Ecocardiograma com Strain: Diagnóstico Preciso de Mudanças Cardíacas
O avanço na medicina diagnóstica tem contribuído para a detecção precoce de doenças cardíacas, essenciais para um tratamento eficaz e melhores prognósticos. Entre os exames que vêm ganhando destaque, o ecocardiograma com strain é uma ferramenta inovadora e altamente precisa na avaliação da função cardíaca. Este artigo abordará em detalhes o que é o ecocardiograma com strain, sua importância, procedimentos, vantagens, além de esclarecer dúvidas frequentes e fornecer informações relevantes para pacientes e profissionais de saúde.
O que é o Ecocardiograma com Strain?
O ecocardiograma com strain, também conhecido como speckle tracking, é uma técnica avançada de ultrassonografia cardíaca que mede com alta precisão a deformação do myocardio — a musculatura do coração durante os batimentos. Essa avaliação permite detectar alterações na função cardíaca antes mesmo de sinais clínicos ou alterações na função de ejeção, método tradicionalmente usado.

Como funciona o ecocardiograma com strain?
A técnica utiliza softwares específicos para rastrear os "speckles" ou pontos de referência naturais presentes no músculo cardíaco durante a contração e relaxamento. Dessa forma, é possível calcular o strain, que indica o grau de deformação do tecido cardíaco ao longo do tempo, fornecendo informações sobre sua saúde funcional.
Diferença entre ecocardiograma tradicional e com strain
| Aspecto | Ecocardiograma tradicional | Ecocardiograma com Strain |
|---|---|---|
| Avaliação da função de ejeção | Sim | Sim |
| Diagnóstico precoce de disfunção | Limitado | Preciso, detecta alterações sutis |
| Técnica de análise | Visual e subjetiva | Quantitativa e automatizada |
| Sensibilidade na detecção | Menor | Maior |
Importância do Ecocardiograma com Strain na Medicina Cardiovascular
Diagnóstico precoce de comprometimento miocárdico
O exame é fundamental na identificação de alterações na função do músculo cardíaco antes de surgirem sinais clínicos, possibilitando intervenções precoces. Por exemplo, em pacientes com câncer submetidos à quimioterapia, o ecocardiograma com strain pode detectar disfunção cardíaca antes que a redução da fração de ejeção seja evidente.
Avaliação de cardiopatias isquêmicas
Na investigação de infarto ou angina, o strain ajuda a identificar áreas de comprometimento miocárdico que podem ainda não apresentar disfunção evidente na avaliação convencional.
Monitoramento de doenças cardíacas crônicas
Pacientes com insuficiência cardíaca, miocardiopatias ou valvopatias se beneficiam do acompanhamento usando a técnica de strain para avaliar a eficácia do tratamento e o progresso da doença.
Planejamento de procedimentos invasivos
Além disso, o ecocardiograma com strain auxilia na decisão sobre candidaturas a cirurgias cardíacas ou procedimentos como implantação de marcapasso, por sua precisão na avaliação funcional.
Como é realizado o exame de Ecocardiograma com Strain?
Procedimento
O procedimento é semelhante ao ecocardiograma convencional, sendo realizado por um técnico em saúde especializado. Após a colocação de um gel condutor na região do tórax, o transdutor ultrassônico captura imagens em tempo real do coração. O software de strain analisa as imagens para calcular a deformação do miocárdio durante o ciclo cardíaco.
Duração
Em média, o exame dura entre 30 a 45 minutos, sendo bem tolerado pelo paciente, sem necessidade de preparação especial.
Considerações importantes
- Velocidade e precisão: o ecocardiograma com strain dispensa o uso de contraste na maioria dos casos, mas sua utilização pode melhorar a visualização em alguns pacientes.
- Limitações: a qualidade das imagens pode ser prejudicada por obesidade, dificuldade de acesso ou ar no trato gastrointestinal.
Vantagens do Ecocardiograma com Strain
- Detecção precoce de disfunção cardíaca
- Avaliação quantitativa objetiva
- Monitoramento do tratamento
- Maior sensibilidade na identificação de alterações sutis
- Não invasivo e seguro
Aplicações Clínicas do Ecocardiograma com Strain
1. Avaliação de miocardiopatias
Ajuda na classificação de diferentes tipos de miocardiopatias, como a hipertrófica, dilatada ou restritiva, além de monitorar sua evolução.
2. Disfunção após infarto do miocárdio
Permite avaliar o dano ao músculo cardíaco e orientar estratégias de reabilitação.
3. Doenças valvulares
Fornece uma avaliação detalhada da função do ventrículo esquerdo, contribuindo na decisão de intervenção cirúrgica.
4. Cardiotoxicidade de quimioterapia
Facilita o acompanhamento de pacientes oncológicos, detectando disfunção subclínica antes da redução da fração de ejeção.
5. Insuficiência cardíaca
Permite uma avaliação mais precisa da gravidade e do impacto no músculo cardíaco, auxiliando na escolha do tratamento adequado.
Tabela de Parâmetros do Ecocardiograma com Strain
| Parâmetro | Significado | Valor de Referência |
|---|---|---|
| GLS (Global Longitudinal Strain) | Deformação do miocárdio ao longo do eixo longo do coração | -18% a -22% |
| GCS (Global Circumferential Strain) | Deformação ao longo do eixo circunferencial | -20% a -25% |
| GRS (Global Radial Strain) | Deformação na direção radial | Maior que 40% |
Nota: Valores negativos indicam encurtamento ou deformação durante a contração, sendo mais negativos, maior a função cardíaca.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é o strain no ecocardiograma e por que é importante?
O strain mede a deformação do músculo cardíaco durante o ciclo cardíaco. Ele é importante porque fornece informações mais sensíveis e específicas da função cardíaca do que a fração de ejeção convencional, podendo detectar disfunções sutis e precocemente.
2. O ecocardiograma com strain substitui o exame tradicional?
Não necessariamente. O strain complementa o ecocardiograma tradicional, oferecendo informações adicionais. Em muitos casos, ambos os métodos são utilizados para uma avaliação completa.
3. Quais pacientes se beneficiam mais do ecocardiograma com strain?
Pacientes submetidos à quimioterapia, portadores de miocardiopatias, pessoas com suspeita de isquemia, insuficiência cardíaca e portadores de valvopatias se beneficiam especialmente do exame.
4. Existem contraindicações para o exame?
Por ser um procedimento ultrassonográfico, não há contraindicações específicas. No entanto, inconsistências na qualidade de imagem podem limitar os resultados.
5. O exame apresenta riscos ou efeitos colaterais?
Não há riscos ou efeitos colaterais associados ao ecocardiograma com strain, por ser um procedimento não invasivo, seguro e indolor.
Conclusão
O ecocardiograma com strain representa uma evolução significativa na avaliação da saúde cardíaca, oferecendo uma análise detalhada e precoce da função do músculo cardíaco. Sua capacidade de identificar alterações sutis antes do aparecimento de sintomas torna-o uma ferramenta indispensável na prática clínica moderna, auxiliando no diagnóstico, monitoramento e planejamento do tratamento de diversas doenças cardiovasculares.
Incorporar o uso do strain na rotina de avaliação cardíaca pode melhorar os resultados clínicos e proporcionar uma abordagem mais eficiente e personalizada aos pacientes.
Para mais informações sobre exames cardíacos e cuidados com a saúde cardiovascular, consulte o Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Referências
- Marwick TH, et al. "Echocardiographic strain imaging for assessing myocardial function." European Heart Journal. 2020.
- Procianoy D, et al. "Speckle tracking echocardiography: clinical applications in cardiology." Revista Brasileira de Cardiologia. 2019.
- Nagueh SF, et al. "Recommendations for the evaluation of left ventricular diastolic function by echocardiography." European Journal of Echocardiography. 2016.
- Cameli M, et al. "Myocardial strain imaging for early detection of cardiotoxicity in patients undergoing chemotherapy." JACC: Cardiovascular Imaging. 2017.
Este conteúdo é uma síntese informativa e não substitui aconselhamento médico. Consulte seu cardiologista para avaliação e orientações específicas.
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