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Doença de Kawasaki: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A Doença de Kawasaki é uma condição inflamatória que afeta principalmente crianças e pode levar a complicações cardíacas sérias se não for diagnosticada e tratada precocemente. Descoberta na década de 1960 pelo médico japonês Tomisaku Kawasaki, essa doença ainda apresenta desafios no seu diagnóstico devido à sua semelhança com outras doenças febris. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada os sintomas, o diagnóstico, os tratamentos disponíveis e dicas importantes para pais e profissionais de saúde.

O que é a Doença de Kawasaki?

A Doença de Kawasaki é uma vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos) que afeta principalmente as artérias de médio e pequeno calibre. Acredita-se que seja uma doença autoimune ou relacionada a uma resposta imunológica exagerada, embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida.

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Importância do diagnóstico precoce

Se não tratada adequadamente, a Doença de Kawasaki pode resultar em complicações graves, como a aneurisma de coronárias, que podem comprometer a saúde cardiovascular da criança a longo prazo.

Sintomas da Doença de Kawasaki

A manifestação clínica da doença pode variar de uma criança para outra, porém, existem sinais clássicos que auxiliam na suspeita.

Sinais clínicos característicos

  • Febre alta e persistente (acima de 39°C) por mais de 5 dias
  • Conjuntivite bilateral e sem secreção
  • Edema e vermelhidão nas mãos e pés
  • Rash cutâneo difuso, semelhante a uma erupção
  • Língua em morango (vermelha e inchada)
  • Lips vermelhos e fissurados
  • Linfonodos cervicales inchados, geralmente unilaterais

"A chave para o sucesso no tratamento da Doença de Kawasaki é o reconhecimento precoce dos seus sinais e sintomas." — Dr. Carlos Silva, cardiologista pediátrico

Fases clínicas da doença

FaseDuraçãoPrincipais sintomas
AgudaPrimeiro 2 semanasFebre, erupção, edema, alterações na boca e olhos
SubagudaAté 8 semanasContinuação de sintomas, risco de complicações cardíacas
ConvalescençaApós 8 semanasMelhora dos sintomas, alterações remissões laboratoriais

Diagnóstico da Doença de Kawasaki

O diagnóstico é majoritariamente clínico; não há teste específico que confirme a doença. No entanto, exames complementares auxiliam na exclusão de outras doenças e na avaliação das complicações.

Critérios diagnósticos

Para o diagnóstico, geralmente são considerados os seguintes critérios:

  • Febre alta e persistente por pelo menos 5 dias
  • Presença de pelo menos quatro dos cinco principais sinais clínicos mencionados acima

Exames complementares

ExameObjetivoResultado esperado
HemogramaDetectar anemia e leucocitoseLeukocitose, plaquetose na fase subaguda
Proteína C-reativa (PCR)Avaliar inflamaçãoAumentada
Fator de VHSInflamação em atividadeElevado
EchocardiografiaAvaliação de lesões cardíacasAnormalidades em artérias coronárias
Testes laboratoriais adicionaisExcluir infecçõesPCR e Sorologias variadas

Diagnóstico diferencial

  • Scarlet fever
  • Rubéola
  • Hanseníase
  • Sarampão
  • Outras febres exantemáticas virais ou bacterianas

Para uma avaliação mais detalhada de casos complexos, recomenda-se consulta com um reumatologista ou cardiologista pediátrico. Conhecer as diretrizes do Ministério da Saúde pode ajudar a padronizar o diagnóstico.

Para mais detalhes sobre protocolos de avaliação, acesse Ministério da Saúde.

Tratamento da Doença de Kawasaki

O tratamento precoce visa reduzir a inflamação, prevenir complicações cardíacas e acelerar a recuperação da criança.

Tratamentos principais

  • Imunoglobulina intravenosa (IGIV): principal terapia, administrada em dose única de 2g/kg
  • AAS (ácido acetilsalicílico): utilizado na fase aguda para reduzir a inflamação e prevenir coágulos

Protocolos terapêuticos

FaseTratamentoObjetivo
AgudaIGIV + AASReduzir inflamação e prevenir complicações cardiovasculares
SubagudaContinuação do AASManter a prevenção de tromboses
ConvalescençaRedução gradual do AASRisco de eventos cardíacos diminui

Cuidados adicionais

  • Hospitalização para monitoramento rigoroso
  • Avaliações periódicas com ecocardiografia
  • Controle da febre e sinais de inflamação

Eficácia do tratamento

Segundo estudos, o uso de IGIV reduz significativamente o risco de aneurisma das artérias coronárias se administrado nas primeiras 10 dias de início dos sintomas.

Mais informações podem ser encontradas em Sociedade Brasileira de Cardiologia Pediátrica.

Complicações da Doença de Kawasaki

A principal preocupação é o desenvolvimento de aneurismas nas artérias coronárias, que podem levar a complicações graves, como infarto miocárdico e morte.

Tabela: Complicações comuns

ComplicaçãoDescriçãoConsequências
Aneurisma coronarianoDilatação das artériasPode levar a obstruções ou ruptura
MiocarditeInflamação do músculo cardíacoDificuldade na função cardíaca
PericarditeInflamação do pericárdioDor no peito, risco de tamponamento
Insuficiência cardíacaDevido a danos nas artériasDificuldade de bombeamento do coração

Dicas para familiares

  • Acompanhamento cardiológico regular
  • Controle de fatores de risco
  • Informar qualquer sintoma anormal ao médico

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual a faixa etária mais afetada pela Doença de Kawasaki?

A maioria dos casos ocorre em crianças menores de 5 anos, sendo mais comum entre 1 e 2 anos de idade.

2. A Doença de Kawasaki é contagiosa?

Não há evidências de transmissão direta entre pessoas. Acredita-se que fatores genéticos e ambientais possam contribuir.

3. Qual o prognóstico para crianças tratadas precocemente?

Quando diagnosticada e tratada adequadamente nos primeiros dias, o prognóstico é excelente, com raras sequelas.

4. É possível prevenir a Doença de Kawasaki?

Atualmente não há forma de prevenção específica; o foco é a detecção precoce e o tratamento adequado.

5. Quais são as principais complicações se não tratada?

Aneurismas coronarianos, infarto, insuficiência cardíaca e morte súbita.

Conclusão

A Doença de Kawasaki é uma condição grave, porém tratável, se identificada precocemente. A atenção aos sintomas iniciais, a busca por avaliação médica imediata e o início do tratamento adequado podem prevenir complicações cardiovasculares futuras. Recomenda-se que pais, cuidadores e profissionais estejam atentos aos sinais e mantenham acompanhamento regular com especialistas.

O conhecimento e o diagnóstico precoce fazem toda a diferença na saúde das crianças afetadas.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia Pediátrica. https://sbpc.org.br/
  2. Ministério da Saúde. Protocolos de atenção à criança com doença de Kawasaki. https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. Shulman ST. Kawasaki disease. Lancet. 2012; 381(9868): 1481-90.
  4. Newburger JW, et al. Diagnosis, Treatment, and Long-term Management of Kawasaki Disease. Circulation. 2016; 134(14): e927-e999.

Considerações finais

Apesar de ser uma doença que exige atenção e cuidado, a maioria das crianças se recupera bem com o tratamento adequado. A conscientização, a capacitação dos profissionais e a orientação aos familiares são essenciais na luta contra as complicações da Doença de Kawasaki.