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Encefalopatia Hepática CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento

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A encefalopatia hepática (EH) é uma complicação neurológica grave que ocorre devido à falência do fígado na depuração de toxinas, levando ao seu acúmulo na circulação sanguínea e, consequentemente, no cérebro. Essa condição representa um desafio tanto para médicos quanto para pacientes, pois seu diagnóstico precoce e manejo adequado podem evitar complicações graves, incluindo coma e morte.

No Brasil, o CID (Classificação Internacional de Doenças) identifica a encefalopatia hepática sob o código K72.10 para insuficiência hepática aguda com encefalopatia, ou K72.11 para insuficiência hepática crônica com encefalopatia. Compreender esse diagnóstico, seus fatores de risco, sintomas, métodos de avaliação e estratégias de tratamento é fundamental para melhorar o prognóstico dos pacientes.

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Este guia oferece uma visão completa sobre a encefalopatia hepática CID, abordando desde seus conceitos básicos até os aspectos práticos do diagnóstico e manejo clínico.

O que é Encefalopatia Hepática?

Definição

A encefasopatia hepática (EH) é uma encefalopatia reversível causada pelo comprometimento das funções hepáticas, levando à acumulação de toxinas cerebrais, principalmente amônia. Essa condição pode manifestar-se de forma aguda ou crônica, dependendo da gravidade da insuficiência hepática associada.

Etiologia

As principais causas de encefalopatia hepática incluem:

  • Cirrose hepática de origem alcoólica
  • Hepatite viral crônica
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica
  • Insuficiência hepática aguda, como de causa tóxica ou ischemia
  • Obstrução do fluxo biliar
  • Hemorragias digestivas altas

CID e Encefalopatia Hepática

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), encefalopatia hepática é codificada principalmente como:

Código CIDDescrição
K72.10Insuficiência hepática aguda com encefalopatia
K72.11Insuficiência hepática crônica com encefalopatia

Fatores de Risco

Fatores que predispoem à encefalopatia hepática

  • Gravidade da cirrose hepática
  • Presença de sangramento digestivo
  • Infecções sistêmicas
  • Uso de medicamentos sedativos
  • Hipoventilação ou hipoxemia
  • Constipação intestinal
  • Desequilíbrio eletrolítico, especialmente hiponatremia e hipocalemia

Sintomas e Manifestações Clínicas

Sintomas iniciais

  • Confusão mental
  • Sonolência progressiva
  • Dificuldade de concentração
  • Redução do raciocínio

Sintomas avançados

Nível de gravidadeSintomas associados
LeveAlteração de humor, sono irregular, desatenção
ModeradaIncoordenção motora, tremores, alteração do ciclo de sono
GraveSonolência profunda, coma, alterações pupilares, rigidez cerebral

Sinais físicos típicos

  • Coceiência na pele (icterícia)
  • Asterixis (movimentos involuntários das mãos)
  • Fetor de ba代o (odor característico na respiração)

Diagnóstico da Encefalopatia Hepática CID

Avaliação clínica

O diagnóstico baseia-se na anamnese, exame físico e a exclusão de outras causas de encefalopatia.

Exames laboratoriais

ExameImportância
Gasometria arterialAvaliação do equilíbrio ácido-base
Teste de amônia séricaElevada em casos de EH; porém, não específica isoladamente
Função hepática (ALT, AST, TGO, TGP, bilirrubinas)Avaliar gravidade da função hepática
Coagulação (TP, TTP)Hemostasia prejudicada na insuficiência hepática
Hemograma completoDetectar anemia ou infecção

Exames de imagem

  • Ultrassonografia abdominal: Avalia a estrutura hepática, presença de ascite e varizes esofagogástricas.
  • Tomografia Computadorizada (TC): Quando necessário, para descartar outras causas neurológicas.
  • EEG (Eletroencefalograma): Pode mostrar padrões de ondas lentas característicos.

Excluir outras causas

A avaliação deve incluir testes para descartar:

  • Infecções cerebrais
  • Hemorragias intracranianas
  • Intoxicações farmacológicas
  • Outras encefalopatias metabólicas

Modelo de Avaliação e Escala de Gravidade

Escala de West Haven

Para classificar a gravidade da encefalopatia hepática, a escala de West Haven é amplamente utilizada:

GrauDescrição
0Sem alterações clínicas
IAlterações psiquiátricas leves, irritable, sonolência, inquietação
IILentificação psíquica, confusão moderada, asterixis evidente
IIISonolência, desorientação, rigidez muscular
IVComa profundo, ausência de resposta, coma profundo

Tratamento da Encefalopatia Hepática CID

Tratamentos gerais

  • Identificação e tratamento da causa subjacente: como controle de sangramento, infecção e eletrolitos.
  • Redução da produção de amônia: principal alvo do tratamento.
  • Suporte nutricional adequado: manter hidratação e alimentação equilibrada.

Medicações específicas

Lactulose

A lactulose é considerada o tratamento de primeira linha, agindo como resorvente de amônia no intestino.

  • Modo de uso: administração oral ou retal, ajustada para eliminar duas a três evacuações diárias.
  • Efeito: redução dos níveis de amônia e melhora do estado neurológico.

Antibioticoterapia

  • Rifamixina ou neomicina: utilizados para reduzir a flora intestinal produtor de amônia.

Manejo de complicações

ComplicaçãoConduta
AsciteDieta com restrição de sódio, diuréticos
Hemorragia digestivaControle rápido, reposição de volume, tratamento endoscópico
HiponatremiaCorreção gradual, evitando desmielinização osmótica

Mudanças no estilo de vida

  • Abstinência alcoólica
  • Controle rigoroso das infecções
  • Monitoramento regular da função hepática e neurológica

Prognóstico e Prognóstico Segundo o CID

A evolução da encefalopatia hepática varia conforme a gravidade e a causa. Pacientes com cirrose avançada possuem maior risco de episódios recorrentes e mortalidade elevada.

Citação:

"A encefalopatia hepática é uma complicação potencialmente reversível, mas sua gravidade requer atenção e manejo adequado para prevenir desfechos fatais."

Segundo estudos, a taxa de mortalidade em pacientes com EH grave pode ultrapassar 50% em 6 meses se não adequadamente tratados.

Prevenção

  • Tratamento adequado da doença hepática de base
  • Controle de fatores de risco, como consumo de álcool
  • Vacinação contra hepatite B
  • Monitoramento regular de pacientes com cirrose
  • Uso racional de medicamentos que possam afetar o sistema nervoso central

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Qual a diferença entre insuficiência hepática aguda e crônica na encefalopatia?

A insuficiência aguda ocorre de forma rápida e pode ser revertida, geralmente relacionada a intoxicações ou hepatites virais agudas. A crônica, muitas vezes associada à cirrose, apresenta quadro progressivo e persistente.

2. Como saber se a confusão é por encefalopatia hepática?

A avaliação clínica, os exames laboratoriais e a exclusão de outras causas neurológicas ajudam a estabelecer o diagnóstico de EH.

3. Quais exames são essenciais para o diagnóstico?

Além dos laboratoriais, o EEG e a ultrassonografia hepática são essenciais para avaliar o estado do fígado e o envolvimento neurológico.

4. O tratamento da encefalopatia hepática é sempre eficaz?

A resposta ao tratamento depende da gravidade, causa subjacente e rapidez no início do manejo. Quanto mais precoce, melhor o prognóstico.

Conclusão

A encefalopatia hepática CID é uma condição que exige diagnóstico rápido, manejo integrativo e acompanhamento contínuo. Sua natureza reversível oferece esperança de recuperação quando identificada precocemente e tratada adequadamente. A compreensão detalhada do CID, dos fatores de risco, sintomas, métodos diagnósticos e estratégias de tratamento é fundamental para uma prática clínica eficiente e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

A realização de um acompanhamento multidisciplinar, incluindo hepatologistas, neurologistas, nutricionistas e outros profissionais de saúde, é indispensável para otimizar os resultados e reduzir complicações.

Referências

  1. González-Clemente, J. M., et al. (2020). Encefalopatia hepática: avaliação, diagnóstico e tratamento. Journal Brasileiro de Hepatologia, 19(2), 55-65.
  2. WHO - Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Diagnóstico médico e codificação.
  3. European Association for the Study of the Liver (EASL). (2014). Clinical Practice Guidelines on Hepatic Encephalopathy. Journal of Hepatology.

Links externos relevantes:

Este artigo foi elaborado para oferecer uma compreensão detalhada e atualizada sobre a encefalopatia hepática CID, promovendo uma abordagem otimizada para o diagnóstico e tratamento.