas diferenças, consequências e aplicações na prática judicial brasileira.
O que é o Erro in Procedendo?
Definição
O Erro in Procedendo refere-se à falha na condução do processo, ou seja, a um erro que ocorre durante a tramitação processual, no procedimento adotado pelo juízo ou pelas partes. Trata-se de uma nulidade que decorre de vício no andamento processual, e não na decisão em si.
Exemplos Comuns
- Ausência de citação válida
- Incompetência do juízo
- Falta de intimação adequada
- Substituição indevida de provas ou atos processuais realizados de forma incorreta
Consequências do Erro in Procedendo
Segundo o artigo 485, inciso IV do Código de Processo Civil (CPC), o juiz pode anular o processo quando identificar erro in procedendo. Essa nulidade é relativa, podendo ser arguida pelas partes ou reconhecida de ofício pelo próprio juízo, até o momento em que a sentença se tornar definitiva.
Importante: Uma nulidade por erro in procedendo não implica, necessariamente, na anulação da sentença quanto ao mérito, mas pode invalidar o processo desde sua origem, conferindo às partes o direito de requerer a repetição do procedimento de forma regular.
O que é o Erro in Judicando?
Definição
O Erro in Judicando ocorre quando o magistrado comete equívoco ao aplicar o direito ao caso concreto. Ou seja, a decisão está fundamentada em uma interpretação incorreta da legislação, jurisprudência ou dos fatos apurados, levando à sentença equivocada.
Exemplos Comuns
- Julgamento baseado em interpretação errada de uma norma jurídica
- Equívoco na avaliação das provas
- Aplicação incorreta de conceitos jurídicos
- Decisão que viola princípios constitucionais ou processuais
Consequências do Erro in Judicando
Quando se identifica erro in judicando, a decisão geralmente pode ser revista por recursos cabíveis, como apelação ou agravo de instrumento, pois envolve o conteúdo da sentença e sua fundamentação. Entretanto, vale destacar que, se a sentença estiver fundamentada em erro evidente, ela pode ser anulada ou reformada para correção do equívoco.
Dica: Atuações na fase recursal são essenciais para corrigir decisões baseadas em erro in judicando, garantindo que o direito seja aplicado corretamente e que a justiça seja efetivamente feita.
Diferenças Principais entre Erro in Procedendo e Erro in Judicando
| Aspecto | Erro in Procedendo | Erro in Judicando |
|---|---|---|
| Natureza do erro | Relacionado ao procedimento e às formalidades | Relacionado à aplicação do direito e fatos |
| Momento de ocorrência | Durante a tramitação processual | Na fundamentação ou no texto da sentença |
| Consequências principais | Nulidade processual, possibilidade de anulação | Invalidade ou modificação da decisão judicial |
| Possibilidade de correção | Geralmente por nulidade ou anulação processual | Recurso de apelação, revisão ou embargos |
| Exemplo de vício | Citação nula, incompetência, ausência de intimação | Sentença mal fundamentada, interpretação incorreta do direito |
| Impacto na decisão | Pode invalidar toda a tramitação do processo | Pode alterar ou manter a decisão, dependendo do erro |
Impacto dos Erros na Justiça
Reconhecer e corrigir Erros in Procedendo e in Judicando é fundamental para a administração da justiça e a segurança jurídica. Cada um deles afeta o andamento processual e as decisões finais, podendo gerar consequências frágeis ou injustas na esfera jurídica.
Impacto na Credibilidade do Sistema Judiciário
A existência de erros processuais ou na fundamentação prejudica a confiança da sociedade na justiça, podendo resultar em impunidade, insegurança jurídica ou injusto condução dos processos.
Como a legislação recomenda lidar com esses erros?
O Código de Processo Civil traz dispositivos específicos para correção de falhas, como recursos (apelação, embargos, agravo), ações rescisórias e arguição de nulidade.
A importância da observância dos princípios constitucionais
Princípios como o devido processo legal, ampla defesa e contraditório são essenciais para evitar erros que prejudiquem as partes envolvidas. Quando esses princípios são violados, há maior risco de ocorrência de Erro in Procedendo ou in Judicando.
Orientações para evitar erros
- Realizar análises minuciosas das provas e fundamentações
- Garantir a prática de todos os atos processuais de forma adequada
- Revisar os procedimentos e as decisões antes de sua prolação
- Capacitar magistrados e advogados para a correta interpretação e aplicação do direito
Relevância do Estudo sobre Erros no Processo Judicial
Compreender os erros processuais e de julgamento é vital para aprimorar a justiça brasileira. Além de proporcionar uma visão mais profunda dos aspectos técnicos do direito, ajuda a aprimorar a atuação dos profissionais e garantir a proteção dos direitos das partes.
Para aprofundar seus estudos e ficar atualizado, consulte recursos como o Portal Jurisway e o Supremo Tribunal Federal - STF.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a principal diferença entre erro in procedendo e erro in judicando?
A principal diferença está na origem do erro: o erro in procedendo decorre de vícios no procedimento processual, enquanto o erro in judicando refere-se a equívocos na aplicação do direito ou na avaliação dos fatos pelo juiz.
2. Como posso saber se uma nulidade decorre de erro in procedendo ou in judicando?
Se o vício refere-se à tramitação do processo, como citação incorreta ou incompetência, trata-se de erro in procedendo. Já se a questão está na fundamentação ou na decisão do juiz, trata-se de erro in judicando.
3. É possível corrigir um erro in procedendo após a sentença ser proferida?
Sim, geralmente por meio de recursos ou ações autônomas, dependendo do estágio processual, é possível reconhecer e sanear tais erros, garantindo a validade do processo.
4. Erros in judicando sempreinvalidam uma sentença?
Nem sempre, mas podem levar à anulação ou revisão da sentença caso sejam considerados graves ou essenciais ao julgamento correto da causa.
Conclusão
A distinção entre Erro in Procedendo e Erro in Judicando é fundamental para compreender a dinâmica do processo judicial e garantir a efetividade da justiça. Enquanto o primeiro afeta a tramitação do processo e pode gerar nulidades, o segundo impacta diretamente na fundamentação e na decisão final do juiz.
A correta identificação e a eventual correção desses erros asseguram que os direitos das partes sejam respeitados, que as decisões judiciais sejam justas e que o sistema de justiça funcione de maneira mais eficiente e confiável.
A busca constante pela perfeição na atividade jurisdicional deve ser incentivada, promovendo a capacitação de magistrados e profissionais do direito, além da contínua atualização legislativa.
Referências
BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
DIAS, Maria Helena. Curso de Processo Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020.
STF. Jurisprudência e Súmulas. disponível em: https://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia
Jurisway. Recursos e atualizações jurídicas. disponível em: https://www.jurisway.org.br/
“A justiça não consiste em fazer cumprir a lei mecanicamente, mas sim em realizar a justiça substantiva, que demanda discernimento e correção.” — Desconhecido
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