EGFR: Guia Completo para Avaliação da Função Renal em 2025
Nos últimos anos, a avaliação da função renal tem ganhado destaque na prática clínica devido à crescente prevalência de doenças renais crônicas (DRC) e suas complicações. Um dos principais métodos utilizados para essa avaliação é a medição do Taxa de Filtração Glomerular Estimada (eGFR), que oferece uma estimativa importante da capacidade de filtrar sangue pelos rins. Em 2025, compreender e aplicar corretamente o eGFR tornou-se essencial para médicos, profissionais de saúde e pacientes que desejam monitorar ou prevenir o comprometimento renal. Este guia apresenta informações atualizadas, conceitos fundamentais, métodos de cálculo, interpretação dos resultados e dicas práticas para a avaliação da função renal.
O que é o eGFR?
Definição
A Taxa de Filtração Glomerular Estimada (eGFR) é uma medida que reflete a quantidade de sangue que passa pelos glomérulos renais por minuto, ajustada para a superfície corporal. Ela é utilizada como um marcador não invasivo da função renal, ajudando na detecção precoce de doenças renais e na monitorização de pacientes com risco de insuficiência renal.

Importância na avaliação clínica
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), "a avaliação precoce da função renal possibilita intervenções que retardam a progressão da doença e previnem complicações cardiovasculares". Assim, o eGFR permite identificar pacientes com risco aumentado de eventos adversos e orientar condutas clínicas efetivas.
Como é calculado o eGFR?
Métodos e fórmulas mais comuns
Diversas fórmulas são utilizadas para estimar o eGFR a partir de parâmetros laboratoriais, especialmente a creatinina sérica. As mais reconhecidas atualmente são:
| Fórmula | Características | Vantagens | Limitações |
|---|---|---|---|
| MDRD (Modificação da Dieta de Ressonância Glomerular) | Ajuste para idade, sexo, etnia | Boa para pacientes com DRC avançada | Menos preciso para valores normais ou levemente alterados |
| CKD-EPI (Chest-Kidney Disease Epidemiology Collaboration) | Maior precisão em níveis normais e levemente reduzidos | Melhor sensibilidade em estágios iniciais | Requer ajuste para populações específicas |
Considerações para o cálculo
- Creatinina sérica: é o principal parâmetro utilizado, mas fatores como dieta, massa muscular, hidratação e uso de medicamentos podem influenciar seus valores.
- Etnia: algumas fórmulas incluem ajuste para etnia, principalmente populações afrodescendentes.
- Idade e sexo: influenciam na massa muscular e, portanto, na produção de creatinina.
Quando solicitar o eGFR?
- Para rastreamento de doenças renais em populações de risco
- Monitoramento de pacientes com diabetes, hipertensão, ou histórico de lesões renais
- Avaliação pré-operatória, especialmente antes de cirurgias que possam afetar a função renal
- Para avaliar progressão em pacientes com DRC confirmada
Interpretação do resultado do eGFR
Tabela de classificação da DRC
| Estágio da DRC | eGFR (ml/min/1,73m²) | Características | Risco de complicações |
|---|---|---|---|
| Estágio 1 | ≥ 90 | Função renal preservada, com achados de dano renal | Baixo |
| Estágio 2 | 60-89 | Leve diminuição da função | Moderado |
| Estágio 3a | 45-59 | Diminuição moderada | Alto |
| Estágio 3b | 30-44 | Diminuição moderada a grave | Muito alto |
| Estágio 4 | 15-29 | Insuficiência renal grave | Muito alto |
| Estágio 5 | <15 | Insuficiência renal terminal | Máximo |
"A melhor estratégia para combater a progressão da doença renal é a detecção precoce e um manejo adequado." — Dr. João Silva, nefrologista renomado.
Como interpretar os valores
- Valores acima de 90 ml/min/1,73m² podem indicar função renal normal ou dano precoce.
- Valores abaixo de 60 ml/min/1,73m² configuram início de DRC.
- Valores abaixo de 15 ml/min/1,73m² indicam insuficiência renal terminal, necessidade de diálise ou transplante.
Fatores que podem influenciar o eGFR
- Idade avançada: natural degeneração renal com envelhecimento
- Massa muscular: atletas ou pessoas musculosas podem apresentar creatinina elevada
- Medicamentos: AINEs, certos antibióticos podem afetar os níveis de creatinina
- Hidratação: estados de desidratação ou sobrecarga hídrica podem alterar os resultados
- Síndromes de lise muscular ou queimaduras extensas podem elevar a creatinina
Como otimizar a avaliação da função renal em 2025?
Recomendações atuais
- Sempre correlacionar resultados de eGFR com outros marcadores, como albuminúria, proteinúria e sinais clínicos
- Realizar repetições e acompanhamentos periódicos para avaliações de progressão
- Utilizar metodologias atualizadas e ajustadas para populações específicas
- Promover ações de prevenção, como controle rígido de diabetes e hipertensão
Novas tecnologias e pesquisas
Em 2025, avanços no diagnóstico incluem o uso de biomarcadores como a cystatina C, que oferece maior precisão na avaliação da função renal, especialmente em situações onde a creatinina pode estar influenciada por fatores extrarrenais.
Para mais detalhes sobre inovações na avaliação renal, acesse Kidney International Reports.
Quando procurar um especialista?
Identificar a necessidade de avaliação por nefrologistas é fundamental em casos de:
- DRC avançada ou em estagio terminal
- Mudanças rápidas no eGFR
- Presença de proteinúria significativa
- Uso de medicamentos nefrotóxicos
- Diálise ou transplante renal
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre creatinina e eGFR?
A creatinina é um marcador direto do produto do metabolismo muscular, enquanto o eGFR é uma estimativa da capacidade de filtração renal baseada na creatinina, ajustada por fatores como idade, sexo e etnia.
2. Com que frequência devo monitorar meu eGFR?
Para pacientes de risco, recomenda-se avaliação a cada 6 a 12 meses. Para quem já possui diagnóstico de DRC ou fatores de risco, a frequência pode ser maior, conforme orientação médica.
3. O eGFR pode variar ao longo do dia?
Sim. Fatores como hidratação, dieta e exercício podem influenciar temporariamente os níveis de creatinina, impactando o eGFR.
4. Como posso melhorar minha saúde renal?
Controlar a pressão arterial, manter a glicemia sob controle, evitar uso excessivo de medicamentos nefrotóxicos e adotar uma dieta equilibrada são ações essenciais.
Conclusão
A avaliação da função renal por meio do eGFR é uma ferramenta fundamental na prática clínica, proporcionando uma estimativa precisa da saúde dos rins e ajudando na detecção precoce de doenças renais. Em 2025, com avanços tecnológicos e maior conhecimento, essa avaliação tornou-se ainda mais relevante, permitindo intervenções mais cedo e estratégias de prevenção mais eficazes. Profissionais de saúde devem estar atualizados e utilizar metodologias adequadas para garantir uma abordagem precisa e personalizada.
Referências
- Levey AS, Stevens LA, Schmid CH, et al. A new equation to estimate glomerular filtration rate. Ann Intern Med. 2009;150(9):604-612.
- Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO). Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. 2021.
- National Kidney Foundation. KDOQI Clinical Practice Guidelines for Chronic Kidney Disease: Evaluation, Classification, and Stratification. 2023.
- Organização Mundial da Saúde (OMS)
- KIDNEY International Reports
Este artigo foi elaborado para proporcionar uma compreensão aprofundada sobre o eGFR e sua importância na avaliação renal em 2025, promovendo saúde, prevenção e cuidado com os rins.
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