Curativos e Feridas Enfermagem: Cuidados e Protocolos Essenciais
No contexto da enfermagem, o cuidado com feridas é uma atividade fundamental que envolve conhecimentos específicos, técnicas precisas e protocolos estabelecidos para garantir a cicatrização adequada, prevenir infecções e promover o bem-estar do paciente. A realização de curativos é uma das competências essenciais do profissional de enfermagem, exigindo atenção aos detalhes, higiene, avaliação constante e o uso de materiais apropriados.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas (SBEF), "o manejo adequado de feridas contribui não apenas para a recuperação física do paciente, mas também para a sua motivação psicológica e qualidade de vida." (SBEF, 2021). Assim, compreender os diferentes tipos de feridas, as etapas do cuidado, os materiais utilizados e os protocolos indicados é imprescindível para garantir resultados positivos.

Este artigo tem como objetivo oferecer um panorama completo sobre curativos e cuidados com feridas na enfermagem, abordando desde conceitos básicos até procedimentos avançados, alinhados às melhores práticas e evidências científicas.
O que são feridas e quais os tipos existentes?
As feridas podem ser definidas como lesões que interrompem a integridade da pele ou de tecidos subjacentes, podendo ser causadas por fatores diversos, como trauma, objetos cortantes, queimaduras ou condições patológicas.
Tipos de feridas
| Tipo de Ferida | Características | Exemplos |
|---|---|---|
| Feridas Traumáticas | Causadas por objetos ou acidentes; superfícies variadas | Escoriações, cortes, lacerações |
| Feridas Cirúrgicas | Resultam de procedimentos cirúrgicos; podem ser limpas ou contaminadas | Incisões, incisões ortopédicas |
| Feridas Crônicas | Têm cicatrização prolongada; muitas vezes associadas a doenças como Diabetes | Úlceras de perna, úlceras diabéticas |
| Queimaduras | Destruição dos tecidos por calor, produtos químicos ou radiação | Queimaduras de primeiro, segundo ou terceiro grau |
| Feridas por Pressão | Decorrentes de compressão prolongada, levando à isquemia local | Escaras, úlcera de decúbito |
| Feridas Infectadas | Apresentam sinais de infecção, podendo complicar o processo de cicatrização | Abcessos, feridas com exsudato purulento |
Processo de cicatrização e fases das feridas
A cicatrização de feridas é um processo complexo que envolve várias fases distintas, essenciais para restaurar a integridade dos tecidos de forma efetiva. Conhecê-las é fundamental para o enfermeiro orientar os cuidados e identificar possíveis problemas.
Fases da cicatrização
1. Fase inflamatória
- Início imediato após a lesão
- Objetivo: evitar infecção e remover resíduos
- Características: vermelhidão, edema, calor, dor,及 exsudato
2. Fase de proliferação
- Duração: dias a semanas
- Objetivos: formação de tecido de granulação, angiogênese e epitelização
- Características: formação de tecido novo, diminuição da inflamação
3. Fase de maturação ou remodelação
- Pode durar meses a anos
- Objetivo: realizar a reorganização do colágeno e fortalecer a cicatriz
- Características: diminuição do tamanho da ferida, fortalecimento do tecido
Cuidados essenciais na enfermagem com curativos e feridas
Avaliação da ferida
Antes de iniciar qualquer procedimento, o profissional deve realizar uma avaliação minuciosa, considerando:
- Tipo e localização da ferida
- Tamanho (comprimento, largura, profundidade)
- Presença de exsudato, odor ou sinais de infecção
- Condição da pele ao redor
- Presença de sinais de dor, desconforto ou fatores de risco associados
Limpeza e preparação da ferida
A limpeza adequada é crucial para evitar contaminações. Normalmente, utiliza-se solução fisiológica ou outro líquido estéril, dependendo do tipo de ferida. Deve-se evitar o uso de soluções que possam irritar os tecidos, como álcool ou iodo, salvo indicação médica específica.
Seleção do curativo
O material do curativo deve ser escolhido de acordo com o tipo de ferida, quantidade de exsudato e fase da cicatrização. Os principais materiais incluem:
- Gaze, após ser molhada na solução de limpeza
- Curativos hidrocolóides, para feridas exsudativas
- Espumas, para manter o ambiente úmido
- Filmes transparentes, para proteção e controle
- Algodão e microporosos para feridas secas ou limpas
Protocolos de troca de curativos
As trocas devem ser feitas com frequência adequada, que pode variar de acordo com a evolução da ferida e o tipo de curativo. A tabela a seguir apresenta um esquema geral:
| Tipo de Curativo | Frequência de Troca | Cuidados Especiais |
|---|---|---|
| Curativos simples (gaze) | A cada 24h ou conforme necessário | Troca sempre que estiver molhada ou suja |
| Curativos hidrocolóides | Quando estiver saturado | Verificar sinais de infecção |
| Espumas | A cada 24-48h | Manter ambiente úmido |
| Filmes transparentes | Diariamente ou conforme avaliação | Observar sinais de infecção |
Técnicas de curativo e cuidados específicos
Técnicas de assepsia
- Higienizar as mãos antes e após o procedimento
- Utilizar luvas estéreis ou limpas, de acordo com o protocolo
- Utilizar materiais estéreis na manipulação do curativo
Aplicação do curativo
- Limpar a ferida sem causar trauma
- Aplicar o material de proteção adequado
- Firmar o curativo sem provocar compressão excessiva
Cuidados com sinais de complicações
O profissional deve estar atento a sinais de infecção (edema, vermelhidão, odor, exsudato purulento), sangramento excessivo, dor intensa ou agravamento da condição do paciente.
Protocolos de enfermagem para manejo de feridas
Para garantir a eficácia do tratamento, existem protocolos padronizados que orientam o procedimento de cuidados com feridas e curativos. Uma tabela exemplifica alguns passos essenciais:
| Etapa | Descrição |
|---|---|
| Avaliação inicial | Exame detalhado e documentação da ferida |
| Limpeza da ferida | Uso de solução fisiológica ou recomendada |
| Remoção de curativos antigos | Com técnica asséptica |
| Inspeção da ferida | Verificar sinais de infecção ou alteração na cicatrização |
| Seleção do curativo | Baseada na fase da cicatrização e características da ferida |
| Aplicação do novo curativo | Garantindo proteção e ambiente adequado |
| Registro e monitoramento | Documentar cuidados, evolução e sinais de complicação |
Importância da documentação
Registrar todos os passos, observações e alterações é vital para o acompanhamento clínico, possibilitando ajustes no tratamento e comunicação efetiva com a equipe multidisciplinar.
Produtos e materiais utilizados em curativos
A seguir, apresentamos uma tabela com alguns dos principais materiais utilizados na enfermagem para o cuidado com feridas:
| Material | Função | Observações |
|---|---|---|
| Gaze | Cobertura de feridas, absorção de exsudato | Utilizar versões estéreis |
| Curativos hidrocolóides | Manter ambiente úmido para cicatrização | Não indicado para feridas infectadas ou com alta secreção |
| Espumas de poliuretano | Absorção de exsudato e proteção | Bom para feridas com exsudato moderado |
| Filme transparente | Barreiras contra contaminação, controle de umidade | Permite inspeção visual |
| Algodão | Proteção, fixação e absorção | Usado em curativos simples |
| Soluções de limpeza | Remoção de detritos e exsudato | Como solução fisiológica |
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Quais materiais são indicados para curativos em feridas infectadas?
Para feridas infectadas, geralmente são indicados materiais que absorvem exsudato, promovem ambiente úmido e dificultam a proliferação bacteriana, como curativos de espuma com carvão ativado, hidrocolóides ou espumas avançadas, sempre acompanhados de terapias antimicrobianas conforme orientação médica.
2. Quantas vezes devo trocar o curativo?
A frequência de troca depende do tipo de curativo, da quantidade de exsudato, do estágio de cicatrização e da presença de sinais de infecção. Em geral, curativos padrão podem ser trocados a cada 24 horas ou quando estiverem sujos, molhados ou soltos.
3. Quais os principais sinais de que uma ferida precisa de atenção médica?
Sinais como aumento da dor, exsudato purulento, odor desagradável, aumento do edema, vermelhidão extensa, febre ou sinais de systemicidade indicam a necessidade de avaliação especializada.
4. Como prevenir feridas por pressão?
Mudanças frequentes de posição, uso de colchões especiais, hidratação adequada, higiene da pele e avaliação constante do risco são medidas essenciais para prevenir escaras e úlceras de decúbito.
Conclusão
O cuidado com curativos e feridas na enfermagem é uma atividade que demanda conhecimento aprofundado, técnica correta e atenção constante às particulars de cada caso. A adequada avaliação, escolha do material adequado, realização de procedimentos com assepsia e monitoramento contínuo garantem a cicatrização eficaz, prevenindo complicações e promovendo a recuperação do paciente.
Estar atualizado com as melhores práticas, seguir protocolos estabelecidos e valorizar a experiência clínica são elementos essenciais para o sucesso nas intervenções de enfermagem. Como afirmou Florence Nightingale, pioneira na enfermagem, "A cura é uma arte que combina ciência, coração e atenção ao detalhe."
Referências
- Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas (SBEF). Guia de cuidados com feridas. 2021.
- Silva, M. H. P. et al. Cuidados de enfermagem em feridas: protocolos e técnicas. Revista Brasileira de Enfermagem, 2020.
- Ministério da Saúde. Protocolos de assistência à ferida. Brasília: MS, 2019.
- World Union of Wound Healing Societies. Wound Healing Society global standards. 2022.
Links externos relevantes
- Diretrizes de manejo de feridas do Ministério da Saúde
- Sociedade Brasileira de Enfermagem em Feridas (SBEF)
Este artigo foi elaborado para fornecer um direcionamento completo e atualizado sobre cuidados com feridas na enfermagem, contribuindo para a formação contínua dos profissionais e a melhoria da assistência ao paciente.
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