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De Praxe: Entenda a Tradição e Sua Importância na Universidade

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A universidade é um espaço de transformação, aprendizado e formação de novas experiências. Dentro desse universo acadêmico, algumas tradições acabam se consolidando e se tornando símbolos de identidade entre os estudantes. Uma dessas tradições, bastante conhecida e por vezes polêmica, é a chamada "de praxe".

Este artigo tem como objetivo explicar o que é a prática de praxe, sua origem, sua importância na cultura universitária, além de discutir impactos positivos e negativos, culminando em uma reflexão sobre seu papel na formação do estudante.

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Ao longo do texto, você entenderá detalhadamente o significado de praxe, como ela se manifesta nas universidades brasileiras, além de análises críticas que envolvem essa tradição ancestral.

O que é de praxe?

Definição de praxe

A expressão "de praxe" refere-se a ações, rituais ou tradições que são realizadas rotineiramente por membros de uma instituição, especialmente nas universidades, com o objetivo de promover integração, criar um senso de pertencimento ou marcar o início de uma nova fase acadêmica.

Segundo o dicionário Aurélio, praxe é "a prática habitual, costume, procedimento repetido e praticado em determinados ambientes".

Como a praxe se manifesta nas universidades

Na prática, a praxe muitas vezes envolve atividades que podem variar desde ações simbólicas, como a entrega de um símbolo estudantil, até atividades mais físicas e, por vezes, de conotação humilhante ou agressiva, dependendo da cultura de cada instituição.

Alguns exemplos comuns de praxe incluem:

  • Recepção de calouros com rituais tradicionais
  • Fazer atividades físicas ou desafios como teste de resistência
  • Participação em festas e eventos específicos
  • Realização de tarefas que simbolizam o ingresso na vida acadêmica

Embora muitas dessas ações tenham um caráter simbólico e sirvam para integrar os estudantes, há casos em que a praxe ultrapassa limites de respeito e segurança.

Origem da tradição de praxe

A origem da praxe remonta aos tempos das universidades medievais na Europa, especialmente na Universidade de Bolonha, na Itália, onde práticas ritualísticas eram usadas para integrar os alunos ao corpo estudantil e garantir a união entre os estudantes e a tradição acadêmica.

No Brasil, a prática foi internalizada durante o século XX, influenciada pelas tradições acadêmicas europeias. Com o tempo, o conceito de praxe evoluiu, podendo representar tanto momentos de confraternização quanto períodos marcados por atividades de humilhação ou abuso.

A importância da praxe na cultura universitária

Integração e pertencimento

A principal justificativa para a realização de praxe é o sentimento de pertencimento que ela proporciona aos estudantes, especialmente aos calouros. Participar da praxe ajuda a criar laços, construir amizades duradouras e facilitar a adaptação na nova rotina acadêmica.

Preservação de tradições

A praxe também atua como uma ponte entre diferentes gerações de estudantes, ajudando a perpetuar as tradições universitárias e fortalecer a identidade da comunidade acadêmica.

Desenvolvimento de habilidades sociais

Ao participar das atividades de praxe, os estudantes desenvolvem habilidades como liderança, trabalho em equipe, comunicação e resiliência. Essas competências são essenciais para a vida profissional e pessoal.

Reflexão: a importância do respeito às diferenças

No entanto, é fundamental que a prática de praxe seja realizada com respeito e ética, reconhecendo os limites e os direitos de cada participante, evitando qualquer tipo de abuso ou humilhação.

Impactos da praxe na vida estudantil

Aspecto PositivoAspecto Negativo
Estimula a integração socialPode promover humilhação e constrangimento
Fortalece o sentimento de comunidadePode envolver atividades de risco ou violência
Incentiva a diversidade de experiênciasAlgumas práticas podem ser ilegais ou imorais
Desenvolve habilidades sociaisPode gerar exclusão social ou bullying

Pontos positivos

  • Criação de laços duradouros entre estudantes
  • Reconhecimento da história e cultura universitária
  • Estímulo à participação e ao engajamento estudantil

Pontos negativos

  • Casos de abuso de poder ou violência física e psicológica
  • Atividades que promovem humilhação ou discriminação
  • Potencial para exclusão ou segregação de estudantes que não desejam participar

A praxe e sua relação com a ética

A discussão sobre praxe na universidade muitas vezes envolve o debate sobre ética e limites. Enquanto alguns veem a tradição como algo necessário para fortalecer o espírito universitário, muitos questionam sua validade diante de práticas que possam decorrer em humilhações ou situações de risco.

Citação:

"A verdadeira essência da universidade está na busca pelo conhecimento e na promoção do respeito mútuo." — Anônimo

Por isso, é fundamental que as instituições educativas incentivem práticas de integração que sejam construtivas, seguras e respeitosas para todos os estudantes.

Como as universidades podem lidar com a praxe?

  • Estabelecer regras claras e ações educativas que promovam o respeito às diferenças
  • Promover campanhas de conscientização contra o abuso e a violência na praxe
  • Criar canais de denúncia seguros e acessíveis para estudantes que se sintam vítimas de práticas abusivas
  • Incentivar atividades de integração que não envolvam humilhação ou violência

Para melhores práticas, você pode conferir o site do Sindicato das Instituições de Ensino do Brasil (SINEPE) que fornece orientações e diretrizes para a convivência saudável no meio acadêmico.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. A praxe é obrigatória na universidade?

Não, a participação na praxe é voluntária. Cada estudante tem o direito de escolher participar ou não das atividades propostas.

2. Quais atividades de praxe são consideradas aceitáveis?

Atividades que promovem integração, respeito mútuo, cultura e história acadêmica, sem humilhações ou riscos à integridade física e emocional dos estudantes.

3. Como denunciar práticas abusivas de praxe?

As universidades devem ter canais de denúncia e ouvidorias específicas. É importante registrar detalhes e buscar apoio de órgãos de defesa do estudante, como o Ministério Público.

4. A praxe pode ser considerada uma tradição negativa?

Sim, casos de humilhação, abuso e violência podem transformar a praxe em uma tradição negativa e prejudicial à saúde mental e física dos estudantes.

5. Como promover uma praxe saudável?

Por meio de atividades inclusivas, respeitosas, seguras e que promovam a cultura de paz e reflexão, valorizando a história e a ética universitária.

Conclusão

A tradição da "de praxe" na universidade tem raízes profundas na história acadêmica mundial e brasileira. Quando realizada de forma consciente e ética, ela contribui positivamente para a integração, cultura e fortalecimento do espírito universitário.

Porém, é imprescindível que as instituições de ensino fiscalizem e orientem seus alunos para que essas práticas não se transformingem em situações de humilhação, violência ou exclusão. Afinal, o verdadeiro valor da universidade está na busca pelo conhecimento aliada ao respeito mútuo e à ética.

Ao refletirmos sobre a prática de praxe, é vital lembrar que o respeito à diversidade e aos direitos individuais deve estar no centro de qualquer atividade acadêmica. Dessa forma, podemos garantir que a tradição cumpra seu papel de fortalecer a comunidade universitária sem prejuízos à integridade de seus membros.

Referências

  • Aurélio. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Lisboa: Editorial Verbo, 1999.
  • Souza, Rafael. A história das tradições universitárias. Revista Educação & Cultura, 2020.
  • Ministério da Educação. Diretrizes para uma convivência universitária saudável. Disponível em: https://portal.mec.gov.br
  • SINEPE. Orientações para a convivência nas instituições de ensino. Acessado em 2023. https://www.sinepe.org.br

Reflita sobre a importância de práticas acadêmicas saudáveis e construtivas, contribuindo para uma cultura universitária de respeito, inclusão e ética.