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Crise de Ausência: Entenda as Causas e Tratamentos Eficazes

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A crise de ausência, também conhecida como crise de ausência epiléptica ou ausência epileptica generalizada, é um tipo de crise convulsiva que afeta principalmente crianças e adolescentes, embora possa também ocorrer em adultos. Essa condição, muitas vezes pouco compreendida, impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Neste artigo, abordaremos detalhadamente as causas, sintomas, diagnósticos, tratamentos e estratégias de convivência, de modo a promover um entendimento completo sobre o tema.

Introdução

As crises de ausência são episódios breves e frequentes de perda de consciência, que podem passar despercebidos por quem as presencia ou por quem as sofre. Muitas vezes, essas crises são confundidas com períodos de distração ou sonolência, o que dificulta seu diagnóstico precoce e o início do tratamento adequado. A compreensão sobre essa condição é essencial para garantir um acompanhamento psicológico e médico adequado, além de proporcionar estratégias eficazes de convivência.

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De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas no mundo vivenciam algum tipo de epilepsia, sendo as crises de ausência uma das formas mais comuns na infância. Por isso, é fundamental compreender as causas, os sintomas e os tratamentos disponíveis.

O que é Crise de Ausência?

Definição Técnica

A crise de ausência é um tipo de crise epiléptica que se caracteriza por episódios breves de perda de consciência, acompanhados geralmente por movimentos automáticos, como piscar prolongado, movimentos faciais ou gestos de manipulação de objetos. Esses episódios podem durar de 2 a 20 segundos e ocorrem várias vezes ao dia.

Como se Manifesta

O paciente em uma crise de ausência pode parecer distraído ou "offline", tendo dificuldades em responder a estímulos externos. Muitas vezes, as crises são tão rápidas que passam despercebidas por familiares ou professores, dificultando o diagnóstico precoce.

Diferenças entre Crise de Ausência e Outros Tipos de Crise

CaracterísticasCrise de AusênciaCrise Parcial SimplesCrise Parcial Complexa
Duração2 a 20 segundosAlguns segundosDe 30 segundos a vários minutos
Perda de consciênciaSimNãoSim
Movimentos automáticosComum (piscadas, manipulação de objetos)RarosFrequentes
Desatenção durante episódioSimNãoSim

Causas das Crises de Ausência

Fatores Genéticos

A principal causa das crises de ausência em crianças é a predisposição genética. Estudos indicam que a condição pode ser herdada de familiares com história de epilepsia ou crises convulsivas similares.

Alterações Cerebrais

Alterações no funcionamento de certas áreas do cérebro, especialmente no córtex cerebral, podem desencadear crises de ausência. Essas mudanças podem estar relacionadas a condições congênitas ou adquiridas, como lesões cerebrais ou tumores.

Fatores Desencadeantes

Algumas situações podem aumentar a chance de crises, como:

  • Fadiga e sono irregular
  • Estresse emocional
  • Exposição a luzes piscantes ou estímulos visuais intensos
  • Consumo de álcool ou drogas
  • Febre alta em crianças

Patologias Associadas

Cerca de 80% dos casos de crises de ausência estão associados à síndrome de absência infantil, uma condição que geralmente apresenta bom prognóstico com tratamento adequado. Em adultos, as crises podem estar relacionadas à epilepsia de lobo dinâmica ou outras formas de epilepsia generalizada.

Sintomas e Diagnóstico

Sintomas Comuns

  • Perda repentina de atenção
  • Olhar fixo ou fixar os olhos em um ponto
  • Piscar prolongado ou movimentos automáticos faciais
  • Dificuldade de responder a estímulos
  • Ausência de memória do episódio

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da crise de ausência envolve uma combinação de relatos clínicos, exames neurológicos e eletroencefalograma (EEG). No EEG, observa-se um padrão característico de ondas rápidas e spike-and-wave, que indicam atividade epiléptica.

"O reconhecimento precoce das crises de ausência é fundamental para evitar que o paciente desenvolva modificações cognitivas ou outras complicações." – Dr. Rodrigo Alves, neurologista especializado em epilepsia.

Tratamentos Eficazes para Crise de Ausência

Medicamentos

Os principais medicamentos utilizados incluem:

  • Valproato de sódio: eficaz em diversos tipos de epilepsia, incluindo crises de ausência.
  • Etossuximida: considerado padrão ouro para crises de ausência, devido à sua alta efetividade.
  • Topiramato: alternativa para casos refratários.
  • Lamotrigina: utilizada em epilepsias generalizadas e parciais.

Terapia Não Farmacológica

Em casos leves ou quando há resistência medicamentosa, estratégias não medicamentosas podem incluir:

  • Estimulação do nervo vago
  • Cirurgias em casos extremos (atenção, embora rara na crise de ausência)

Acompanhamento e Monitoramento

O acompanhamento com neurologista é fundamental para ajustar as medicações, monitorar efeitos colaterais e avaliar a evolução do paciente. A adesão ao tratamento é crucial para a melhora e possível remissão das crises.

Como Convivenciar com a Crise de Ausência

Dicas para Pacientes e Familiares

  • Manter uma rotina de sono regular
  • Evitar fatores desencadeantes conhecidos
  • Promover um ambiente tranquilo, livre de estímulos excessivos
  • Educar a família e os colegas de escola sobre a condição
  • Supervisão constante, especialmente em crianças

Impacto na Vida Escolar e Social

As crises de ausência podem afetar o rendimento escolar e as relações sociais. Com o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem levar uma vida normal. Contudo, é importante estabelecer parcerias entre familiares, professores e profissionais de saúde para garantir suporte adequado.

Recursos de Apoio

Procure organizações de apoio como a Liga Brasileira de Epilepsia que oferecem informações, suporte e redes de contato para pacientes e familiares.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A crise de ausência é permanente ou pode desaparecer com o tempo?

Em muitas crianças, as crises de ausência tendem a diminuir ou desaparecer na adolescência, especialmente após o tratamento adequado. No entanto, o acompanhamento médico contínuo é essencial.

2. É possível dirigir com crise de ausência?

A maioria das jurisdicionalidades exige que o paciente esteja livre de crises epilépticas por um período específico antes de obter a autorização para dirigir. Consulte o médico para orientações específicas.

3. Quais são os riscos associados às crises de ausência não tratadas?

Se não gerenciadas, podem contribuir para o desenvolvimento de epilepsia generalizada mais grave, dificuldades cognitivas e sociais, e riscos de acidentes durante o episódio.

4. Como diferenciar uma crise de ausência de desatenção comum?

As crises de ausência são episódios breves com perda de consciência que retornam ao estado normal após alguns segundos, muitas vezes com movimentos automáticos. A desatenção comum não costuma apresentar esses sintomas neurológicos específicos.

Conclusão

A crise de ausência, embora seja um fenômeno relativamente comum na infância, exige atenção especializada para o diagnóstico e tratamento precoce. Com o avanço da medicina e maior conscientização, é possível controlar muitas dessas crises, minimizando seus efeitos na vida do paciente e promovendo uma convivência mais harmoniosa e saudável. O importante é buscar orientação adequada, manter uma rotina de acompanhamento médico e apoiar o paciente emocionalmente.

Se você ou alguém que conhece enfrenta sintomas relacionados, procure um neurologista para uma avaliação detalhada. O conhecimento e o tratamento adequado podem fazer toda a diferença na qualidade de vida.

Referências

  • Organização Mundial de Saúde (OMS). Epilepsia
  • Liga Brasileira de Epilepsia. Site oficial
  • Fisher, R. et al. (2014). Ilblueprint for the genome of epilepsy. Epilepsy Research, 107(1-2), 147-156.
  • Lopes, A. et al. (2016). Avaliação do impacto das crises de ausência na rotina diária. Revista Brasileira de Neurologia, 52(3), 255-262.

Seja sempre atento aos sinais e mantenha contato regular com seu profissional de saúde para obter o melhor tratamento para crises de ausência.