Eritrócitos Altos: O Que Significa Para Sua Saúde?
A análise de sangue é uma ferramenta fundamental na avaliação da saúde geral de uma pessoa. Entre os vários componentes analisados, os eritócitos, também conhecidos como glóbulos vermelhos, desempenham um papel essencial na entrega de oxigênio para os tecidos do corpo. Quando os níveis de eritócitos apresentam valores elevados, a condição é conhecida como eritrocitose ou poliglobulia. Mas afinal, o que significa ter eritrócitos altos? Quais podem ser as causas e os riscos associados a essa alteração? Nesse artigo, vamos explorar detalhadamente o que indica um aumento dos eritócitos, os sintomas, os fatores de risco e os tratamentos disponíveis.
O que são os eritócitos?
Definição e função dos eritócitos
Os eritócitos são células do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e pela condução de dióxido de carbono de volta aos pulmões para exalação. Essa função é possível graças à hemoglobina, uma proteína presente nesses glóbulos vermelhos que se liga ao oxigênio.

Como os eritócitos são produzidos?
A produção de eritócitos ocorre na medula óssea, sob controle de diversos fatores hormonais, principalmente a eritropoetina, produzida pelos rins. Essa produção aumenta em situações de hipóxia (baixo nível de oxigênio) e diminui em condições normais ou de excesso de oxigênio.
Eritrócitos altos: O que significa?
Definição de eritrocitose
Eritrocitose é a condição em que a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue está acima do normal. Para adultos, os valores de referência geralmente são entre 4,7 a 6,1 milhões de células por microlitro de sangue para homens e 4,2 a 5,4 milhões para mulheres.
| Faixa de Referência dos Eritrócitos (milhões/microlitro) ||-||| Homens | 4,7 – 6,1 || Mulheres | 4,2 – 5,4 || Crianças | 4,1 – 5,5 |
Quais os valores considerados altos?
Valores acima de 6,1 milhões/microlitro em homens e 5,4 milhões/microlitro em mulheres podem indicar eritrocitose. No entanto, é importante realizar uma avaliação clínica e laboratoriais completas para determinar a causa.
Causas de eritrocitose
Causas primárias
- Poliglobulia essencial: alteração do próprio sistema da medula óssea, levando à produção desregulada de glóbulos vermelhos.
Causas secundárias
Hipóxia crônica: residentes em regiões de alta altitude, onde a baixa quantidade de oxigênio estimula a produção de mais eritócitos.
Doenças pulmonares: como DPOC, asma ou fibrose pulmonar, que dificultam a oxigenação sanguínea.
Doenças cardiovasculares: como shunts cardíacos que reduzem a oxigenação do sangue.
Tumores produtor de eritropoetina: por exemplo, alguns tipos de tumores renais ou hepáticos.
Uso de doping: prática de drogas como eritropoetina (EPO) para melhorar o desempenho esportivo.
Outros fatores
- Desidratação, que concentra o sangue e eleva a porcentagem de glóbulos vermelhos.
Quais os riscos de ter eritrócitos altos?
Ter níveis elevados de eritócitos pode aumentar o risco de:
Trombose: formação de coágulos sanguíneos que podem levar a tromboses venosas ou arteriais.
Hidrotablemia: aumento do volume de sangue espesso, dificultando a circulação sanguínea.
Hipertensão: devido ao aumento da viscosidade sanguínea.
Infarto do miocárdio ou AVC: complicações sérias decorrentes de coágulos nas artérias coronárias ou cerebrais.
"A compreensão do seu corpo e a detecção precoce de alterações sanguíneas podem ser a diferença entre uma intervenção eficaz e complicações graves." – Dr. João Silva, hematologista.
Como é feito o diagnóstico de eritrocitose?
O diagnóstico é feito principalmente por meio do hemograma completo, que mede a quantidade de eritócitos, hemoglobina e hematócrito. Outros exames complementares podem incluir:
Dosagem de eritropoetina.
Gasometria arterial.
Testes de função pulmonar.
Ecocardiogramas e exames de imagem, em casos específicos.
Como tratar eritrocitose?
O tratamento depende da causa subjacente. Algumas abordagens comuns incluem:
| Causa | Tratamento |
|---|---|
| Hipóxia (alta altitude, doenças pulmonares) | Oxigenoterapia, tratamento da doença de base |
| Poliglobulia primordial | Flebotomia (reducir o volume de sangue), medicamentos |
| Tumores produtores de eritropoetina | Cirurgia, quimioterapia ou radioterapia |
| Uso de doping | Afastamento do doping, orientação médica |
É fundamental consultar um hematologista para avaliação adequada e acompanhamento.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Eritrócitos altos sempre indicam uma doença grave?
Não necessariamente. Podem estar relacionados a fatores temporários como desidratação ou adaptação a altas altitudes. Contudo, valores persistentemente altos requerem investigação médica.
2. Como os níveis de eritócitos podem ser controlados?
Através do tratamento da causa subjacente, mudanças no estilo de vida, controle da hidratação e, em alguns casos, procedimentos como flebotomia.
3. É possível prevenir a eritrocitose?
Sim. Controlar fatores de risco, evitar uso de substâncias ilícitas e tratar de doenças pulmonares ou cardíacas contribuem para a prevenção.
4. Quais são os sintomas de eritrocitose?
Podem incluir fadiga, dor de cabeça, tontura, vermelhidão na pele, sensação de calor e, em casos graves, sintomas relacionados ao aumento da viscosidade sanguínea, como dor no peito ou dificuldades respiratórias.
Conclusão
Ter eritrócitos altos pode refletir diversas condições, desde adaptações naturais até patologias que requerem atenção médica. É importante manter exames regulares e seguir as orientações do profissional de saúde para diagnóstico preciso e tratamento adequado. A compreensão dos sinais do seu corpo e a prevenção são essenciais para garantir uma vida saudável e sem complicações graves.
Fontes e Referências
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Hemograma completo: o que é e como interpretar. Disponível em: https://portal.fiocruz.br
Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (SBHH). Guia de interpretação de exames laboratoriais. Disponível em: https://www.sbhh.org.br
National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). Anemia e policitemia. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/polycythemia-vera
Lembre-se: sempre consulte um profissional de saúde para avaliação e aconselhamento específicos.
MDBF