Eclampsia e Preeclampsia: Entenda Diferenças e Cuidados Essenciais
A gestação é um período de muitas emoções e cuidados especiais para garantir a saúde da mãe e do bebê. Entre as complicações mais preocupantes nesse período estão a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, distúrbios que podem colocar em risco a vida da gestante se não identificados e tratados corretamente. Este artigo aborda de maneira detalhada as diferenças entre esses dois quadros, suas causas, sintomas, fatores de risco, tratamentos e estratégias de prevenção, além de responder às perguntas mais frequentes e oferecer informações essenciais para gestantes, familiares e profissionais de saúde.
Introdução
A pré-eclâmpsia é uma condição que ocorre geralmente após a 20ª semana de gestação e caracteriza-se por hipertensão arterial associada à protetina (presença de proteína na urina). Caso não seja manejada adequadamente, pode evoluir para eclampsia, que envolve crises convulsivas e representa uma emergência obstétrica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pré-eclâmpsia é responsável por aproximadamente 14% das mortes maternas em todo o mundo.

"Prevenir é a melhor estratégia. Detectar precocemente pode salvar vidas" — essa frase resume muito do que aprendemos sobre esses distúrbios na gestação.
O que é pré-eclâmpsia?
Definição e características
A pré-eclâmpsia é uma condição que combina hipertensão (pressão arterial elevada) com dano a órgãos internos ou sinais de complicações, sendo a proteinúria, ou seja, a presença de proteína na urina, um dos principais critérios de diagnóstico.
Causas e fatores de risco
Embora a causa exata ainda não seja completamente compreendida, acredita-se que envolva uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Alguns fatores de risco incluem:
- Primeira gestação
- História anterior de pré-eclâmpsia
- Hipertensão crônica
- Diabetes mellitus
- Obesidade
- Idade avançada (acima de 35 anos)
- Gestação múltipla
- Períódos de privação de nutrientes ou má alimentação
Sintomas e sinais clínicos
Os sinais de pré-eclâmpsia podem surgir de forma silenciosa ou com sintomas leves, com destaque para:
| Sintomas | Descrição |
|---|---|
| Hipertensão arterial | Pressão acima de 140/90 mmHg |
| Proteinúria | Presença de proteína na urina |
| Edema | Inchaço, especialmente de mãos, rosto e pés |
| Dor de cabeça intensa | Frequente e persistente |
| Alterações visuais | visionamento turvo ou manchas luminosas |
| Dor abdominal superior | Pode indicar complicações hepáticas |
| Náuseas e vômitos | Mais comuns em quadros graves |
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado em exames clínicos e laboratoriais:
- Medição da pressão arterial
- Análise de urina (proteinúria)
- Exames de sangue (função hepática, renal, plaquetas)
Complicações da pré-eclâmpsia
Se não tratada, pode evoluir para:
- Eclampsia (convulsões)
- Síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetopenia)
- Descolamento prematuro de placenta
- Insuficiência renal
- Hemorragias e convulsões
Eclampsia: complicação grave
O que é eclampsia?
A eclampsia é uma fase mais grave e pode ser definida como a ocorrência de convulsões em uma gestante com pré-eclâmpsia, mesmo sem outras causas neurológicas. Pode acontecer na gestação, parto ou período pós-parto.
Características e sinais
Além dos sinais de pré-eclâmpsia, a eclampsia apresenta:
| Sinais e sintomas | Descrição |
|---|---|
| Convulsões | Movimentos involuntários, risco de perda de consciência |
| Alterações neurológicas | Confusão, dores de cabeça severas |
| Risco de coma | Pode evoluir para estado de coma |
Tratamento
A prioridade no tratamento da eclampsia é o controle das convulsões e a estabilização da paciente. Algumas medidas incluem:
- Administração de sulfato de magnésio
- Controle rigoroso da pressão arterial
- Parto imediato ou realização de cesariana, dependendo do caso
- Monitoramento contínuo de sinais vitais e funções vitais
Prevenção
A prevenção adequada da pré-eclâmpsia, especialmente em gestantes de alto risco, é fundamental para evitar a progressão para a eclampsia.
Diferenças principais entre pré-eclâmpsia e eclampsia
| Aspecto | Pré-eclâmpsia | Eclampsia |
|---|---|---|
| Definição | Hipertensão + proteinúria | Convulsões em gestante com pré-eclâmpsia |
| Sintomas | Hipertensão, inchaço, dores de cabeça | Convulsões, alterações neurológicas |
| Gravidade | Moderada, pode evoluir | Grave, potencialmente fatal |
| Tratamento | Controle da pressão, repouso | Controle de convulsões, parto urgente |
| Risco à vida | Moderado | Elevado |
Cuidados essenciais e prevenção
Monitoramento durante a gestação
O acompanhamento pré-natal regular é a melhor forma de prevenir ou detectar precocemente a pré-eclâmpsia. Recomenda-se:
- Medição periódica da pressão arterial
- Exames laboratoriais de urina e sangue
- Avaliação do bem-estar fetal
Dicas para gestantes
- Manter uma alimentação equilibrada e pobre em sódio
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco
- Descansar adequadamente
- Controlar o peso ganho na gestação
- Praticar atividades físicas leves sob orientação médica
Quando procurar ajuda médica
- Dor de cabeça intensa e persistente
- Visão turva ou manchas no campo visual
- Edema repentino e severo
- Dor abdominal constante
- Convulsões ou convulsões suspeitas
Tabela: Fatores de risco para pré-eclâmpsia
| Fatores de risco | Descrição |
|---|---|
| Primeira gestação | Maior risco na primeira gravidez |
| História familiar | Antecedentes familiares de pré-eclâmpsia |
| Hipertensão preexistente | Hipertensão antes da gestação |
| Gestação múltipla | Gêmeos ou mais |
| Obesidade | Índice de massa corporal elevado |
| Diabetes mellitus | Controle glicêmico inadequado |
| Idade materna | Acima de 35 anos ou abaixo de 20 anos |
Perguntas frequentes
1. A pré-eclâmpsia pode desaparecer após o parto?
Sim, na maioria dos casos, os sinais de pré-eclâmpsia desaparecem após o parto. No entanto, algumas mulheres podem continuar a ter hipertensão ou secreções alteradas.
2. Existe cura para pré-eclâmpsia?
Não há cura definitiva, mas o tratamento adequado e o acompanhamento podem controlar os sintomas e evitar complicações.
3. Quais são as principais medidas para prevenir a pré-eclâmpsia?
O acompanhamento pré-natal regular, alimentação equilibrada, controle do peso e atenção a sinais e sintomas são essenciais.
4. A eclampsia pode acontecer sem sinais prévios?
Sim, embora rara, a eclampsia pode ocorrer abruptamente, por isso é fundamental o monitoramento contínuo durante toda a gestação.
Conclusão
A pré-eclâmpsia e a eclampsia representam desafios no cuidado obstétrico, com potencial de risco à vida tanto da mãe quanto do bebê. A principal estratégia para evitar complicações severas é o acompanhamento pré-natal de qualidade, a detecção precoce de sinais de alerta e o tratamento adequado. Conhecer as diferenças entre esses quadros, suas causas, sintomas e os cuidados recomendados é fundamental para garantir uma gestação segura e saudável.
Investir na educação em saúde e na conscientização das gestantes sobre esses distúrbios é crucial para reduzir a mortalidade materna e promover partos seguros.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Pre-eclampsia and eclampsia – Acesso em: outubro de 2023.
Ministério da Saúde. Secretaria de Saúde da Mulher. Protocolos de assistência ao parto e nascimento. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
Silva, A. et al. "Prevenção e manejo da pré-eclâmpsia." Revista Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia, v. 45, n. 4, 2023, pp. 321–328.
Lembre-se: a prevenção, o acompanhamento contínuo e a busca por atendimento médico imediato ao primeiro sinal de alteração são as melhores estratégias para garantir a saúde e o bem-estar materno-infantil.
MDBF