Criança Autista Paga Passagem de Avião: Direitos e Orientações
A viagem de avião é uma experiência que muitas famílias desejam proporcionar a seus filhos, inclusive às crianças autistas. No entanto, dúvidas recorrentes sobre os direitos nesse contexto podem gerar insegurança e dúvidas quanto à necessidade de pagamento de passagens, acompanhantes e facilidades a bordo. Este artigo visa esclarecer essas questões, esclarecer direitos, orientações e fornecer informações essenciais para que famílias possam viajar com tranquilidade e segurança.
Introdução
As viagens aéreas podem ser desafiadoras para crianças autistas devido ao ambiente altamente sensorial, barulhento e estressante. Assim, compreender os direitos garantidos por legislação e regulamentos é fundamental para que as famílias possam planejar suas viagens com segurança e sem surpresas desagradáveis.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil possuem algum transtorno do espectro autista. Diante dessa realidade, é importante que as companhias aéreas e os órgãos reguladores ofereçam suporte e garantam direitos específicos.
Neste artigo, abordaremos:
- Direitos do passageiro autista na aviação
- Como solicitar atendimento especializado
- Diretrizes para pagamento de passagem
- Orientações para embarque e assistência a bordo
- Perguntas frequentes
- Conclusão e referências
Direitos do Passageiro Autista na Aviação
O que a legislação brasileira garante?
No Brasil, o direito de atendimento prioritário, acesso facilitado e isenção ou redução de custos é assegurado pela Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, e pelo Decreto nº 10.406/2020. Essas leis garantem que pessoas com deficiência, incluindo crianças autistas, tenham acesso a condições de viagem seguras e dignas.
Normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)
A ANAC estabelece orientações específicas para passageiros com necessidades especiais. Entre elas:
- Atendimento prioritário
- Assistência na emissão de passagens
- Acesso a acompanhantes sem custos adicionais
- Apoio no embarque e desembarque
- Privacidade e comodidade na cabine
Criança autista: há pagamento de passagem?
Na prática, a maioria das companhias aéreas concede a isenção ou preço reduzido para crianças autistas. Contudo, há particularidades dependendo da idade, do tipo de atendimento necessário e do entendimento da companhia aérea.
Segundo a resolução da ANAC, crianças de até 2 anos geralmente viajam com tarifas reduzidas ou isenção, caso não ocupem assento próprio. Para crianças acima de 2 anos, a tarifa normalmente é a de passageiro pagante, mas há possibilidades de isenção ou desconto mediante apresentação de documentação adequada.
Como solicitar atendimento especial e isenção de tarifas
Documentação necessária
Para solicitar assistência e possíveis isenções, as famílias devem providenciar os seguintes documentos:
| Documentação | Descrição |
|---|---|
| Laudo médico atualizado | Com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) |
| Documento de identificação (RG, CNH) | Para comprovar identidade da criança |
| Carteirinha ou comprovação de beneficiário | Se tiver, de programas de apoio ou associações |
Procedimentos na compra da passagem
- Informar à companhia aérea previamente: Ao realizar a reserva, informe que a criança autista viajará com necessidades específicas.
- Solicitar assistência especial: Como embarque prioritário, apoio na chegada, acompanhamento a bordo.
- Verificar possibilidade de desconto ou isenção: Dependendo da idade e legislação vigente.
- Confirmação por escrito: Peça confirmação por e-mail ou documento.
Como garantir assistência a bordo?
A maioria das companhias oferece:
- Apoio na preparação para o voo
- Atendimento prioritário na fila
- Acompanhamento durante o embarque e desembarque
- Espaço reservado na cabine, se solicitado com antecedência
Para facilitar o procedimento, recomenda-se consultar o site da ANAC ou o site da companhia aérea escolhida.
Orientações para uma viagem tranquila com criança autista
Antes da viagem
- Planeje com antecedência: Conheça o aeroporto, rotas, tempo de embarque e desembarque.
- Finalize todos os detalhes com a companhia aérea: Incluíndo necessidades especiais e documentação.
- Leve itens de conforto: Brinquedos, fones de ouvido com isolamento de ruído, objetos que a criança goste.
- Prepare a criança: Explique o que vai acontecer, use recursos visuais ou histórias, dependendo do nível de compreensão.
No dia da embarque
- Chegue cedo ao aeroporto para evitar ansiedade.
- Procure o balcão de atendimento especial para pedir ajuda.
- Utilize as áreas de descanso, se necessário.
- Mantenha objetos familiares por perto.
Durante o voo
- Respeite os limites da criança.
- Use fones de ouvido com isolamento de ruído.
- Tenha lanches e atividades extras à disposição.
Após o desembarque
- Solicite assistência na saída do avião.
- Verifique se há áreas de descanso no aeroporto.
- Mantenha a rotina que a criança está acostumada.
Tabela: Direitos e Benefícios para Crianças Autistas na Avião
| Direito | Detalhes |
|---|---|
| Isenção ou desconto na passagem | Pode ser solicitado mediante documentação médica e comprovação de TEA |
| Atendimento prioritário | Apoio na fila, embarque e desembarque |
| Acesso facilitado | Espaços reservados, suportes para necessidades específicas |
| Acompanhante | Geralmente, acompanha criança sem custos extras |
| Assistência a bordo | Apoio na comunicação, suporte durante o voo |
| Comunicação acessível | Informações em linguagem clara e recursos visuais, se necessário |
Perguntas Frequentes
1. Crianças autistas pagam passagem de avião?
Na maioria dos casos, crianças autistas até 2 anos podem viajar sem necessidade de adquirir passagem, ou com tarifa reduzida, dependendo da política da companhia aérea. Para crianças acima de 2 anos, a tarifa costuma ser a de passageiro pagante, mas há possibilidades de isenção mediante documentação e solicitação prévia.
2. Preciso apresentar algum documento para obter isenção?
Sim. Geralmente, é necessário apresentar um laudo médico atualizado que comprove o diagnóstico de TEA. Algumas companhias também aceitam atestados ou carteirinhas de associações de apoio à pessoa com autismo.
3. Como solicitar atendimento especial na companhia aérea?
Ao adquirir a passagem, informe-se com antecedência, faça a solicitação via telefone ou online, e confirme os procedimentos e necessidade de documentação.
4. O acompanhante também tem direitos especiais?
Sim, acompanhantes podem viajar gratuitamente ou com tarifa reduzida, dependendo das normas da companhia aérea e da legislação vigente.
5. Quais dicas para uma viagem mais confortável?
Planeje com antecedência, comunique-se com a equipe da companhia aérea, leve objetos familiares, músicas, brinquedos e mantenha a rotina o máximo possível.
Conclusão
Viajar de avião com uma criança autista exige planejamento, conhecimento dos direitos e comunicação eficiente com a companhia aérea. Felizmente, as legislações brasileiras e regulamentos setoriais oferecem suporte e garantem facilitadores para que essa experiência seja mais tranquila e segura para as famílias.
Ao entender os seus direitos e seguir as orientações aqui apresentadas, sua viagem pode se transformar em uma oportunidade de convivência, crescimento e momentos inesquecíveis.
Nunca deixe de consultar as informações atualizadas nos sites oficiais, como o da ANAC e da sua companhia aérea, para garantir uma viagem livre de imprevistos.
"A acessibilidade é a junção de ações e recursos que tornam o mundo mais justo para todos." – Texto adaptado de princípios de inclusão.
Referências
- Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Regulamentos e orientações. Disponível em: https://www.gov.br/anac/pt-br
- Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência)
- Decreto nº 10.406/2020
- Associação Brasileira de Autismo (ABRA). Diretrizes de viagem para autistas. Disponível em: https://abra.org.br
- Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Dados sobre autismo no Brasil.
Observação: Sempre consulte as orientações específicas de cada companhia aérea, pois políticas podem variar e atualizações podem ocorrer.
MDBF