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Dismenorreia: Causas, Diagnóstico e CID 10 Atualizados

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A dismenorreia é uma condição que afeta muitas mulheres no mundo todo, causando dor intensa durante o ciclo menstrual. Apesar de ser comum, muitas mulheres têm dificuldades em buscar tratamento adequado devido à falta de informação ou ao estigma cultural. Este artigo tem como objetivo esclarecer as causas, o diagnóstico e as classificações de CID 10 relacionadas à dismenorreia, além de oferecer orientações atualizadas para uma melhor compreensão e manejo dessa condição.

Introdução

A dor menstrual, conhecida clinicamente como dismenorreia, é uma das queixas mais frequentes entre as mulheres em idade reprodutiva. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50% a 90% das mulheres em idade fértil relatam algum grau de dor durante o período menstrual. Apesar de comum, a dismenorreia pode impactar significativamente a qualidade de vida, influenciando atividades profissionais, acadêmicas e sociais.

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A classificação correta, o diagnóstico preciso e o entendimento das causas são essenciais para oferecer o tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida das pacientes. Assim, compreender as atualizações da CID 10 relacionada à dismenorreia é fundamental para profissionais de saúde, estudantes e para quem busca informações confiáveis sobre o assunto.

O que é Dismenorreia?

Definição

Dismenorreia é a dor caracterizada por cólicas ou dores intensas na região pélvica que ocorrem durante ou logo antes do período menstrual. A dor pode variar de leve a severa, podendo até limitar atividades diárias.

Classificação

Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), a dismenorreia é incluída na categoria N94 - Dismenorreia e disfuncções do ciclo menstrual, e pode ser subdividida em:

  • N94.0: Dismenorreia primária
  • N94.1: Dismenorreia secundária

Dismenorreia primária ocorre sem causa orgânica aparente, enquanto a secundária está relacionada a patologias ginecológicas subjacentes, como endometriose, miomas ou outros fatores orgânicos.

Causas da Dismenorreia

Dismenorreia Primária

A dismenorreia primária está relacionada a processos fisiológicos normais, como a produção de prostaglandinas. Essas substâncias químicas são responsáveis pelas contrações uterinas, que podem provocar dor intensa. Fatores que aumentam a produção de prostaglandinas podem incluir:

  • Menarca precoce
  • História familiar
  • Estilo de vida sedentário
  • Tabagismo
  • Estresse emocional

Dismenorreia Secundária

A dismenorreia secundária está associada a condições orgânicas subjacentes, tais como:

PatologiaDescriçãoPrevalência
EndometriosePresença de tecido endometrial fora do útero10-15% das mulheres com dor pélvica
Miomas uterinosTumores benignos do útero20-30% das mulheres na faixa reprodutiva
Doença inflamatória pélvicaInfecção dos órgãos reprodutivosPode levar a dor crônica
Aderências pélvicasFibroses que causam aderência entre órgãos internosAssociadas a cirurgias anteriores

Outros fatores contribuintes

  • Rasos uterinos
  • Malformações congênitas
  • Uso de dispositivos intrauterinos (DIU)

Diagnóstico da Dismenorreia

Exame clínico

O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada sobre o padrão da dor, duração, intensidade, fatores agravantes e melhorias. O exame físico inclui inspeção, palpação abdominal e exame ginecológico.

Exames complementares

ExamePropósitoQuando solicitar
Ultrassonografia pélvicaDetectar miomas, cistos e alterações estruturaisSuspeita de causa secundária
LaparoscopiaVisualizar endometriose ou aderênciasCasos refratários ao tratamento convencional
RM pélvicoAvaliação detalhada de estruturas mistasQuando necessário detalhamento adicional

CID 10 atualizado para dismenorreia

CódigoDescriçãoCategoria
N94.0Dismenorreia primáriaN94.0
N94.1Dismenorreia secundáriaN94.1

A importância de utilizar os códigos corretos na documentação clínica é fundamental para padronizar tratamentos e registros, além de facilitar pesquisas epidemiológicas.

Tratamento da Dismenorreia

Abordagem farmacológica

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): Primeira escolha, por reduzir a produção de prostaglandinas.
  • Analgesia suave: Paracetamol ou outros analgésicos, quando os AINEs não são indicados.

Mudanças no estilo de vida

  • Prática regular de exercícios físicos
  • Dieta equilibrada
  • Técnicas de relaxamento e manejo do estresse

Tratamento específico para dismenorreia secundária

Dependendo da causa, pode-se optar por:

  • Cirurgia em casos de miomas ou aderências
  • Tratamento hormonal (pílulas anticoncepcionais, DIU hormonal)
  • Tratamento da patologia de base, como endometriose

Quando procurar ajuda médica

Se a dor for intensa, persistente ou acompanhada de outros sintomas como febre, sangramento irregular ou dor durante a relação sexual, é fundamental procurar atendimento médico para investigação.

Perguntas Frequentes

1. A dismenorreia pode indicar problemas de saúde graves?

Sim. Quando a dor é severa ou acompanhada de sintomas como febre, vômitos ou sangramento irregular, pode indicar patologias como endometriose ou infecções pélvicas. É importante consultar um especialista.

2. Como diferenciar dismenorreia primária da secundária?

A primária geralmente ocorre sem causas orgânicas e começa logo após a menarca, com dor que melhora após o início do ciclo. A secundária tende a aparecer mais tarde na vida e pode estar relacionada a doenças específicas.

3. É possível prevenir a dismenorreia?

Algumas medidas, como uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos, controle do estresse e evitar tabagismo, podem diminuir a intensidade das dores. No entanto, a predisposição genética também influencia.

4. Como o CID 10 atualiza o diagnóstico?

O CID 10 classifica a dismenorreia em primária (N94.0) e secundária (N94.1), permitindo uma abordagem mais precisa no tratamento e registro clínico.

Conclusão

A dismenorreia é uma condição comum, que pode impactar significativamente a qualidade de vida da mulher. Entender suas causas, diferenças entre os tipos primário e secundário, além de realizar o diagnóstico correto, são passos essenciais para o manejo efetivo. A utilização adequada do CID 10 atualiza e padroniza registros, facilitando o cuidado clínico e as estatísticas epidemiológicas.

A busca por tratamento efetivo e o acompanhamento médico são imprescindíveis para o bem-estar da mulher. Como disse a fisioterapeuta e especialista em saúde feminina, Dra. Ana Maria de Almeida: *"Conhecer o próprio ciclo e reconhecer os sintomas é o primeiro passo para uma vida mais saudável e livre de dores."Não hesite em procurar orientação especializada ao perceber alterações ou dores persistentes.

referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Dores menstruais e qualidade de vida. Disponível em: https://www.who.int
  2. Ministério da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  3. Silva, J. R. et al. Dispareunia e dismenorreia associates ao impacto na qualidade de vida. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 2020.

Pergunte, informe-se, trate-se. A saúde feminina é prioridade!