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Diálise: O Que É, Como Funciona e Quando Precisa

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A diálise é um procedimento médico essencial para pessoas com insuficiência renal grave, cuja função dos rins está comprometida. Os rins desempenham um papel vital na filtragem do sangue, remoção de resíduos e equilíbrio de líquidos e eletrólitos. Quando esses órgãos deixam de funcionar adequadamente, a diálise torna-se uma intervenção crucial para manter a vida e garantir a qualidade de vida do paciente. Neste artigo, abordaremos o que é a diálise, como ela funciona, os tipos existentes, quando ela é indicada e outros aspectos importantes sobre o tema.

O Que É Diálise?

A diálise é um procedimento que substitui temporariamente ou permanentemente a função dos rins do corpo, removendo resíduos, excesso de líquidos e toxinas que se acumulam na circulação sanguínea devido à insuficiência renal. Ela é indicada em casos onde os rins já não são capazes de filtrar o sangue de forma eficiente.

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"A diálise salva vidas, mas também é uma terapia que exige adaptações e acompanhamento contínuo."

Como Funciona a Diálise?

A diálise atua como um filtro artificial, limpando o sangue do paciente. Existem dois principais tipos de diálise: hemodiálise e diálise peritoneal. Cada uma possui características específicas e é indicada de acordo com o quadro clínico do paciente.

Hemodiálise

Na hemodiálise, o sangue é retirado do corpo através de um acesso vascular, passado por uma máquina de diálise onde é filtrado, e então recolocado na circulação sanguínea. Este procedimento apresenta algumas etapas principais:

  • Acesso vascular: através de um cateter ou fistula arteriovenosa.
  • Filtração: o sangue passa por uma membrana semipermeável na máquina de diálise.
  • Remoção de resíduos e excesso de líquidos.
  • Retorno do sangue ao corpo.

Geralmente, a hemodiálise é realizada três vezes por semana, em sessões que duram cerca de quatro horas cada.

Diálise Peritoneal

Na diálise peritoneal, uma solução de limpeza (dialisato) é introduzida na cavidade peritoneal — que cobre internamente os órgãos do abdômen — por meio de um cateter. Essa solução fica no abdômen por um tempo determinado, permitindo a troca de resíduos e excesso de líquidos através da membrana peritoneal.

Existem diferentes técnicas de diálise peritoneal, como a contínua ambulatorial (DCA) e a automatizada (DCA automatizada). É uma opção mais conveniente para alguns pacientes, pois pode ser realizada em casa.

Quando Necessita-se de Diálise?

A indicação para iniciar a diálise depende de diversos fatores clínicos, incluindo níveis de creatinina, ureia, sintomas relacionados à insuficiência renal e avaliação do médico especialista em nefrologia.

Sinalizadores para Iniciar Diálise

SinalizadorDescrição
Aumento dos níveis de ureia e creatininaIndicativos de piora na função renal
Presença de sintomas como náusea, vômito, fadigaSintomas de intoxicação por resíduos acumulados
Edema persistente ou dificuldade para remover líquidosProblemas de controle de líquidos
Hipertensão arterial difícil de controlarPressão alta resistente ao tratamento
Alterações na produção de urinaRedução ou ausência de urina

A decisão de iniciar a diálise deve ser individualizada, considerando o estado geral do paciente, com orientação do nefrologista.

Tipos de Diálise

A seguir, apresentamos uma tabela com as principais diferenças entre os tipos de diálise.

CaracterísticaHemodiáliseDiálise Peritoneal
Local de realizaçãoClínica ou hospital, ou em casaPredominantemente em casa
Frequência3 vezes por semana, sessões de 4 horasDiária ou várias vezes por dia
Equipamentos necessáriosMáquina de diáliseCateter peritoneal
Investimento em infraestruturaAltoMenor, mais portátil
Adapta para pacientes com prática de trabalho ou estudosGeralmente simSim, especialmente a DCA automatizada

Cuidados e Complicações da Diálise

Embora seja uma terapia eficaz, a diálise pode apresentar complicações, como:

  • Hipotensão arterial
  • Câimbras musculares
  • Infecções no acesso vascular ou na cavidade peritoneal
  • Desequilíbrios eletrolíticos
  • Febre e mal-estar durante a sessão

Os cuidados incluem acompanhamento regular com a equipe médica, controle rigoroso de infecções e adesão às orientações de alimentação e medicações.

Quando a Diálise Pode Ser Suspendida?

Eventualmente, o paciente pode receber um transplante renal, que é a melhor solução definitiva para a insuficiência renal. Enquanto o transplante não ocorre, a diálise permanece como a principal opção de tratamento para manter a função de filtração do organismo.

Importância do Acompanhamento Médico

O processo de diálise exige um acompanhamento contínuo com nefrologistas e equipe multidisciplinar, incluindo nutricionistas, enfermeiros e psicólogos, para garantir a melhor qualidade de vida possível e o controle das complicações.

Perguntas Frequentes

1. A diálise cura a insuficiência renal?

Não. A diálise é uma terapia de suporte que ajuda a remover resíduos e líquidos, mas não trata a causa subjacente da insuficiência renal. O transplante renal é considerado a cura definitiva.

2. Quanto tempo uma pessoa pode viver com diálise?

Depende de vários fatores, como idade, causa da insuficiência, presença de outras doenças e adesão ao tratamento. Com cuidados adequados, muitas pessoas vivem anos ou até décadas com diálise.

3. A diálise é dolorosa?

Normalmente, o procedimento em si não causa dor significativa, embora alguns pacientes possam sentir desconforto ao acessarem o sangue ou devido aos efeitos colaterais.

4. Existem alternativas à diálise?

O transplante renal é a principal alternativa definitiva. Em alguns casos, dietas rigorosas e medicamentos podem retardar a necessidade de diálise, mas não substituem essa terapia em casos avançados.

Conclusão

A diálise é uma terapia vital para indivíduos com insuficiência renal avançada, funcionando como um substituto temporário ou permanente da função dos rins. Com o avanço das técnicas e o acompanhamento adequado, é possível viver com qualidade de vida e segurança. Ainda assim, o melhor caminho para prevenir a insuficiência renal é a adoção de hábitos saudáveis, controle de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de acompanhamento médico regular.

Se você suspeita de problemas renais ou possui fatores de risco, procure um nefrologista para avaliação e orientações específicas.

Referências

Lembre-se: Informações sobre saúde devem sempre ser verificadas com profissionais especializados. Este artigo tem finalidade educativa e não substitui orientação médica.