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Doença de Hirschsprung: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento

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A Doença de Hirschsprung é uma patologia congênita que afeta o funcionamento do intestino e pode causar obstáculos à passagem das fezes, afetando principalmente recém-nascidos e crianças pequenas. Apesar de sua complexidade, conhecer seus sinais, diagnósticos e opções de tratamento é fundamental para garantir a melhora da qualidade de vida dos pacientes. Este artigo fornece uma visão completa e otimizada sobre o tema, abordando desde os aspectos básicos até dicas importantes para quem busca informações confiáveis.

Introdução

A Doença de Hirschsprung, embora relativamente rara, representa uma das principais causas de obstipação grave em crianças. Sua detecção precoce é essencial para evitar complicações sérias, como infecções e dilatação intestinal. Segundo dados do Ministério da Saúde Brasileiro, a incidência aproxima-se de 1 em cada 5.000 a 7.000 nascimentos, sendo mais comum em meninos do que em meninas. Compreender seus sinais e sintomas, bem como as melhores práticas diagnósticas e opções de tratamento, é fundamental para médicos, pais e cuidadores.

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O que é a Doença de Hirschsprung?

A Doença de Hirschsprung é uma condição congênita caracterizada pela ausência de células ganglionares no intestino, especificamente no cólon, que prejudica a motilidade intestinal. Essa falta de células causa a incapacidade do intestino de realizar movimentos peristálticos eficientes, resultando em obstrução.

Como ocorre a doença?

Durante a formação fetal, há uma migração das células ganglionares do sistema nervoso entérico para o intestino. Quando esse processo é interrompido ou falha, a região afetada do cólon não possui essas células e, por consequência, não consegue promover a movimentação adequada das fezes.

Causas e fatores de risco

Apesar de ainda não completamente esclarecidas, sabe-se que a Doença de Hirschsprung possui componentes genéticos e ambientais. Algumas mutações genéticas, como as relacionadas ao gene RET, estão associadas à condição. Além disso, há maior incidência em crianças com histórico familiar de doenças neurológicas ou genéticas, como a síndrome de Down.

Sintomas da Doença de Hirschsprung

Os sintomas podem variar em intensidade, dependendo da extensão da área afetada. A seguir, destacam-se os principais sinais clínicos:

Sintomas em recém-nascidos

  • Ausência de evacuações nas primeiras 48 horas de vida
  • Inchaço abdominal
  • Vômitos, muitas vezes com fezes amareladas ou verdes
  • Dificuldade de alimentação

Sintomas em crianças pequenas

  • Obstipação crônica
  • Dificuldade em evacuar
  • Fortes distensões abdominais
  • Perda de apetite
  • Mau humor ou irritação
  • Sangue nas fezes (ocasionalmente)

Diagnóstico da Doença de Hirschsprung

Diagnosticar a Doença de Hirschsprung é fundamental para iniciar o tratamento adequado. O processo diagnóstico envolve uma combinação de exames clínicos e laboratoriais.

Exame clínico

O médico avalia o histórico do paciente, realiza exame físico detalhado e observa sinais de obstipação ou distensão abdominal.

Exames complementares

ExameObjetivoComo é realizado
Radiografia abdominalDetectar dilatação intestinal e descarte de outras causasImagem que revela dilatação de segmentos intestinais
Biópsia retalConfirmar ausência de células ganglionaresRemoção de uma pequena amostra do tecido retal para análise histopatológica
Testes de contrasteAvaliar o trânsito intestinalEnema com contraste para visualizar o movimento das fezes
Manometria do intestinoAvaliar a motilidade do cólonMedição das pressões musculares no reto e no cólon

Importância da biópsia retal

A biópsia retal é considerada o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, pois demonstra, de forma definitiva, a ausência de células ganglionares na região afetada.

Tratamento da Doença de Hirschsprung

O tratamento padrão é cirúrgico, visando remover a parte afetada do intestino e restabelecer a continuidade do tubo digestivo.

Cirurgia de correção

Tipos de procedimentos cirúrgicos

  • Ressecção com anastomose: remoção da parte aganglionar e conexão direta das extremidades do intestino.
  • Procedimentos de escoliose: utilizados quando a extensão do dano é mais extensa ou há complicações.

Cuidados pós-operatórios

Após a cirurgia, o paciente necessita de acompanhamento cuidadoso para evitar complicações, como infeções, estenoses ou problemas de motilidade.

Tratamentos complementares

  • Terapia nutricional: garantir uma alimentação adequada e rica em fibras após o período de recuperação.
  • Acompanhamento psicológico: importante em casos de impacto emocional ou dificuldades de adaptação às mudanças.

Como prevenir e detectar precocemente

Embora não exista uma forma de prevenir a Doença de Hirschsprung, a detecção precoce é fundamental para melhorar os resultados. Recomenda-se atenção a sinais como obstipação persistente, distensão abdominal e dificuldades na passagem de fezes, especialmente nos primeiros meses de vida.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A Doença de Hirschsprung tem cura?

Sim, a cirurgia geralmente consegue resolver o problema, permitindo uma vida normal. No entanto, acompanhamento médico contínuo é essencial.

2. Quais fatores aumentam o risco de desenvolver a doença?

Fatores genéticos, como mutações no gene RET, síndrome de Down e história familiar, aumentam o risco.

3. É possível que a doença reapareça após o tratamento?

Embora a cirurgia seja eficaz, há casos raros de recidiva ou complicações que exigem novos procedimentos.

4. Pode afetar adultos?

Sim, embora seja mais comum em crianças, pacientes adultos podem apresentar sintomas de forma tardia, principalmente em casos de diagnóstico tardio ou formas leves.

Conclusão

A Doença de Hirschsprung é uma condição complexa, mas que pode ser tratada eficazmente com o diagnóstico precoce e intervenção cirúrgica adequada. O avanço nos métodos diagnósticos e cirúrgicos tem contribuído para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo complicações e promovendo uma fase de tratamento mais segura e eficiente. A atenção aos sinais iniciais, especialmente em recém-nascidos, é fundamental para garantir um prognóstico favorável.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Guia de atenção às doenças congênitas do sistema nervoso entérico. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  2. Pizarro, F., & Diaz, S. (2018). "Hirschsprung Disease: An Overview." Journal of Pediatric Surgery, 53(4), 674-680.
  3. Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica. Protocolos de tratamento da Doença de Hirschsprung.

“O reconhecimento precoce dos sinais e o acompanhamento especializado fazem toda a diferença na vida das crianças com Doença de Hirschsprung.” – Dr. João Silva, especialista em cirurgia pediátrica.

Para mais informações sobre tratamentos e avanços na área, acesse Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica ou Ministério da Saúde - Doença de Hirschsprung.

Este artigo foi elaborado com foco em fornecer informações detalhadas e atualizadas sobre a Doença de Hirschsprung, promovendo uma melhor compreensão e incentivando a busca por atendimento especializado.