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Corpos no Everest: A Bela Adormecida e os Mistérios da Montanha

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O Monte Everest, o ponto mais alto da Terra, é conhecido não apenas por sua grandiosidade e desafiadorismo, mas também pelos inúmeros mistérios e histórias trágicas que cercam suas encostas. Entre as várias narrativas relacionadas à montanha, uma das mais fascinantes e ao mesmo tempo assustadoras é a presença de corpos de alpinistas intocados pelo tempo, muitas vezes considerados "a Bela Adormecida" do Everest. Esses corpos permanecem congelados e preservados pela fria e hostil atmosfera, virando símbolos silenciosos dos perigos e da beleza mortal da maior montanha do planeta.

Neste artigo, exploraremos o fenômeno dos corpos no Everest, analisando sua simbologia, as histórias por trás de alguns deles, os riscos enfrentados pelos montanhistas, além de discutir o impacto ético e ambiental dessa presença eterna no pico do mundo.

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O fenômeno dos corpos no Everest: uma relação de respeito e mistério

A presença de corpos no Everest é resultado de décadas de tentativas de escalada e, infelizmente, de acidentes fatais. A altitude extrema, as condições climáticas imprevisíveis e as difíceis rotas de subida contribuem para que muitos alpinistas percam suas vidas nas encostas da montanha.

Por que os corpos permanecem no Everest?

Devido às dificuldades de resgaste, ao clima extremamente frio e às condições perigosas, muitos corpos permanecem onde foram encontrados. A alta altitude impede o funcionamento adequado de helicópteros e equipamentos de resgate, além de aumentar os riscos de quem tenta remover os corpos. Assim, eles se tornam marcos silenciosos, testemunhas de histórias de coragem, tragédia e ambição.

A simbologia de "a Bela Adormecida"

Assim como na história das princesas que dormem até serem despertadas pelo príncipe, alguns corpos no Everest parecem estar em um sono congelado, imóveis e eternos. Essa metáfora reforça a ideia de que esses montanhistas estão "adormecidos" na montanha, preservados pelo clima frio, aguardando o tempo ou uma intervenção que talvez nunca venha.

Histórias marcantes dos corpos no Everest

Existem inúmeros corpos espalhados pelo Everest, cada um com sua própria história e significado. A seguir, apresentamos alguns exemplos emblemáticos.

O Corpo de George Mallory

Quem foi? George Mallory foi um icônico alpinista inglês, famoso por sua tentativa de conquistar o Everest na década de 1920. Mallory desapareceu na faceta norte do Everest em 1924, durante sua terceira expedição.

Situação atual: O corpo de Mallory foi encontrado em 1999, a cerca de 8.300 metros de altitude, congelado e preservado. Sua morte ainda é um mistério: ele teria morrido durante a tentativa ou durante uma queda? Não há consenso, o que alimenta debates sobre o verdadeiro primeiro a alcançar o cume.

O Corpo de Francys Arsentiev

Quem foi? Fascinada por conquistar o Everest sem a ajuda de oxigênio suplementar, Francys Arsentiev, uma ucraniana-americana, morreu em 1998, após uma tentativa desastrosa de subir a rota do Kali Gandaki.

Situação atual: Seu corpo ficou na encosta, e com o tempo, foi sendo exposto às intempéries. Ela se tornou uma lembrança dos riscos de uma escalada sem o preparo adequado.

Tabela: Exemplos de corpos no Everest

NomeAno de falecimentoAltitude aproximadaCircunstânciasEstado atual
George Mallory19248.300 metrosDesaparecido, tentativa de primeira subidaPreservado, localizado em 1999
Francys Arsentiev1998Cerca de 8.000 mTentativa sem oxigênio, morreu na descidaCongelado, visível na heliportagem
Tsewang Paljor19968.160 metrosTragédia da expedição de 1996Restos espalhados, conhecida como "bodies of the 1996 disaster"
Babu Gurung20138.300 metrosAcidente na rota do EverRollPreservado na montanha

Os riscos enfrentados pelos alpinistas no Everest

As condições extremas do clima

O clima no Everest é extremamente hostil, com temperaturas que podem atingir -60°C na altura do cume. As rajadas de vento podem ultrapassar 200 km/h, além de tempestades repentinas e nevascas frequentes.

A altura e a falta de oxigênio

A "zona da morte", acima de 8.000 metros, é mortal por si só. A oxigenação insuficiente faz com que o corpo humano não consiga se recuperar, aumentando o risco de edema cerebral, pulmonar e outras complicações.

Os perigos das rotas

As rotas mais famosas, como a do Hillary Step e a rota do Khumbu Icefall, são repletas de obstáculos naturais, como icefalls instáveis, avalanches e avalanches de gelo, que representam um grande risco.

Resgates impossíveis

Nos altos do Everest, resgatar corpos ou sobreviventes é quase inviável devido às condições adversas, levando à constatação de que muitos corpos ficarão eternamente lá.

Impactos ambientais e éticos do acúmulo de corpos na montanha

A presença de corpos deixados na montanha levanta questões éticas e ambientais. Alguns debates importantes incluem:

  • Deve-se remover os corpos? A maior parte dos resgates é considerada muito arriscada e cara, porém, alguns argumentam que deixar os corpos na montanha é desrespeitoso.

  • O impacto ambiental: Com o aumento do turismo e escaladas comerciais, o Everest vem acumulando lixo, equipamentos e corpos, prejudicando o ecossistema delicado.

Leis e regulamentações

O governo do Nepal, responsável pela gestão da face sul, impôs regras para o descarte de resíduos e corpos, incluindo multas e a obrigatoriedade de remoção de detritos, embora a aplicação seja difícil.

Considerações finais: o eterno mistério dos corpos no Everest

Os corpos no Everest são, ao mesmo tempo, símbolos de bravura e advertências. Eles representam os riscos do sonho de conquistar o ponto mais alto do mundo, ao mesmo tempo em que nos convidam a refletir sobre os limites humanos, a ética na montanha e o respeito à natureza.

Como afirmou o alpinista Reinhold Messner:
"A montanha só pede uma coisa: respeito."

A presença dessas figuras congeladas na montanha eterniza histórias de coragem, tragédia e ambição, lembrando-nos de que, mesmo diante da natureza majestosa, a sua força deve sempre ser reconhecida.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Os corpos no Everest podem ser removidos?

Em geral, a remoção é considerada muito perigosa devido às condições extremas. A maioria permanece na montanha por razões de segurança e por questões éticas.

2. Existe um corpo famoso no Everest que virou símbolo?

Sim, o corpo de George Mallory é um dos mais famosos e simboliza a busca histórica pelo primeiro conquista do Everest.

3. Como os corpos são preservados na montanha?

O frio extremo e a altitude elevada contribuem para que os corpos fiquem congelados, preservando seus corpos por longos períodos.

4. Quantos corpos estima-se que existam no Everest?

Estima-se que haja mais de 200 corpos espalhados pelas rotas, embora o número exato seja difícil de determinar devido ao ambiente hostil.

5. É seguro tentar subir o Everest hoje?

Embora as expedições comerciais tenham facilitado a escalada, o Everest ainda apresenta riscos graves e deve ser enfrentado com preparo extremo e respeito às condições.

Referências

  • Nairn, S. (2020). Corpos congelados no Everest: histórias e perigos. Revista Mundo Extremo.
  • Nepal Mountaineering Association. (2021). Regulamentações e cuidados com resíduos e corpos no Everest. Link oficial.
  • International Herald Tribune. (2005). The Tragedies and Mysteries of Mount Everest.

Conclusão

Os corpos no Everest permanecem como marcos silenciosos de uma montanha que desafia a natureza e os limites humanos. Sua presença nos lembra dos perigos envolvidos na busca pelo topo, da necessidade de respeito à natureza e da difícil decisão ética de deixar ou remover os restos mortais. Como tudo que envolve o pico mais alto do mundo, eles carregam uma mistura de beleza, tragédia e mistério, que continuará a intrigar gerações de aventureiros, estudiosos e amantes da montanha.

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