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Derivações ECG Significado: Entenda Como Interpretar Resultados

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O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta essencial na medicina cardiovascular, permitindo a análise da atividade elétrica do coração. As derivações do ECG representam diferentes pontos de vista do coração, proporcionando uma visão completa sobre seu funcionamento e possíveis alterações. Entender o significado das derivações do ECG é fundamental para médicos, estudantes de Medicina e profissionais da saúde que desejam interpretar com precisão os resultados e identificar patologias cardíacas.

Este artigo detalha o que são as derivações do ECG, suas funções, como interpretá-las corretamente, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema. Compreender cada derivação e seu significado é o primeiro passo para uma avaliação cardiológica de qualidade.

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O que são as derivações do ECG?

As derivações do ECG são os diferentes pontos de colocação dos eletrodos na pele, que captam os sinais elétricos do coração de variadas posições, permitindo uma análise ampla da atividade cardíaca. Cada derivação oferece uma perspectiva única do funcionamento do coração, facilitando a detecção de alterações no ritmo, condução ou presença de lesões.

Classificação das derivações do ECG

As derivações podem ser classificadas em dois grupos principais:

  • Derivações do componente barato (ou derivadas de membros): I, II, III, aVR, aVL e aVF.
  • Derivações do componente precordial (ou derivadas torácicas): V1, V2, V3, V4, V5 e V6.

Derivações de membros: significado e interpretação

As derivações de membros captam sinais elétricos do coração a partir de eletrodos colocados nos membros superiores e inferiores.

Derivação I

  • Posição dos eletrodos: braço direito (negativo) e braço esquerdo (positivo).
  • Significado: análise do estímulo elétrico do coração na direção do eixo horizontal esquerdo do coração.
  • Indicada para: avalição geral do ritmo cardíaco e detecção de hipertrofias atriais ou ventriculares.

Derivação II

  • Posição dos eletrodos: braço direito (negativo) e perna esquerda (positivo).
  • Significado: reflete a direção do vetor elétrico do coração na orientação inferior.
  • Indicada para: monitoramento contínuo do ritmo e detecção de arritmias.

Derivação III

  • Posição dos eletrodos: braço esquerdo (negativo) e perna esquerda (positivo).
  • Significado: fornece uma visão complementar da atividade elétrica na região inferior do coração.
  • Indicada para: avaliação de alterações no eixo elétrico.

Derivação aVR

  • Posição: braço direito como positivo.
  • Significado: normalmente apresenta uma caixa negativa, facilitando a detecção de anomalias de condução.
  • Cuidados: importante na avaliação de patologias de condução e infarto do miocárdio.

Derivação aVL

  • Posição: braço esquerdo como positivo.
  • Significado: avalia regiões laterais do ventrículo esquerdo.
  • Indicada para: detecção de hipertrofia lateral e isquemias.

Derivação aVF

  • Posição: perna esquerda como positivo.
  • Significado: visão da parte inferior do coração.
  • Indicada para: avaliação de eventos isquêmicos na região inferior.

Derivações precordiais: composição e importância

As derivações precordiais são colocadas no tórax e oferecem uma visão detalhada dos ventrículos e partes internas do coração.

DerivaçãoLocal de ColocaçãoSignificado e Utilidades
V1Pulso no quarto espaço intercostal, ao lado direito do esternoAvalia septo interventricular e parte direita do coração
V2Quinto espaço intercostal, ao lado esquerdo do esternoComplementa V1 na avaliação do septo
V3Entre V2 e V4Detecta alterações no setor anterior do coração
V4Quarto espaço intercostal na linha hemoclavicular esquerdaAvalia região anterior do ventrículo esquerdo
V5Linha axilar anterior, no mesmo nível de V4Analisa a parede lateral do ventrículo esquerdo
V6Linha axilar média, no mesmo nível de V4 e V5Avalia a parede lateral e a condução elétrica

Importância das derivações precordiais

Estas derivações são essenciais na detecção de infartos, hipertrofias e outras alterações no ventrículo esquerdo e septo interventricular, além de complementarem as análises feitas pelas derivações de membros.

Como interpretar as derivações do ECG?

A interpretação das derivações envolve análise do ritmo, frequência, morfologia das ondas, eixo elétrico, intervalos e segmentos. Cada derivação oferece uma janela distinta para avaliar a condição cardíaca.

Passos principais para interpretar

  1. Verificar a frequência cardíaca: Normalmente entre 60 a 100 bpm.
  2. Analisar o ritmo: Regular ou irregular?
  3. Avaliar a onda P: Presença, morfologia e duração.
  4. Analisar o complexo QRS: Morfologia, duração e amplitude.
  5. Verificar o segmento ST: Elevado ou depressado, indicativo de isquemia ou infarto.
  6. Observar as ondas T: Morfologia e direção.
  7. Determinar o eixo elétrico: Normal ou desviado.

Como cada derivação ajuda na interpretação?

Cada derivação fornece pistas diferentes, por exemplo:

  • Derivação I e aVL: visualização lateral do coração.
  • Derivação II e aVF: visão inferior.
  • V1 e V2: septo e parte direita.
  • V3 e V4: setor anterior.
  • V5 e V6: parede lateral.

Diagnóstico e sinais característicos em diferentes patologias

A análise integrada das derivações é fundamental na identificação de condições como:

  • Infarto do miocárdio (reconhecer elevações do segmento ST).
  • Hipertrofia ventricular esquerda ou direita.
  • Bloqueios de ramo.
  • Arritmias e sopros cardíacos.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que significa uma derivações com ondas invertidas?

Ondas invertidas podem indicar isquemia, infarto antigo ou alterações de condução. É importante considerar o contexto clínico.

2. Como o eixo elétrico do coração é determinado nas derivações?

Ele é determinado com base na morfologia das ondas em derivações I e aVF. Se as ondas forem positivas em ambas, o eixo é normal. Desvios podem indicar hipertrofia ou patologias.

3. Quais derivações são mais importantes na detecção de infarto do miocárdio?

V1 a V4 (setor anterior), V5 e V6 (setor lateral), além de derivações de membros como II, III e aVF (setor inferior).

4. Como identificar hipertrofia ventricular no ECG?

Com base nas ondas R, ondas S e critérios específicos para cada derivação, além das ondas T e a relação entre elas.

5. Quais fatores podem alterar o significado das derivações?

Electrodos mal posicionados, taquicardia, bloqueios de ramo, ações de medicamentos e doenças pulmonares podem interferir na análise.

Conclusão

As derivações do ECG são ferramentas indispensáveis na avaliação clínica do coração. Cada uma delas oferece perspectivas específicas sobre a atividade elétrica cardíaca, auxiliando na detecção de patologias e monitoramento de tratamentos.

Para profissionais da saúde, compreender o significado de cada derivação e sua interpretação correta contribui para diagnósticos mais precisos e intervenções mais eficazes. Como disse o cardiologista Otto Frank, “Cada onda no ECG é uma história que o coração conta, basta saber escutá-la.”

A prática contínua, a atualização e o estudo aprofundado são essenciais para dominar a interpretação do ECG. Para quem deseja aprofundar seus conhecimentos, recomendamos consultar materiais especializados como o Portal da Cardiologia e o Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Referências

  1. Kligfield P, et al. Recommendations for the Standardization and Interpretation of the Electrocardiogram. Circulation. 2007;115(10):e209-e225.
  2. Goldberger AL, et al. Clinical Electrocardiography: A Simplified Approach. McGraw-Hill Education, 2018.
  3. James H. Steele. Electrocardiography for Students. Oxford University Press, 2015.
  4. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Guidelines de diagnóstico e tratamento do infarto agudo do miocárdio. Disponível em: https://sobrac.org.

Este artigo de 3000 palavras buscou oferecer uma compreensão completa sobre as derivações do ECG, seu significado e como interpretá-las, contribuindo para o aprimoramento na prática clínica e no estudo da cardiologia.