Dispepsia: O Que É e Quais São Seus Sintomas Mais Comuns
A dispepsia, frequentemente denominada como "indigestão", é um termo utilizado para descrever um conjunto de sintomas que afetam a região superior do abdômen. Essa condição é bastante comum e pode afetar pessoas de todas as idades, trazendo desconforto e impacto na qualidade de vida. Apesar de ser uma queixa frequente em consultas médicas, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que exatamente significa dispepsia, suas causas, sintomas, e como ela pode ser tratada. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que é a dispepsia, os sintomas mais comuns, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e dicas de prevenção.
O que é dispepsia?
Dispepsia é um termo clínico que refere-se a um desconforto ou dor na região superior do abdômen, muitas vezes associado a outros sintomas como sensação de plenitude, queimação ou enjôo. Segundo a Associação Americana de Gastroenterologia, a dispepsia é um termo que cobre um conjunto de sinais e sintomas relacionados ao sistema digestivo superior, especialmente o estômago e o duodeno.

Definição médica
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a dispepsia não é uma doença específica, mas sim um conjunto de sintomas que podem indicar diferentes condições subjacentes. Ela pode ser classificada de forma geral em duas categorias:
- Dispepsia funcional: quando os sintomas não são atribuíveis a uma causa orgânica aparente após exame clínico e investigações iniciais.
- Dispepsia orgânica: quando os sintomas são resultado de alguma condição orgânica, como úlceras, refluxo ou gastrite.
Quais são as causas da dispepsia?
As causas podem variar bastante, abrangendo fatores relacionados ao estilo de vida, condições médicas e hábitos alimentares. A seguir, apresentamos as principais causas de dispepsia.
Causas comuns
| Causas | Descrição |
|---|---|
| Refluxo gastroesofágico (DRGE) | Regurgitação de ácido pelo estômago, causando queimação e desconforto. |
| Gastrite | Inflamação da mucosa do estômago, muitas vezes associada ao uso de anti-inflamatórios ou infecção por H. pylori. |
| Úlcera gástrica ou duodenal | Feridas abertas na parede do estômago ou duodeno. |
| Dispepsia funcional | Sintomas sem causa orgânica identificável. |
| Consumo excessivo de álcool ou cafeína | Estímulo ao aumento da acidez gástrica e inflamações. |
| Uso de medicamentos | Anti-inflamatórios, antibióticos ou outros medicamentos que irritam o estômago. |
| Estresse e ansiedade | Podem aumentar a produção de ácido e sensibilizar o sistema nervoso digestivo. |
Fatores de risco
Além das causas diretamente relacionadas às condições médicas, alguns fatores podem aumentar a predisposição para desenvolver dispepsia:
- Vida sedentária
- Tabagismo
- Alimentação inadequada ou irregular
- Obesidade
- Histórico familiar de doenças gastrointestinais
Sintomas mais comuns da dispepsia
A identificação dos sintomas é fundamental para o diagnóstico prévio e buscar ajuda médica. A seguir, descrevemos os sinais mais frequentes associados à dispepsia.
Sintomas predominantes
- Dor ou queimação na parte superior do abdômen
Pode variar de leve a intensa, ocorrendo após as refeições ou à noite. - Sensação de saciedade precoce
Sentir-se cheio rapidamente ao comer. - Inchaço ou distensão abdominal
Acúmulo de gases, causando desconforto. - Náusea e vômito
Sensação de enjôo que pode levar ao vômito ocasional. - Eructação (arrotos)
Liberação de gases pelo estômago. - Queimor ou azia
Sensação de queimação no esôfago devido ao refluxo ácido. - Perda de apetite
Em alguns casos, o desconforto leva ao desinteresse pela alimentação.
Tabela: Sintomas mais comuns da dispepsia
| Sintoma | Descrição |
|---|---|
| Dor ou queimação | Desconforto localizado na parte superior do abdômen. |
| Sensação de plenitude | Sentir-se cheio após pequenas refeições. |
| Inchaço abdominal | Distensão e sensação de peso na região do estômago. |
| Náusea | Sensação de enjôo, às vezes levando ao vômito. |
| Azia | Queimação com sensação de ardor no peito ou garganta. |
Diagnóstico
O diagnóstico da dispepsia envolve uma avaliação clínica detalhada, incluindo história médica, exame físico e, se necessário, exames complementares.
Exames realizados
- Endoscopia digestiva alta: permite visualizar o esôfago, estômago e duodeno, além de coletar biópsias se necessário.
- Radiografia do aparelho digestivo com contraste: avalia alterações estruturais.
- Testes para H. pylori: para detectar infecção por bactéria que pode contribuir para gastrite e úlceras.
- Exames laboratoriais: hemograma, função hepática, entre outros, para investigar causas subjacentes.
Quando procurar um médico?
Se os sintomas persistirem por mais de duas semanas, apresentarem sinais de alarme (como perda de peso, vômito com sangue, febre persistente ou anorexia), ou se os sintomas forem frequentes e graves, é fundamental procurar um especialista em gastroenterologia.
Tratamento da dispepsia
O tratamento visa aliviar os sintomas, tratar as condições subjacentes e adotar mudanças no estilo de vida.
Opções de tratamento
- Medicamentos
| Tipo de medicamento | Finalidade |
|---|---|
| Inibidores da bomba de prótons (IBPs) | Reduzir a produção de ácido gástrico. |
| Antiácidos | Neutralizar o ácido e aliviar queimação e dor. |
| Procinéticos | Ajudar na motilidade do estômago. |
| Antagonistas dos receptores H2 | Diminuir a secreção de ácido. |
Mudanças no estilo de vida
Alimentar-se de forma equilibrada e em horários regulares.
- Evitar alimentos gordurosos, ácidos, cafeína e álcool.
- Praticar atividade física regularmente.
- Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento.
Parar de fumar.
Tratamento de condições específicas
Se a dispepsia estiver relacionada a gastrite, úlcera ou refluxo, o tratamento deverá focar na resolução dessas condições.
Para informações adicionais, confira também o Portal da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia ou o site MedlinePlus.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. A dispepsia pode desaparecer sozinha?
Sim, dependendo da causa, muitas vezes os sintomas podem diminuir ou desaparecer com mudanças no comportamento e alimentação. Porém, se persistirem, é importante procurar ajuda médica.
2. Como diferenciar dispepsia de outros problemas mais graves?
Sintomas como perda de peso, vômito com sangue, dificuldades para engolir ou febre alta devem ser avaliados imediatamente por um médico para descartar condições mais graves.
3. É possível prevenir a dispepsia?
Sim, adotando uma alimentação equilibrada, evitando excessos, praticando exercícios físicos e controlando o estresse são medidas eficazes na prevenção.
Conclusão
A dispepsia é uma condição comum que pode afetar significativamente a qualidade de vida, mas, na maioria das vezes, possui causas tratáveis e manejáveis. É fundamental estar atento aos sintomas, adotar hábitos saudáveis e procurar orientação médica quando necessário. Com um diagnóstico preciso e um tratamento adequado, os sintomas podem ser controlados, proporcionando maior bem-estar e saúde digestiva.
Referências
- Sociedade Brasileira de Gastroenterologia. Dispepsia. Disponível em: https://www.sbg.org.br
- American College of Gastroenterology. Dyspepsia Guidelines. Disponível em: https://gi.org
- MedlinePlus. Dispepsia. Disponível em: https://medlineplus.gov/
- Ford, A. C., et al. (2015). "Management of dyspepsia." BMJ, 351, h5613. DOI: 10.1136/bmj.h5613
Lembre-se: informações contidas neste artigo são para fins informativos e não substituem consulta médica profissional.
MDBF