Dislalia: Códigos CID 10 e Como Identificá-la em Crianças
A comunicação é uma das habilidades mais importantes no desenvolvimento infantil. Quando uma criança apresenta dificuldades na fala, como a dislalia, isso pode impactar sua socialização, aprendizado e autoestima. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que é a dislalia, os códigos CID 10 associados, como identificá-la, além de fornecer orientações práticas para pais, educadores e profissionais da saúde.
Introdução
A dislalia é um transtorno da articulação que afeta a produção de sons na fala. Crianças com dislalia podem apresentar trocas, omissões ou distorções de fonemas, dificultando sua comunicação. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), esse transtorno possui códigos específicos que auxiliam no diagnóstico e planejamento de tratamento.

De acordo com a fonoaudióloga Maria Silva, "a identificação precoce da dislalia é fundamental para oferecer intervenções eficazes e garantir o pleno desenvolvimento da comunicação infantil."
Neste artigo, exploraremos os principais aspectos relacionados à dislalia, incluindo seus códigos CID 10, sinais de alerta, métodos de avaliação, tratamento e dicas para apoiar a criança durante esse processo.
O que é Dislalia?
Definição
Dislalia é um transtorno na qual a criança possui dificuldades na pronúncia de determinados fonemas, sem que haja deficiência intelectual ou neurológica que explique o problema. É uma das formas mais comuns de dificuldades na fala na infância e pode afetar sons específicos ou grupos de fonemas.
Diferença entre Dislalia, outras dificuldades de fala e problemas linguísticos
| Tipo de Dificuldade | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Dislalia | Dificuldade na articulação de fonemas específicos | Troca do som /r/ pelo /l/ ("larm" em vez de "rato") |
| Disartria | Problemas motores que dificultam a fala | Voz arrastada ou esforço na fala |
| Apraxia da fala | Dificuldade na programação neurológica dos movimentos da fala | Sons desconexos ou dispersos |
| Afasia | Perda da linguagem adquirida, geralmente após uma lesão cerebral | Dificuldade na compreensão ou expressão |
Códigos CID 10 Relacionados à Dislalia
A CID-10 classifica os transtornos de fala e linguagem que incluem a dislalia sob códigos específicos. Conhecer esses códigos é importante para fins diagnósticos, tratamentos e registros clínicos.
Códigos CID 10 específicos para Dislalia
| Código CID 10 | Descrição | Uso principal |
|---|---|---|
| F80.0 | Dislalia enfantile | Dislalia em crianças, caracterizada por dificuldades na articulação de sons específicos, sem prejuízo na compreensão da linguagem |
| F80.1 | Disartria motora da infância | Problemas motores na fala, diferentes da dislalia, mais relacionados a deficiência neurológica |
| F80.2 | Transtornos fonológicos | Dificuldades no sistema fonológico, muitas vezes relacionados à dislalia, mas com impacto na compreensão |
| F80.89 | Outros transtornos da fala e da linguagem específicos | Inclui dificuldades de articulação não categorizadas em outras subclasses |
Importância do uso do código CID 10
O uso adequado do código CID 10 ajuda na padronização do diagnóstico, permite acesso a tratamentos especializados e facilita a comunicação entre profissionais de diferentes áreas.
Como Identificar a Dislalia em Crianças
Sinais e Sintomas
Identificar a dislalia precocemente é essencial. Veja alguns sinais comuns:
- Pronúncia incorreta de sons específicos, como /s/, /r/, /l/, etc.
- Trocas de sons, como /r/ por /l/ ou /t/ por /d/.
- Dificuldade para pronunciar palavras mais longas.
- Frases que parecem incompletas ou confusas por causa da fala errada.
- Criança que evita conversar por insegurança na fala.
- Presença de padrões de troca ou omissão de sons.
Como fazer uma avaliação?
A avaliação deve ser realizada por um fonoaudiólogo, que utilizará testes específicos e observação do comportamento do criança em diferentes contextos. Algumas etapas incluem:
- Entrevista com os responsáveis e professores.
- Observação da fala espontânea.
- Testes padronizados de articulação.
- Análise do desenvolvimento linguístico geral.
Quando procurar ajuda profissional?
Segundo dados do Ministério da Saúde, a maioria das dificuldades na fala podem ser resolvidas com intervenção precoce. Recomenda-se procurar um fonoaudiólogo se a criança apresentar sinais persistentes após os 3 anos de idade ou se houver atraso na fala em relação ao desenvolvimento esperado para a idade.
Tratamento da Dislalia
Técnicas e abordagens
O tratamento da dislalia geralmente envolve sessões de fonoaudiologia focadas em:
- Exercícios de articulação.
- Treinamento de fonemas específicos.
- Jogos e atividades lúdicas para estimular a fala.
- Orientação aos pais para reforçar o tratamento em casa.
Duração do tratamento
A duração varia dependendo da gravidade do quadro e da resposta ao tratamento, podendo ir de alguns meses a mais de um ano. A regularidade das sessões é fundamental para resultados eficazes.
Importância do envolvimento familiar
Como afirma a fonoaudióloga Ana Pereira, "a parceria entre profissionais, pais e escola é fundamental para o sucesso do tratamento e para que a criança ganhe confiança na sua fala."
Para quem busca mais informações sobre tratamentos, o portal Fonoaudiologia Brasil oferece materiais e contatos de profissionais especializados.
Como Apoiar a Criança Durante o Processo
Dicas para pais e professores
- Seja paciente e encorajador.
- Reforce as palavras corretamente, sem criticar.
- Utilize jogos e atividades divertidas para praticar sons.
- Leia livros infantis com atenção à pronúncia.
- Crie um ambiente de conversa aberta e sem pressões.
Ambiente favorável ao desenvolvimento da fala
Proporcione momentos de interação, estímulos auditivos variados e incentivo contínuo para que a criança se sinta segura e motivada a praticar a fala.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A dislalia desaparece sozinha ou precisa de tratamento?
A maioria dos casos de dislalia podem melhorar com intervenções precoces. Em alguns casos leves, a evolução natural pode ajudar, mas a orientação de um profissional é altamente recomendada para garantir o desenvolvimento adequado.
2. Qual a diferença entre dislalia e gagueira?
Dislalia é uma dificuldade na pronúncia de sons específicos, enquanto gagueira é um transtorno de fluência que envolve repetições ou bloqueios na fala.
3. Crianças com dislalia podem aprender a falar normalmente?
Sim, com o tratamento adequado, muitas crianças conseguem superar o transtorno e desenvolver uma fala clara e compreensível.
4. Quais profissionais podem ajudar na dislalia?
Fonoaudiólogos são os principais profissionais especializados na avaliação e tratamento de dificuldades de fala. Psicólogos e pedagogos também podem colaborar na abordagem multidisciplinar.
Conclusão
A dislalia é uma dificuldade comum na infância, mas que pode ser tratada com antecedência, garantindo o pleno desenvolvimento da comunicação da criança. Conhecer os códigos CID 10 relacionados, identificar sinais precocemente e buscar a orientação de profissionais especializados são passos fundamentais para um tratamento eficaz.
Investir na fala da criança é investir no seu futuro social, acadêmico e emocional. Como afirmou o renomado psicopedagogo Paulo Vieira, “a comunicação é a ponte que conecta o mundo interno ao externo, e quebrar essa ponte por dificuldades na fala limita a criança em suas interações e possibilidades.”
Se você suspeita que seu filho apresenta sinais de dislalia, procure um fonoaudiólogo para uma avaliação detalhada e início do tratamento o quanto antes.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-10. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão, 1992.
- Ministério da Saúde. Guia de Avaliação e Intervenção na Dislalia. Brasília: MS, 2020.
- Silva, Maria. “Avaliação Precoce na Dislalia Infantil”. Revista Brasileira de Fonoaudiologia, 2019.
- Pereira, Ana. “Tratamento e Afastamento da Dislalia”. Blog Fonoaudiologia Brasil, 2021.
Lembre-se: o apoio constante e a intervenção precoce podem transformar a trajetória de uma criança com dificuldades na fala, ajudando-a a conquistar uma comunicação clara e confiante.
MDBF