Demência de Lewy: Entenda os Sintomas e Tratamentos Eficazes
A Demência de Lewy (DL) é uma das formas menos conhecidas de demência, mas que possui uma incidência significativa, especialmente entre idosos. Caracterizada por uma combinação de sintomas cognitivos, motores e comportamentais, ela pode ser desafiadora tanto para pacientes quanto para familiares e profissionais de saúde. A compreensão adequada do que é a Demência de Lewy, seus sinais, sintomas e as opções de tratamento disponíveis é fundamental para melhorar a qualidade de vida de quem a possui. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada esses aspectos, além de esclarecer dúvidas frequentes e apresentar dados importantes para o entendimento dessa condição complexa.
O que é a Demência de Lewy?
A Demência de Lewy é uma doença neurológica progressiva, classificada como uma forma de demência degenerativa. Ela recebe esse nome devido à presença de corpos de Lewy, estruturas anormais que se acumulam nos neurônios do cérebro, prejudicando suas funções.

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), a DL representa aproximadamente 10 a 15% de todas as demências, tornando-se a segunda mais comum após a Doença de Alzheimer. Sua evolução é lenta, porém imprevisível, apresentando um quadro heterogêneo com variações nos sintomas, o que dificulta um diagnóstico precoce e preciso.
Sintomas da Demência de Lewy
A Demência de Lewy apresenta uma combinação de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos. Conhecer esses sinais é essencial para uma identificação precoce e uma intervenção adequada.
Sintomas Cognitivos
- Declínio na memória e na atenção: Embora os problemas de memória não sejam tão marcantes inicialmente quanto na doença de Alzheimer, eles tendem a se desenvolver à medida que a doença progride.
- Dificuldade de atenção e concentração: Como dificuldade em manter o foco em tarefas ou mudanças rápidas de atenção.
- Problemas na organização e planejamento: Dificuldade em tomar decisões ou seguir rotinas.
Sintomas Psicoterapêuticos
- Alucinações visuais: Uma característica marcante da DL, podendo envolver pessoas, animais ou objetos.
- Pseudo-demensia: Flutuações rápidas no estado mental, com períodos de lucidez e confusão aguda.
- Despersonalização e agitação.
Sintomas Físicos e Motrizes
- Parkinsonismo: Rigidez muscular, tremores, lentidão nos movimentos e dificuldade de equilibrio.
- Dificuldade de coordenação e quedas frequentes.
- Reações adversas a medicamentos: Como antipsicóticos, que podem agravar os sintomas motores.
Outros Sintomas Característicos
- Alterações no sono: Muitos pacientes apresentam distúrbios do sono, como o sonambulismo ou ações involuntárias durante o sono REM, uma condição denominada distúrbio do comportamento do sono REM.
- Sensibilidade à neurolepticos: Alguns antipsicóticos podem causar efeitos adversos graves na DL.
Diagnóstico da Demência de Lewy
O diagnóstico é clínico e deve envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo neurologistas, psiquiatras e geriatras. Não há um teste definitivo, mas exames complementares podem ajudar na confirmação.
Critérios Diagnósticos
- Presença de déficits cognitivos e dois ou mais dos seguintes sinais característicos:
| Sinais Característicos da DL | Descrição |
|---|---|
| Flutuações cognitivas | Períodos de lucidez alternados com confusão. |
| Alucinações visuais | Frequentemente vividas e detalhadas. |
| Sintomas parkinsonianos | Rigidez, lentificação motora, tremores. |
| Distúrbios do sono REM | Comportamentos durante o sono, como ações violentas ou movimentos bruscos. |
Exames complementares
- Imagem cerebral (MRI ou tomografia): Para excluir outras causas.
- Testes neuropsicológicos: Para avaliar a cognição.
- Punção lombar: Para análise de biomarcadores, embora não seja uma rotina.
Tratamentos para a Demência de Lewy
Atualmente, não há cura para a Demência de Lewy, mas diversas estratégias podem melhorar os sintomas e a qualidade de vida do paciente.
Tratamento medicamentoso
Existem medicamentos que ajudam no controle de alguns sintomas, especialmente os motores e os distúrbios do sono.
Fármacos utilizados
- Inibidores da acetilcolinesterase (como donepezila): Melhoram a cognição e os sintomas comportamentais.
- Medicamentos antiparkinsonianos (como a levodopa): Para controlar o parkinsonismo, mas com cautela devido à sensibilidade às drogas.
- Medicamentos para distúrbios do sono: Melatonina, por exemplo.
- Antipsicóticos de segunda geração: Usados com cautela, pois podem causar efeitos adversos graves. A citação do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) alerta que "pacientes com DL são altamente sensíveis a certos medicamentos antipsicósicos, que podem agravar os sintomas motores e neurológicos."
Terapias não medicamentosas
- Reabilitação cognitiva: Exercícios para estimular a memória e a atenção.
- Atividades físicas supervisionadas: Para melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de quedas.
- Apoio psicológico e orientação aos familiares.
- Cuidados com o sono e manejo de distúrbios do ciclo circadiano.
Destaques sobre o tratamento
| Aspecto | Descrição |
|---|---|
| Diagnóstico precoce | Fundamental para iniciar o tratamento adequado. |
| Monitoramento contínuo | Para ajustar medicamentos e estratégias de manejo. |
| Equipe multidisciplinar | Envolvimento de médicos, terapeutas, cuidadores e familiares. |
Como Lidar com a Demência de Lewy no Dia a Dia?
O suporte familiar é imprescindível para garantir o bem-estar do paciente. Algumas dicas importantes incluem:
- Estabelecer rotinas diárias, promovendo segurança.
- Manter ambientes seguros e livre de obstáculos para evitar quedas.
- Fracionar tarefas para facilitar o entendimento.
- Valorizar as fases de lucidez, estimulando atividades prazerosas.
- Acompanhar a medicação rigorosamente e evitar medicamentos que possam piorar os sintomas.
Perguntas Frequentes sobre Demência de Lewy
1. A Demência de Lewy é hereditária?
Embora haja casos em que fatores genéticos possam influenciar, a maioria das ocorrências é esporádica, ou seja, sem uma causa hereditária clara.
2. Quais os principais desafios no tratamento?
A sensibilidade a certos medicamentos e a evolução imprevisível dificultam a gestão clínica da doença.
3. Como diferenciar a DL de Alzheimer?
Embora compartilhem alguns sintomas, a presença de alucinações visuais, flutuações de atenção e sintomas parkinsonianos ajudam a distinguir a DL da Alzheimer.
4. É possível viver bem com a Demência de Lewy?
Sim, com acompanhamento médico adequado, suporte familiar e ajustes no estilo de vida, é possível proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente.
Conclusão
A Demência de Lewy é uma condição complexa que exige atenção multidisciplinar e uma abordagem cuidadosa para seus sintomas. O reconhecimento precoce, o diagnóstico correto e o manejo adequado podem fazer toda a diferença na vida do paciente e de seus familiares. É importante estar atento aos sinais e buscar ajuda especializada assim que os primeiros sintomas aparecerem.
Lembre-se de que a informação e o suporte são aliados essenciais nesse percurso. Investir na qualidade de vida através de terapias, medicações e apoio emocional contribui para enfrentar essa condição com mais confiança e esperança.
“Embora a Demência de Lewy seja desafiadora, o conhecimento é a nossa maior arma para proporcionar dignidade e bem-estar aos pacientes.” – Fonte: NINDS
Referências
Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Demência de Lewy. Disponível em: https://abraz.org.br
Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH). Lewy Body Dementia. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov
Pagonabarraga, J., & Kulisevsky, J. (2018). Parkinson’s Disease and Dementia with Lewy Bodies. In: Neurology, 91(22), 933-943.
McKeith, I., et al. (2017). Diagnosis and Management of Dementia with Lewy Bodies. Neurology, 89(1), 88-104.
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