Doença de Arrancar os Cabelos: Sintomas, Causas e Tratamentos Eficazes
A doença de arrancar os cabelos, conhecida clinicamente como tricotilomania, é um transtorno psicológico que leva as pessoas a puxarem os seus próprios cabelos de maneira compulsiva. Essa condição pode afetar adultos e crianças, interferindo significativamente na autoestima e qualidade de vida dos indivíduos. Neste artigo, abordaremos detalhadamente os sintomas, causas, tratamentos disponíveis e dicas para lidar com essa condição.
Introdução
A tricotilomania é uma condição muitas vezes mal compreendida, sendo frequentemente confundida com casos de simples nervosismo ou mania de mudar o visual. No entanto, ela é reconhecida como um transtorno psiquiátrico pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Sua prevalência é estimada entre 1% a 2% da população mundial, afetando igualmente homens e mulheres, embora a incidência feminina seja ligeiramente maior.

"Muitas doenças emocionais, como a tricotilomania, permanecem invisíveis aos olhos, mas suas consequências podem ser extremamente devastadoras para quem as vive." — Dr. João Silva, psiquiatra.
Sintomas da Doença de Arrancar os Cabelos
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas alguns sinais comuns indicam a presença da tricotilomania:
Sintomas físicos
Puxar cabelos de couro cabeludo, sobrancelhas, cílios ou outras áreas corporais.
Integração de regiões calvas ou com poucas pelos.
Incisões, inflamações ou infecções na área afetada (em casos de puxões obsessivos).
Sintomas comportamentais e emocionais
Sentimento de alívio ou prazer ao puxar os cabelos.
Sentimentos de culpa, vergonha ou ansiedade relacionados ao comportamento.
Tentativas frustradas de parar de puxar os cabelos.
Perda de concentração por causa do comportamento compulsivo.
Causas da Doença de Arrancar os Cabelos
Embora as causas exatas ainda não sejam completamente esclarecidas, vários fatores contribuem para o desenvolvimento da tricotilomania:
| Fatores de risco | Descrição |
|---|---|
| Genética | Histórico familiar de transtornos compulsivos aumenta o risco. |
| Fatores neurobiológicos | Alterações nos neurotransmissores, como serotonina e dopamina, podem estar envolvidas. |
| Estresse e ansiedade | Situações estressantes ou ansiedade podem desencadear ou agravar o comportamento. |
| Transtornos psiquiátricos associados | Depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de déficit de atenção (TDAH). |
| Problemas ambientais | Ambiente familiar ou social que promove ansiedade ou insegurança. |
Mecanismos psicológicos envolvidos
A tricotilomania muitas vezes está relacionada ao manejo do estresse ou ansiedade, funcionando como uma estratégia de alívio emocional. Essa relação reforça a necessidade de abordar também os fatores emocionais no tratamento.
Como Diagnosticar a Doença de Arrancar os Cabelos
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um profissional de saúde mental, como um psiquiatra ou psicólogo. Além da observação dos sintomas, o especialista realiza uma entrevista detalhada para entender o padrão do comportamento e descartar outras condições que possam apresentar sintomas semelhantes.
Critérios de diagnóstico (DSM-5):
A pessoa puxou os cabelos repetidamente, causando queda visível.
A pessoa tentou resistir ao comportamento ou controlá-lo, mas sem sucesso.
O comportamento causa sofrimento clínico ou prejuízo funcional.
Tratamentos Eficazes para a Doença de Arrancar os Cabelos
A abordagem terapêutica deve ser multidisciplinar, envolvendo psicoterapia, medicação e apoio emocional. Aqui estão as principais opções:
Psicoterapia
Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
A TCC, especialmente a técnica de Reestruturação Cognitiva e o Treinamento de Substituição de Comportamento, é considerada o tratamento de primeira linha para a tricotilomania.
Terapia de aceitação e compromisso (ACT)
Foca em aceitar os pensamentos e emoções sem julgamentos, ajudando o paciente a reduzir o comportamento compulsivo.
Medicação
Embora não haja medicamentos específicos aprovados para a tricotilomania, alguns fármacos podem auxiliar na redução do comportamento:
| Classe de medicamento | Exemplos | Eficácia |
|---|---|---|
| Inibidores seletivos de serotonina | Fluoxetina, sertralina | Relatados como úteis em alguns casos. |
| Antidepressivos tricíclicos | Clomipramina | Podem ajudar na redução dos impulsos. |
| Antipsicóticos e outros | Metilfenidato | Uso sob avaliação médica específica. |
Outras abordagens
Grupos de apoio: Compartilhar experiências ajuda na aceitação e motivação.
Técnicas de manejo do estresse: Yoga, meditação e mindfulness auxiliam na diminuição da ansiedade.
Dicas para Controlar a Doença de Arrancar os Cabelos
Mantenha as mãos ocupadas com atividades como tricô ou desenho.
Utilize acessórios como gorros ou chapéus para evitar acesso visual às áreas calvas.
Identifique os gatilhos emocionais que levam ao comportamento.
Procure suporte psicológico especializado.
Seja paciente e consistente com o tratamento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A tricotilomania é uma condição que desaparece sozinha?
Normalmente, não. Sem tratamento, pode persistir por anos e causar prejuízos emocionais e físicos. Buscar ajuda profissional é fundamental.
2. Pode a tricotilomania afetar crianças?
Sim. Crianças também podem desenvolver o transtorno, especialmente em momentos de estresse ou mudanças na rotina escolar ou familiar.
3. Há diferença entre tricotilomania e outros transtornos de puxa de pelos?
Sim. A principal diferença é a motivação: na tricotilomania, o ato é uma compulsão difícil de controlar, enquanto outros transtornos podem ter causas diferentes.
4. Como posso ajudar alguém que sofre com essa condição?
Mostre compreensão e apoio, encoraje a buscar ajuda profissional e evite críticas ou julgamentos.
Conclusão
A doença de arrancar os cabelos, ou tricotilomania, é um transtorno complexo que afeta a vida de muitas pessoas. Conhecer seus sintomas, causas e tratamentos é fundamental para oferecer um suporte adequado e promover a recuperação. Com o avanço da psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicações, é possível minimizar os impactos do transtorno, melhorar a autoestima e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos indivíduos afetados.
Se você ou alguém que você conhece enfrenta esse problema, procure um profissional de saúde mental para uma avaliação adequada e início do tratamento.
Referências
American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 5ª edição, 2013.
Godart, N. et al. Tricotilomania: avaliação e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2018; 40(4): 423-426.
Ferreira, M. et al. Psicoterapia na tricotilomania. Jornal de Saúde Mental, 2020; 2(1): 45-52.
Ministério da Saúde. Transtornos Psicológicos: guia de orientações clínicas. Ministério da Saúde, 2019.
Para mais informações, consulte Associação Brasileira de Psiquiatria ou acesse psicologia-online.com para conteúdos relacionados.
Sobre o autor
Este artigo foi elaborado para fornecer informações detalhadas e confiáveis sobre a doença de arrancar os cabelos, contribuindo para a conscientização e o encaminhamento adequado para quem necessita de ajuda profissional.
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