Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma condição comum, que afeta milhões de mulheres ao redor do mundo. Caracterizada por uma infecção dos órgãos reprodutivos femininos, a DIP pode causar complicações sérias, incluindo infertilidade e dores crônicas, se não for diagnosticada e tratada adequadamente. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a DIP é uma das principais causas de infertilidade feminina e de dor pélvica crônica.
Este artigo abordará detalhadamente o que é a Doença Inflamatória Pélvica, seus sintomas, critérios de diagnóstico, opções de tratamento e cuidados preventivos. Além disso, responderemos às perguntas mais frequentes para esclarecer dúvidas comuns sobre a condição.

O que é a Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?
Definição
A Doença Inflamatória Pélvica (CID G70.0 na Classificação Internacional de Doenças - CID) é uma infecção que acomete os órgãos reprodutivos femininos, como útero, trompas de Falópio, ovários e outros tecidos pélvicos. A condição geralmente é causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente clamídia e gonorreia, embora possa ter origem em outras bactérias.
Etiologia
A principal causa da DIP é a ascensão de bactérias do trato genital inferior (como a vagina e colo do útero) para o trato superior. A transmissão ocorre, predominantemente, através de relações sexuais desprotegidas, embora infecções possam surgir também por procedimentos invasivos ou uso de dispositivos intrauterinos (DIU) sem adequada profilaxia.
Fatores de risco
- Múltiplos parceiros sexuais
- Relações sexuais sem uso de preservativos
- Histórico de infecções sexualmente transmissíveis
- Cirurgias ginecológicas ou abortos
- Idade jovem (adolescentes e mulheres na faixa dos 20 anos)
Sintomas da Doença Inflamatória Pélvica
Sintomas mais comuns
| Sintomas | Descrição |
|---|---|
| Dor pélvica | Dor contínua ou intermitente, na região inferior do abdômen ou pelvis |
| Corrimento vaginal | Variado em quantidade e cor, podendo ser amarelo, verde ou com odor forte |
| Febre | Temperatura elevando acima de 38°C |
| Dor durante as relações sexuais | Se estamos em uma relação sexual, pode ocorrer dor ou desconforto |
| Sangramento intermenstrual | Sangue fora do ciclo menstrual normal |
| Náuseas e vômitos | Em casos mais avançados ou com quadros agudos |
Sintomas em formas leves ou crônicas
Algumas mulheres podem apresentar sintomas leves ou ficar assintomáticas, dificultando o diagnóstico precoce. A dor pode ser crônica, levando à dor pélvica persistente que prejudica a qualidade de vida.
Diagnóstico da DIP
Critérios clínicos
O diagnóstico da Doença Inflamatória Pélvica é baseado em uma combinação de anamnese, exame físico, exames laboratoriais e de imagem. Não há uma única prova definitiva, o que torna o diagnóstico clínico essencial.
Exame físico
- Sensibilidade à palpação na região pélvica
- Amolecimento ou aumento dos órgãos pélvicos
- Corrimentos vaginais
- Presença de febre
Exames laboratoriais
- Hemograma completo (verificar sinais de infecção)
- Teste para ISTs (Clamídia, Gonorreia)
- Cultura de secreções cervicais
- Teste de gravidez para afastar causas de dor diferentes
Exames de imagem
| Exame | Descrição | Utilidade |
|---|---|---|
| Ultrassonografia transvaginal | Avalia útero, ovários e trompas | Detecta abscessos, alterações anatômicas |
| Laparoscopia | Procedimento invasivo de visualização direta | Confirma o diagnóstico, promove tratamento |
(Mais informações podem ser encontradas em Diretório de Infecções e DSTs)
Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica
Tratamento clínico
A maioria dos casos de DIP é tratada com antibióticos. O tratamento deve ser iniciado precocemente para evitar complicações.
Protocolo padrão
- Antibióticos orais: combinação de medicamentos que cobrem as principais bactérias envolvidas
- Hospitalização: em casos graves, com abscessos ou sinais de peritonite
- Acompanhamento: realização de exames para confirmar cura, além de aconselhamento sobre prevenção de ISTs
Exames de acompanhamento
| Exame | Frequência | Finalidade |
|---|---|---|
| Exames clínicos | Durante o tratamento | Avaliar melhora dos sintomas |
| Culturas bacterianas | Após finalização do tratamento | Confirmar eliminação da infecção |
Prevenção de complicações
- Uso de preservativos
- Realização de exames periódicos
- Tratamento de parceiros sexuais
- Vacinação contra a clamtídia e hepatite B
Como prevenir a Doença Inflamatória Pélvica?
A prevenção é fundamental para evitar a recorrência e possíveis complicações.
Recomendações principais
- Uso consistente de preservativos durante as relações sexuais
- Realização de exames ginecológicos regulares
- Vacinação contra hepatite B e HPV
- Educação sobre ISTs e práticas sexuais seguras
- Evitar múltiplos parceiros sem proteção adequada
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A Doença Inflamatória Pélvica pode desaparecer sozinha?
Resposta: Não, a DIP não costuma desaparecer sem tratamento. Se não tratada, pode levar a complicações sérias, incluindo infertilidade.
2. Quais são os riscos de não tratar a DIP?
Resposta: Fertilidade comprometida, dor crônica, formação de abscessos e aumento do risco de gravidez ectópica.
3. A DIP pode voltar após o tratamento?
Resposta: Sim, se os fatores de risco persistirem, o retorno da infecção é possível. Medidas preventivas são essenciais.
4. É possível engravidar após a DIP?
Resposta: Sim, mas depende da gravidade da infecção e do dano aos órgãos reprodutivos. Quanto mais cedo for o diagnóstico e tratamento, maiores as chances de preservação da fertilidade.
5. Como saber se tenho DIP?
Resposta: O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde, após avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem.
Conclusão
A Doença Inflamatória Pélvica é uma condição que requer atenção e cuidados adequados. O reconhecimento precoce dos sintomas, o diagnóstico correto e o tratamento imediato são essenciais para evitar complicações, como infertilidade e dor crônica. A prevenção, por meio de práticas sexuais seguras e exames regulares, desempenha papel fundamental na redução da incidência da DIP.
Se você suspeita de DIP ou apresenta sintomas relacionados, procure um ginecologista o quanto antes. Quanto mais cedo a condição for tratada, melhores serão os resultados e menor o risco de sequelas.
Referências
Organização Mundial da Saúde (OMS). Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Disponível em: https://www.who.int/health-topics/sexually-transmitted-infections
Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo de assistência às infecções sexualmente transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
Silva, A. L. et al. Diagnóstico e manejo da doença inflamatória pélvica em mulheres jovens. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 45, n. 7, p. 398-404, 2017.
Lembre-se: a saúde reprodutiva é fundamental para o bem-estar feminino. Procure sempre auxílio especializado e mantenha seus exames em dia.
MDBF